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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Comportamento de estudantes de Medicina da Unisa gera indignação

Cerca de 20 alunos foram flagrados em um ato descrito como uma ‘masturbação coletiva’, levando personalidades públicas a reflexões sobre o comportamento da Universidade de Santo Amaro (Unisa) e seu impacto nas discussões sobre consentimento e respeito.



O comportamento chocante de alguns estudantes de medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, durante uma partida de vôlei feminino abalou a sociedade e provocou uma discussão ampla sobre ética, respeito e aceitação. Durante o evento esportivo, cerca de 20 estudantes foram flagrados em um ato considerado inaceitável, descrito como uma ‘masturbação coletiva’. O fato ocorreu no último sábado (16), durante a Intermed, uma competição esportiva entre universidades. As imagens que circularam nas redes sociais mostram os estudantes correndo na quadra com as calças abaixadas, simulando uma espécie de ‘Volta Olímpica’ enquanto tocavam suas partes íntimas. Em outro vídeo, eles estavam na plateia, assistindo ao jogo feminino, e continuaram com a conduta inadequada.


Nos dias de hoje, com diversos movimentos como o ‘MeToo’, comportamento dos estudantes se masturbando é inaceitável e inadequado de acordo com as normas atuais, que enfatizam a importância do respeito, do consentimento e da igualdade de gênero nas interações sexuais e sociais. Esse comportamento não só desrespeita a autonomia e o consentimento das pessoas ao redor, mas também vai contra os princípios de dignidade e ética que são valorizados na sociedade contemporânea. Por isso, a atitude dos estudantes se encaixa nos debates e discussões sobre comportamento sexual inapropriado e a necessidade de conscientização e educação sobre questões de respeito e consentimento.


Esse episódio lamentável destaca a importância de uma educação e formação adequadas não apenas em termos técnicos, mas também em ética, respeito e responsabilidade social para os futuros profissionais de medicina. Atitudes como essas não apenas prejudicam a reputação da instituição de ensino, mas também levantam sérias questões sobre a preparação desses estudantes para cuidar da saúde e bem-estar da sociedade.


A reação pública a esse comportamento foi imediata, com várias personalidades e autoridades se manifestando. O influenciador Felipe Neto expressou sua preocupação, questionando o que esse incidente diz sobre o país quando tais ações são toleradas sem consequências. Ele ressaltou a gravidade do ato e chamou a atenção das autoridades.


O Ministério das Mulheres repudiou, em comunicado publicado no Twitter, o ato dos estudantes, pedindo que atitudes como a praticadas por eles sejam combatidas:


‘Romper séculos de uma cultura misógina é uma tarefa constante que exige um olhar atento para todos os tipos de violências de gênero. Atitudes como a dos alunos de Medicina, da Unisa, jamais podem ser normalizadas — elas devem ser combatidas com o rigor da lei. Em parceria com o @min_educacao, o Ministério das Mulheres reforça seu compromisso de enfrentar essas práticas que limitam ou impossibilitam a participação das estudantes como cidadãs. Vamos seguir trabalhando para que as universidades sejam espaços seguros, livres de violência.’


Já a deputada estadual Marina do MST (PT/RJ) relatou que parte do time de futsal masculino da Unisa foi expulsa dos jogos universitários como resultado da masturbação coletiva. Ela enfatizou que esse tipo de comportamento configura importunação sexual e deve ser tratado com a seriedade que merece. Além disso, apontou para o histórico de trotes violentos, misóginos e hierarquizantes associados ao curso da mesma faculdade.


Sua colega de partido, a deputada estadual Elika Takimoto (PT/RJ), também foi às redes sociais e questionou a direção da faculdade sobre o ato que denominou como ‘punhetaço, querendo saber se a entidade ‘dará o diploma para esses imbecis’. Outra a se manifestar foi a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) que condenou veementemente a conduta dos estudantes, descrevendo-a como ‘nojenta e criminosa’. Ela expressou sua preocupação com o fato de que esses indivíduos poderiam se tornar futuros médicos e pediu que a Unisa tome as medidas apropriadas para lidar com o ocorrido.


