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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Documentário 'Deus Não Deixa' representa o Brasil no Festival LesGaiCineMad em Madri

Dirigido por Marçal Vianna, o filme, que aborda a identidade de gênero, fé e aceitação na comunidade LGBTQIA+, é destaque na mostra competitiva de melhor documentário de curta-metragem.




O documentário ‘Deus Não Deixa’, dirigido por Marçal Vianna, conquistou reconhecimento internacional ao integrar a programação oficial do 28º Festival LesGaiCineMad, em Madri, Espanha. A obra, que aborda questões de identidade de gênero, fé e aceitação na comunidade LGBTQIA+ em ambientes religiosos, participará da mostra competitiva de melhor documentário de curta-metragem. O evento ocorre até o dia 26 de novembro, e é considerado o principal festival internacional de cinema LGBT em língua espanhola.

 

Marçal Vianna destaca o caráter genuíno do documentário como um dos fatores que o torna especial e merecedor de destaque em festivais internacionais. Ele enfatiza a identificação que o filme gera nas pessoas da comunidade LGBTQIA+, abordando a questão do peso cristão que muitos enfrentam. O protagonista, Miguel, é descrito como uma figura carismática que enriquece a narrativa universal do filme.

 

Ele (o documentário) gera a identificação das pessoas que o assistem porque, eu acredito, todo integrante da comunidade LGBTQIAPN+ passa pela questão do peso cristão. Por mais que o filme conte a história do Miguel, é um assunto universal, é um tema universal, que gera identificação das pessoas que assistem, sem contar que o Miguel é uma figura muito carismática, que engrandece o filme’, justifica.

 

A jornada do documentário desde seu lançamento no Festival de Cinema de Gramado até a seleção para o LesGaiCineMad revela uma história que se originou na época da faculdade de Marçal Vianna. A ideia do filme nasceu durante suas conversas com Miguel, uma presença constante em sua rotina na época. O projeto de pesquisa evoluiu para o trabalho de conclusão do curo (TCC) e, posteriormente, para o impactante documentário que é hoje.

 

‘Deus Não Deixa’ retrata a jornada de autoconhecimento de Miguel, enfrentando conflitos entre identidade de gênero, orientação sexual e fé. Vianna destaca a abordagem respeitosa da vida de Miguel no filme, expressando sua satisfação com a aceitação do protagonista em relação à representação na obra.

 

A mensagem central do filme busca provocar reflexão sobre o peso da religião na comunidade LGBT+, especialmente no contexto brasileiro, onde a presença da igreja evangélica é marcante em regiões desfavorecidas. O filme, produzido com recursos do edital LAB Curta da Funarj, ganhou visibilidade desde seu lançamento e conquistou 10 prêmios, incluindo uma menção honrosa no Festival Curta Cinema.

 

Marçal Vianna compartilha suas realizações como diretor e roteirista, mencionando seu envolvimento na televisão e projetos anteriores como ‘Neguinho’ e ‘Último Cinema de Rua’. Ele destaca a importância do EncontrArte, uma instituição de capacitação em audiovisual, em sua trajetória, fornecendo a base necessária para trabalhar e viver de cinema.

 

Os editais públicos, como o LAB Curta da Funarj, desempenharam um papel fundamental na viabilização de filmes como ‘Deus Não Deixa’. Marçal Vianna enfatiza que, sem o suporte desses editais, a produção independente de cinema seria inviável para muitos realizadores, especialmente os que não têm acesso a recursos financeiros significativos.

 

O diretor ressalta o papel desses editais na promoção da cultura e na formação de artistas, possibilitando a diversidade de narrativas no cinema brasileiro. Ele destaca a importância de dar oportunidades a realizadores de regiões menos privilegiadas, enriquecendo o cenário cultural do país.

 

Sobre a mensagem que espera transmitir ao público com o curta, Marçal Vianna destaca que busca gerar debate e reflexão sobre o impacto da religião na comunidade LGBT+. Ele enfatiza que cada espectador tira suas próprias conclusões e percebe o filme com base em sua experiência de vida. 


Como realizador, eu não gosto de dizer que tenho uma mensagem, que o filme tem essa mensagem. Acredito que cada um que vê o filme, tira um conhecimento, uma percepção baseada na sua própria vida, na sua própria existência, na sua própria realidade. Mas eu creio que o filme debate justamente essa questão que eu falei anteriormente: o peso da religião sobre a comunidade LGBTQIAPN+, a questão da fé, o porquê um homossexual não pode ter a sua própria fé. A gente usa o Miguel para falar de um tema universal, mas eu acho que a questão ali é o debate sobre o impacto que a religião causa, que os dogmas da religião, que as pregações da religião impactam na vida das pessoas’, explica.

 

A seleção de ‘Deus Não Deixa’ para o Festival LesGaiCineMad em Madri é um marco na carreira do filme e do diretor. Marçal Vianna expressa sua satisfação em levar a discussão de um personagem de bairro de Nova Iguaçu, da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, para a Espanha, considerando uma vitória pessoal como realizador. Ele destaca que faz filmes para serem assistidos e celebrados, e a participação em festivais internacionais é uma oportunidade única de levar a história de Miguel para plateias ao redor do mundo.

 

Ao abordar questões profundas de identidade, fé e aceitação, ‘Deus Não Deixa’ continua a ecoar suas mensagens além-fronteiras, destacando-se não apenas como uma obra cinematográfica, mas como um agente de mudança e reflexão na sociedade contemporânea. A seleção para o Festival LesGaiCineMad é um testemunho do impacto e relevância do filme em um cenário internacional, contribuindo para a promoção do cinema brasileiro e ampliando o diálogo sobre questões cruciais de identidade de gênero e fé.

 

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