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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Caso Marielle: ex-PM aponta Domingos Brazão como mandante do assassinato

O desdobramento dessa delação promete trazer à tona mais detalhes sobre a trama por trás do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, que chocou o país e abalou as estruturas políticas do Rio de Janeiro.




O caso Marielle Franco volta a tomar os holofotes da mídia com uma reviravolta surpreendente. Ronnie Lessa, ex-policial militar preso pelo assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes, teria apontado Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, como um dos mandantes do crime.


A informação, obtida com exclusividade pelo Intercept Brasil, revela que Lessa, autor dos disparos que ceifaram a vida de Marielle e Anderson, fechou acordo de delação com a Polícia Federal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda precisa homologar o acordo, uma vez que Brazão possui foro privilegiado.


Domingos Brazão, ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas, já havia sido acusado formalmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2019 por obstrução das investigações. Ele foi afastado do cargo por quatro anos após ser preso na Operação Quinto do Ouro, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, sob acusação de receber propina de empresários.


A principal hipótese para a suposta participação de Brazão no assassinato de Marielle seria uma vingança contra Marcelo Freixo, ex-deputado estadual e atual presidente da Embratur. Freixo e Marielle trabalharam juntos por uma década, e Brazão teve conflitos sérios com Freixo durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.


Em 2008, Brazão foi citado no relatório final da CPI das milícias, presidida por Freixo, como um político autorizado pelas milícias para fazer campanha em Rio das Pedras. Além disso, Freixo teve papel crucial na Operação Cadeia Velha, que resultou na prisão de membros do MDB, partido ao qual Brazão era filiado.


A ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça, informou em maio de 2020 que a possibilidade de Brazão ter agido por vingança era cogitada, considerando a intervenção de Freixo nas ações que levaram ao afastamento do conselheiro do TCE.


O Ministério Público também retomou a análise de documentos sobre a milícia em Rio das Pedras, suspeita de ter ligações com a família Brazão e o Escritório do Crime, segundo as investigações da Polícia Civil e do MP.


Ronnie Lessa, preso desde março de 2019, foi condenado em julho de 2021 por destruir provas sobre o caso Marielle. Élcio de Queiroz, ex-policial militar também envolvido no assassinato, já havia feito uma delação à Polícia Federal em julho do ano passado, apontando Domingos Brazão como possível envolvido no crime.


O advogado de Domingos Brazão, Márcio Palma, foi procurado para comentar a delação, mas não foi possível obter contato até o momento. Em entrevistas anteriores, Brazão sempre negou qualquer participação no crime. O caso Marielle completa seis anos em março de 2024, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que o desfecho do caso está previsto para este primeiro trimestre do ano.



Ministra da Igualdade Racial e vereadora Monica Benicio aguardam resultados oficiais das investigações



A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a vereadora Monica Benicio, esposa de Marielle à época, utilizaram as redes sociais para se manifestarem oficialmente diante das recentes informações e da proximidade da conclusão das investigações.


Anielle Franco, irmã de Marielle, expressou sua dor e reafirmou o compromisso da família em buscar justiça. Em sua declaração, ela destacou:


'São quase 6 anos da maior dor que já sentimos! Recebi as últimas notícias relacionadas ao caso Marielle e Anderson e reafirmo o que dizemos desde que a tiraram de nós: não descansaremos enquanto não houver justiça. A nossa família aguarda os comunicados e resultados oficiais das investigações e está ciente do comprometimento das autoridades para a resolução do caso. A resposta sobre esse crime - quem mandou matar Marielle e Anderson e o porquê – é um dever do Estado brasileiro'.

Por sua vez, Monica Benicio, ao ponderar sobre a possível delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle, pediu prudência. Apesar dos avanços recentes no caso, ela ressaltou a complexidade do histórico de Lessa e a necessidade de respaldo nas informações fornecidas: 'Não existe crime perfeito. São 5 anos e 10 meses sem respostas, sem justiça. Desde a entrada da Polícia Federal no início de 2023 para colaboração no caso Marielle, finalmente temos visto avanços contundentes nas investigações'.


Monica continuou expressando esperança na possibilidade de delação premiada, mas alertou para a periculosidade do criminoso:



'Vejo a possibilidade de delação premiada de Ronnie Lessa com esperança, mas sem otimismo exacerbado. Afinal, estamos lidando com um dos criminosos mais perigosos do submundo do Rio de Janeiro. Qualquer informação que o delator venha a dar precisa ser respaldada e corroborada pelas investigações minuciosas do andamento do caso'.

A vereadora concluiu destacando a importância de responsabilidade e comprometimento neste momento delicado: 'Nesse momento, especulações e sensacionalismo da imprensa só atrapalham o caso. Queremos respostas e justiça e para isso é necessário comprometimento e responsabilidade de todos nesse momento. Marielle e Anderson merecem respeito e um desfecho responsável para as investigações'.


Monica encerrou sua manifestação reiterando o compromisso em cobrar por respostas até que se faça justiça por Marielle: 'O Brasil e a democracia precisam de uma resposta séria, inquestionável, comprometida com a verdade. Todos os envolvidos nesse crime bárbaro que abalou a democracia do nosso país devem ser responsabilizados com o rigor da lei. Seguiremos cobrando respostas até que se faça justiça por Marielle'.



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