Após a repercussão, a União Nacional dos Estudantes divulgou nota pedindo a responsabilização dos estudantes envolvidos:



A Atlética da Universidade Unisa também divulgou nota de esclarecimento sobre o assunto:



E internautas usaram as redes para cobram posicionamento da atlética sobre o caso:



Segundo apuração do G1, o caso ocorreu em abril, no torneio Calo 2023, em São Carlos, no interior do estado, mas ganhou repercussão neste domingo (17), após um vídeo de repúdio ao ato viralizar nas redes sociais. Os alunos fazem parte do time de futsal da faculdade e estavam na plateia. Eles abaixaram as calças enquanto o time de vôlei jogava contra a Universidade São Camilo e encostam nas partes íntimas.


Em nota, a Universidade São Camilo afirmou que o episódio aconteceu durante em abril, durante um campeonato no interior do estado, alegando que o caso pode ser enquadrado como atentado ao pudor, crime de notificação individual, mas que nenhuma aluna da faculdade registrou a ocorrência:

:

‘O Centro Universitário São Camilo informa que nossa Atlética do curso de Medicina não participa do Intermed. Porém, em abril deste ano participou de outro evento esportivo chamado Calomed, quando nossas alunas disputaram um jogo contra a equipe da Unisa. Os alunos da Unisa, saindo vitoriosos, segundo relatos coletados, comemoraram correndo desnudos pela quadra. Não foi registrada, naquele momento, nenhuma observação por parte das nossas alunas referentes à importunação sexual. O Centro Universitário São Camilo apoia todos os nossos alunos e não compactua com quaisquer atos que possam atentar contra o pudor e os bons costumes.’



Análise

O ocorrido envolvendo estudantes de medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa) abre espaço para uma análise crítica em relação às questões de aceitação da população LGBT+ e à luta pela liberdade sexual. Embora o incidente em si não envolvesse diretamente questões de orientação sexual, ele levanta questões mais amplas sobre o respeito à diversidade, igualdade de gênero e respeito aos direitos individuais.


Comportamento Misógino e Desrespeitoso

O comportamento exibido pelos estudantes é, em sua essência, uma manifestação misógina e desrespeitosa em relação às mulheres que estavam participando do jogo de vôlei feminino. Isso destaca a importância da luta pelo respeito às mulheres e à igualdade de gênero, que são questões fundamentais também para a comunidade LGBT+.


Importunação Sexual

A deputada Marina do MST observou corretamente que esse tipo de comportamento se configura como importunação sexual, um crime que deve ser tratado com seriedade. Isso destaca a necessidade de conscientização sobre o consentimento e o respeito aos limites individuais, que são princípios essenciais em questões relacionadas à liberdade sexual.


Reflexão sobre a Formação de Profissionais de Saúde

Uma das preocupações levantadas pela deputada Elika Takimoto foi o fato de que esses estudantes de medicina seriam futuros médicos. Isso nos leva a refletir sobre a importância de incluir a sensibilidade para questões de diversidade e respeito nas formações de profissionais de saúde, independentemente de sua orientação sexual. A aceitação da diversidade na sociedade passa também pela formação e conduta de profissionais que atendem às necessidades de saúde da comunidade, incluindo a população LGBT+.


Responsabilidade da Instituição de Ensino

O fato de a universidade não se pronunciar sobre o ocorrido até o momento é preocupante. As instituições de ensino têm a responsabilidade de criar ambientes seguros, respeitosos e inclusivos para seus estudantes, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. A falta de uma resposta clara da universidade pode ser interpretada como uma omissão diante de um comportamento inadequado.


Em suma, embora o incidente em si não esteja diretamente ligado à população LGBT+, ele ressalta a importância de promover uma cultura de respeito, igualdade e aceitação de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Isso inclui a conscientização sobre a importunação sexual, o respeito à diversidade e a responsabilidade das instituições de ensino na formação de profissionais de saúde sensíveis a essas questões. A luta pela liberdade sexual e pela igualdade de direitos continua sendo relevante e urgente em nossa sociedade.




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