• Pimenta Rosa

Grupo Gay da Bahia entrega o Troféu Triângulo Rosa a defensores LGBT

Além do troféu, que desde 1991 é considerado o Oscar Gay, foram escolhidos também as personalidades do Troféu Pau de Sebo, voltado a discriminadores e homofóbicos



Desde 1991, seguindo a trilha do Oscar de Hollywood, o Grupo Gay da Bahia, entidade de utilidade pública municipal de Salvador, divulga pelo 30º ano consecutivo, o OSCAR GAY, premiando com o Troféu Triângulo Rosa as personalidades e instituições que em 2020 deram maior apoio aos direitos humanos dos LGBT+, outorgando o Troféu Pau de Sebo, aos inimigos dos gays, lésbicas e transgêneros.


O Troféu Triângulo Rosa relembra o distintivo utilizado pelos nazistas nos campos de concentração para identificar os prisioneiros homossexuais: mais de 300 mil gays foram presos por Hitler por serem “schwul”, viados. Desde então o Triângulo Rosa tornou-se o símbolo internacional do orgulho LGBT+. Pelo segundo ano, participaram da seleção dos premiados além do Grupo Gay da Bahia, o Grupo Dignidade de Curitiba e a Aliança Nacional LGBTI+, contando com assessoria de militantes gays de diversos estados.


Quanto ao Troféu Pau de Sebo, o jornalista Marcelo Cerqueira, Presidente do Grupo Gay da Bahia, explica o sentido.


'Aproveitamos uma tradição irreverente do folclore brasileiro para mostrar o ridículo de ser inimigo dos LGBT+. Por mais que queiram espezinhar os gays e destruir o movimento de libertação LGBT+, nunca chegam a seu objetivo, caindo e se lambuzando no pau de sebo da intolerância. Mesmo que esperneiem, aumenta a cada ano o número dos LGBT+ assumidos e o apoio dos simpatizantes, além das vitoriosas garantias legais a favor de nossa cidadania'.


Segundo o historiador Luiz Mott, Decano do Movimento Homossexual Brasileiro, neste ano, infelizmente, coube pela terceira vez a um Presidente da República destaque dentre os que pisaram na bola da cidadania LGBT+. Jair Bolsonaro, que no ano anterior associou típico guaraná cor de rosa do Maranhão aos ser “boiola”, utilizou agora uma expressão homofóbica para criticar a necessária cautela na prevenção do Coronavirus, ao dizer que “o Brasil é um país de maricas”! Em 2019 o Presidente disse ser “equivocada a decisão do STF de criminalizar a homofobia’, fazendo também declaração internacional contra o turismo de gays ao nosso país.


Quanto ao Troféu Triângulo Rosa, na opinião do Dr.Toni Reis, fundador do Grupo Dignidade de Curitiba e da Aliança Nacional LGBTI+, é de grande importância para dar visibilidade ao trabalho em prol do respeito e dignidade.


'Consideramos de fundamental importância parabenizar as pessoas e instituições que apoiaram a agenda do Movimento LGBTI+ por incentivarem outros vips e entidades a entrar nessa luta cidadã. Também é crucial apontar e fazer a crítica, a partir de falas, fatos e evidências concretas, daqueles que discriminam nosso segmento. Por isso o Oscar Gay persiste há três décadas construindo cidadania e fazendo história no Brasil! E conhecereis a verdade e a verdade vos liberará…'


Ao todo foram contemplados 32 troféus dedicado aos amigos da comunidade LGBT, destacando-se políticos e órgãos públicos de 10 Estados, liderando São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Nesse torneio ocuparam os três primeiros lugares o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil de São Paulo, incluindo também o Governador de Alagoas, o Prefeito de Belo Horizonte e a Arquidiocese do Rio de Janeiro. Alvissareiro o número crescente de padres católicos apoiando os direitos humanos dos LGBT+, segundo os organizadores.


