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Dia Internacional contra a LGBTfobia precisa ser de reflexão

Por falta de empatia, ou respeito, Brasil lidera ranking de crimes contra a comunidade LGBT e a mudança precisa passar pela Educação



No mundo anterior a 1990, a homossexualidade era vista como uma doença. Há apenas 32 anos, no dia 17 de maio daquele ano, a Organização Mundial de Saúde deixou de considerá-la como uma enfermidade e a retirou da Classificação Internacional das Doenças (CID).


Desde então, o Dia Internacional contra a LGBTfobia, celebrado em 17 de maio, é um momento de alerta para dados estatísticos alarmantes que pedem um olhar atento da sociedade e ações urgentes de políticas públicas para a população LGBT.


Segundo a Associação Nacional dos Travestis (ANTRA), o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking do país que mais mata travestis. De acordo com relatório do Grupo Gay da Bahia, em parceria com a Aliança Nacional LGBTI+, cerca de 300 pessoas LGBT tiveram mortes violentas em 2021, configurando um aumento de 8% em relação a 2020. O estudo aponta ainda que há no país uma morte de uma pessoa LGBT a cada 29 horas.


Se políticas públicas de acesso à saúde básica e de segurança são urgentes, iniciativas que promovam inclusão e equidade em todos os espaços também são necessárias e uma questão de vida com dignidade para a população LGBT.


Dados da pesquisa “A Workplace Divided”, da Human Rights Campaign Foundation, de 2018, apontam que essa é uma realidade ainda distante da que as pessoas LGBT enfrentam no mercado de trabalho.


Segundo o estudo, 75% dos profissionais LGBT, em algum momento, já esconderam sua orientação sexual ou identidade de gênero em seus ambientes de trabalho. A pesquisa apontou ainda que mais de 50% desses profissionais escutam piadas sobre lésbicas ou gays durante o trabalho, de vez em quando; e que 31% desses trabalhadores já se sentiram infelizes ou deprimidos no trabalho.


Para Renata Torres, especialista em diversidade e co-founder da consultoria Div.A Diversidade Agora, falar de diversidade e também sobre inclusão e equidade, é pensar em espaços em que todas as pessoas possam ter as mesmas oportunidades, seus direitos respeitados e se sentirem seguras em suas formas de expressão. Para a especialista, é importante refletir sobre a importância da diversidade nas empresas, pois a maioria das organizações não oferece um ambiente seguro para que seus funcionários possam se manifestar sem medo de sofrer represálias ou preconceitos.


'Quando a empresa começa a ter um olhar genuíno para a diversidade, inicia também um processo de transformação para uma cultura inclusiva, no qual todas as pessoas passam a se sentir seguras para serem elas mesmas, sabendo que suas diferenças serão respeitadas, sem medo de se envergonharem ou sofrer qualquer tipo de preconceito', explica Renata Torres.


É importante que as empresas passem por esse processo de transformação, ressalta Kaká Rodrigues – também especialista em diversidade e co-founder da Div.A – e entendam que a cultura inclusiva é feita na prática, não basta apenas se posicionar, na teoria, a favor da diversidade.


'Diversidade é ter diversos tipos de pessoas dentro das organizações, em todos os níveis hierárquicos. Trazendo esse recorte para as pessoas LGBTQIAP+, estamos falando de cerca de 20 milhões de indivíduos no Brasil. Ou seja, 20% da população brasileira (ABGLT) que precisa, além de políticas públicas efetivas que garantam seus direitos civis, de ações afirmativas por parte das empresas que garanta o acesso e a inclusão a empregos dignos', conclui Kaká Rodrigues.

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