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Amazon não venderá livros que enquadrem identidades LGBTQIA+ como doença mental

Empresa declara política em resposta à investigação de senadores republicanos sobre a remoção recente de livro de autor conservador, que associava a orientação à doença



Por Elen Genuncio


Enquanto no Brasil a luta é para que seja cumprida a lei contra homofobia, a gigante Amazon decidiu remover de suas plataformas um livro que retrata transgêneros e outras identidades sexuais como doenças mentais. A empresa explicou sua decisão em uma carta dirigida a senadores republicanos, publicada pelo The Wall Street Journal.


Os parlamentares escreveram para o presidente-executivo Jeff Bezos solicitando uma explicação do porquê não estava mais disponível na Amazon, nem em suas plataformas Kindle e Audible, o livro “When Harry Became Sally” (Quando Harry se tornou Sally), escrito pelo conservador Ryan T. Anderson. Publicado em fevereiro de 2018, a publicação enfoca uma variedade de questões, incluindo identidade de gênero.


Na carta, os senadores caracterizaram a decisão da Amazon de remover o livro como um sinal 'para os americanos conservadores de que suas opiniões não são bem-vindas em suas plataformas'.


Quanto à sua pergunta específica sobre When Harry Became Sally, optamos por não vender livros que enquadram a identidade LGBTQIA+ como uma doença mental', esclareceu a Amazon na carta assinada por Brian Huseman, vice-presidente de Políticas Públicas da Amazon, referindo-se às identidades sexuais que incluem lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros entre outras.


Em resposta à carta da Amazon, Anderson e Roger Kimball, editor da Encounter Books, a organização sem fins lucrativos, com sede em Nova York, que publicou o livro, argumentaram que ‘todos concordam que a disforia de gênero é uma condição séria que causa grande sofrimento’.


Há um debate, no entanto, que a Amazon está tentando encerrar, sobre a melhor forma de tratar os pacientes que sofrem de disforia de gênero’, acrescentaram, chamando seu livro de “uma contribuição importante” para essa conversa. ‘A Amazon está usando seu enorme poder para distorcer o mercado de ideias e enganar seus próprios clientes no processo’, alertaram eles.


A Amazon disse que fornece a seus clientes 'acesso a uma variedade de pontos de vista, incluindo livros que alguns clientes podem considerar questionáveis'.


Dito isso, nos reservamos o direito de não vender determinado conteúdo. Todos os varejistas tomam decisões sobre a seleção que desejam oferecer, assim como nós’, concluiu Huseman, da Amazon.

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