23 instituições e personalidades receberam o Troféu Pau de Sebo devido a sua oposição à cidadania LGBT, observando-se a mesma predominância de São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo também Bahia, Paraná, Paraíba e Minas Gerais. Ocuparam os primeiros lugares, além do reincidente Presidente Bolsonaro, seu ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o Bispo auxiliar de São Paulo, o jogador Neymar e uma dezena de evangélicos entre artistas, políticos e pastores, ostensivamente homotransfóbicos.

De acordo com o último Relatório de Homicídios e Suicídios de LGBT+, em 2020 registraram-se 237 mortes violentas no Brasil motivadas pela homotransfobia.

Os diplomas Triângulo Rosa e Pau de Sebo são enviados pelo correio aos indicados.


Troféu Triangulo Rosa para os amigos dos LGBT+


1. Supremo Tribunal Federal por ter considerado inconstitucional proibir a discussão de gênero nas escolas e derrubar portaria do Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde que proibia a doação de sangue por homossexuais;


2. Ministério Público de São Paulo, pela criação do GECRADI, Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância, reconhecendo a homofobia como crime de racismo; Defensoria pública do Estado de São Paulo, por condenar Canal Mundo Canibal por homotransfobia;


3. Polícia civil de São Paulo por proibir aos policiais emitir ou compartilhar mensagens que desrespeitem a cidadania LGBT;


4. Governador de Alagoas, Renan Filho, pela criação da Delegacia de combate a crimes contra população mais vulneráveis, incluindo LGBT; Senador Fabiano Contarato, Deputado David Miranda e produtor Igor Albuquerque, pela iluminação do Congresso Nacional com as cores do arco-íris no dia 28 de Julho, Dia do Orgulho Gay; Deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), por defender cota de 10% obrigatória para LGBT em eleições; Deputada Tereza Nelma (PSDB\AL) pela realização da Audiência Pública sobre envelhecimento da população LGBT; Deputado Isaltino Nascimento e da Assembleia Legislativa de Pernambuco pela indicação do militante gay Sandro Cipriano como Patrono da Causa da Diversidade de Pernambuco; Deputado distrital Chico Vigilante e ativista Marcos Silva, pela inclusão da Parada do Orgulho LGBT de Brasília no calendário oficial de eventos do Distrito Federal; Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD-MG), o primeiro a participar da Parada Gay de Belo Horizonte e por condenar homofóbicos no programa Roda Viva; PSOL do Distrito Federal, por derrubar o decreto legislativo que invalidava a punição de discriminação por orientação sexual; Câmara Municipal de Bonito, MS, por vedar a nomeação de pessoas condenadas por crimes motivados também por homofobia e transfobia; Prefeita Maria Izalta da Silva Lopes, de Ibirajuba/PE, pela criação do Conselho Municipal LGBT;


5. Juiz Sandro Lucio Pitassi, do Rio de Janeiro, por condenar ao ex-secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, Pastor Ezequiel Teixeira, defensor da cura gay e por associar a homossexualidade a Aids e ao câncer;


6. Arquidiocese do Rio de Janeiro por colaborar com a Prefeitura na busca de abrigo para pessoas trans sem teto; Padre Fabio de Mello, Taubaté, SP, por defender a união civil de casais gays: “É uma questão de justiça”; Padre Julião Lancellotti, SP, por divulgar vídeo pedindo perdão pela LGBTfobia da Igreja Católica; Padre Juarez de Castro, da Igreja da Assunção, de SP, por condenar declarações homofóbicas da pastora Ana Paula Valadão;


7. Perfumaria Natura por veicular imagem do homem trans Thammy Miranda e seu filho bebê na publicidade do dia dos pais; Empresa Havaianas, por incluir o símbolo gay do arco-íris nas suas sandálias; Casas Bahia, pela incorporação de um casal gay na campanha “Nossa Casa é o Brasil, nossa causa o Brasileiro”;


8. Latam Brasil, por suspender decolagem e acionar a Polícia Federal para proceder contra passageiro que chamou comissário de “viadinho e bosta”; Canal Brasil por dedicar robusta programação especial comemorativa do Mês do Orgulho LGBT;


