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Carnaval 2022: Rio e São Paulo apostam em desfiles, mas com protocolos diferentes

Enquanto São Paulo diminuiu número de público e componentes das escolas, no Rio só será cobrado o comprovante de vacinação


Os protocolos adotados pelas entidades que representam as escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro e São Paulo são os mesmos para os ensaios de quadra e os trabalhos nos barracões. Exigência do comprovante de vacinação e uso de máscara. Entretanto, em relação ao Carnaval 2022, as semelhanças param por ai. Enquanto em São Paulo haverá uma redução no número de componentes e alegorias das escolas, além do público no Anhembi, no Rio a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) não aceitou essa proposta.


Desfiles no mesmo dia


Com o adiamento dos desfiles do final de Fevereiro para o feriado de Tiradentes, dia 21 de Abril, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) e a Liesa definiram as datas para os desfiles. Nos dias 20 (quarta-feira) e 21 (feriado) haverá o desfile das escolas do grupo de acesso, enquanto as escolas do grupo especial decidiram fazer suas apresentações nos dias 22 (sexta-feira) e 23 (sábado), criando um impasse.


'Entendo duas coisas deles [Rio]: que o nosso Carnaval é antes que do Rio de Janeiro e entendo que eles tem que procurar o que é melhor para eles, porque sexta e sábado são dias favoráveis. Mas quero que eles entendam que nós, tradicionalmente, desfilamos de sexta e sábado e pra nós também é quase impossível fazer um Carnaval de quinta-feira. Criou um impasse. Como que nós vamos resolver? Alguém vai ter que ceder. Aí eu pergunto: sempre São Paulo? Sempre quando tem alguma coisa, São Paulo tem que pagar esse preço? Por que só nós? Não vejo ninguém atacando o Rio, questionou o presidente da Liga SP, Sidnei Carriuolo, em entrevista ao site SRZD, que destacou que não está querendo criar dificuldades, mas que não quer “sacrificar” a maioria dos componentes que teria dificuldade de chegar na quarta-feira (20) no Anhembi em detrimento a uma minoria que faz a ponte-aérea entre as cidades.


Problemas para rainhas


Duas das principais rainhas dos desfiles, a 'Rainha das Rainhas', Viviane Araújo, e a musa Sabrina Sato terão problemas nas agendas de desfile por conta do adiamento do Carnaval. A rainha de bateria da Vila Isabel, Sabrina Sato, reina também à frente dos ritmistas da Gaviões da Fiel. Com a mudança, ela teria de desfilar nas duas cidades, no mesmo dia. Enquanto a Vila Isabel fecha a noite de desfiles do sábado, a Gaviões é a segunda a desfilar.


A pior situação é da mais aplaudida das rainhas de bateria. a atriz e modelo Viviane Araújo, que é a grande dama dos ritmistas da Acadêmicos do Salgueiro, terceira escola a desfilar na noite de sexta-feira. A estrela teria de estar no mesmo horário à frente da bateria da Mancha Verde no Anhembi, a 400 quilômetros da Passarela do Samba do Rio de Janeiro. As duas atrizes ainda não se pronunciaram sobre como resolverão esse imbróglio.


Protocolos


A Prefeitura de São Paulo definiu os protocolos para os desfiles do Carnaval de 2022. Entre as diretrizes para a realização dos desfiles estão o limite de ocupação máxima de 70% da capacidade de público em todos os setores, incluindo arquibancada, camarotes e pista; controle de público na concentração e dispersão e recomendações para os ensaios técnicos e encontros nas quadras e pré-cadastro de componentes do desfile com o passaporte da vacina, que será exigido também para foliões e públicos, assim como o uso obrigatório de máscara.


Com isso, será excluído do julgamento do Carnaval deste ano o quesito "Harmonia", que avalia, justamente, se os integrantes das escolas de samba cantam o samba enredo. Por outro lado, caberá aos chefes de alas conferirem o uso das máscaras pelos componentes das escolas, pois o uso incorreto poderá levar à perda de pontos no quesito "Fantasia".


No Rio de Janeiro, além da exigência do comprovante de vacinação dos componentes, para que recebam as fantasias, e para o público na Passarela do Samba, não há outras restrições. A Liesa não aceitou a redução de público do Sambódromo e de componentes nas escolas de samba, assim como o uso de máscara.

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