• Pimenta Rosa

Conservadores japoneses bloqueiam projeto de lei que luta contra discriminação LGBT+

Políticos do Partido Liberal Democrata rejeitam a adoção de um texto que visa tornar a discriminação contra a comunidade LBGTQIA+ inaceitável no território japonês



Um projeto de lei que visa a aceitação das minorias sexuais no Japão corre risco de nem chegar ao final de sua apreciação. Proposto pela oposição e tendo o apoio de parte da coalizão governista, o texto deveria ser aprovado antes do final da sessão legislativa japonesa, em 16 de Junho. Mesmo que não tivesse qualquer indicação de punições contra possíveis violações, representaria um avanço significativo em direção aos Jogos Olímpicos, cujo estatuto proíbe todas as formas de discriminação.


A forte mobilização de políticos conservadores do Partido Liberal Democrata (PLD), atualmente no poder, trabalha para que o texto fique para ser apreciado em outro momento, mas sem data prevista. Essa não é a primeira barreira ao reconhecimento dos direitos da comunidade LGBTQIA+ no Japão, que já sofreu uma outra derrota em 2016, quando um texto parecido foi levado ao plenário.


Com discurso de que a comunidade LGBT é 'moralmente inaceitável', o deputado Kazuo Yana, do departamento de Kochigi, no sudeste japonês, disse que isso serve para 'bloquear a preservação da espécie'. Já Eriko Yamatani, eleita de Tóquio e conhecida por sua ligação com os ultranacionalistas, criticou os direitos dos transexuais no exterior que garantem 'que pessoas de corpo masculino participem de competições femininas porque dizem que se identificam mentalmente com as mulheres'.


A Organização Não-Governamental Human Rights Watch concedeu medalha de ouro em discriminação ao Japão. Eles reiteraram que os insultos contra a comunidade LGBTQIA+ no Japão não são novos, mas que o país se afasta cada vez mais da realidade do mundo e da opinião pública japonesa. Esse ano, nas Olimpíadas de Tóquio, a halterofilista neozelandesa Laurell Hubbard será a primeira atleta transexual da história do Jogos Olímpicos.


Fonte: Le Monde

8 visualizações