9. Universidade Federal de Santa Maria, RS, por condenar e investigar o ataque homofóbico contra pesquisa de aluno sobre homotransfobia; UniAraguaia pelo convênio com a Aliança LGBTI+ disponibilizando 100 bolsas integrais para população LGBT; Federação Catarinense de Futebol por receber na sua sede em Camboriú, delegação da Aliança Nacional LGBT para implantar orientações aos jogadores e dirigentes contra a homofobia; Delegacia Regional de Vila Velha, ES, por prender e investigar mulher que insultou casal gay;


10. Atriz Vera Holtz, por rebater insultos homofóbicos do pastor Silas Malafaia: “Safadeza não é beijo gay. Safadeza é fazer lavagem de dinheiro e conseguir bens usando a fé”; Repórter Fábio Turci, da TV Globo, por celebrar o Dia Internacional do Orgulho Gay em sua página no Instagram; Ator Marcos Caruso, o Leleco da Avenida Brasil, por assumir-se bissexual em live;



Troféu Pau de Sebo para os inimigos


1. Presidente Jair Bolsonaro, por utilizar termo homofóbico ao dizer depreciativamente que “o Brasil é um país de maricas”; Ministro da Educação Pastor Milton Ribeiro, por declarar que “homossexualismo é causado pela existência de famílias desajustadas”;


2. Deputada estadual Marta Costa (PSD\SP), da Assembleia de Deus, por projeto de lei proibindo publicidade contendo “alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionado a crianças”; Deputado Leo Motta (PSL-MG), pastor evangélico, por negar o direito ao batismo e demais cerimônias religiosas a LGBTs e seus filhos;


3. Câmara e Prefeito de Campina Grande, PB, por sancionar lei que restringe o uso dos sanitários e vestiários escolares exclusivamente de acordo com o sexo biológico de cada indivíduo; Vereador evangélico Sérgio Nogueira, de Dourados (PSB-MS), por pleitear o confinamento de gays numa ilha por 50 anos; Vereador Alexandre Aleluia (DEM-Salvador), por tentar revogar a Lei que pune a LGBTfobia em estabelecimentos de Salvador; Vereador Douglas Gomes (PTC\Niterói), por ataques transfóbicos contra a vereadora trans Benny Briolly (PSOL\Niteroi, RJ); Vereador Donaldo Seling, de Maripá, PR, por suas ofensas homofóbicas nas redes sociais contra o ator Paulo Gustavo e viúvo;


4. Procurador Caio Augusto Limongi Gasparini, de São Paulo, por destilar ódio homofóbico nas redes sociais associando os gays à pedofilia;


5. Ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, por declarar que “sexo gay é sujo, sádico, sem glamour”, chamando o Governador Doria e Prefeito Covas de “bando de alces” e aos Ministros do STF, Luís Roberto Barroso de “Lulu boca de veludo” e Edson Fachin de “Carmen Miranda”;


6. Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo D. Jorge Pierozan, por negar o direito aos casais LGBT de adotar crianças; Colégio Pio XI, Rio de Janeiro, por discriminar dois alunos, recusando o uso do nome social a uma trans e chamando um gay de efeminado; Pastor Silas Malafaia pelo crime de injúria qualificada de transfobia ao criticar e promover o boicote da empresa de cosméticos Natura por ter contratado o ator transgênero Thamy Miranda para a campanha do Dia dos Pais; Pastor Aijalon Berto, de Igarassu, PE, pelas ofensas nas redes sociais contra a militante transexual Nattasha Vlasak;


7. Jogador Neymar Junior, do Paris Saint Germain, por ofensas homofóbicas contra o namorado de sua mãe, o modelo Thiago Ramos, referindo-se a seu padrasto com os termos “viadinho”, “da c* do car**lho”; Cantor Netinho da Bahia, por insultos à comunidade LGBT; e apresentador Carlinhos Mendigo por declarações discriminatórias contra a publicidade da Natura no dia dos pais com imagens do homem-trans Thammy Miranda; Cantora gospel e pastora Ana Paula Valadão da Rede Super e o cantor André Valadão, da Igreja Batista de Belo Horizonte, por associarem a homossexualidade ao pecado e ao surgimento da Aids; Dupla sertaneja Pedro Motta e Henrique, pela música Lili, condenada pela comunidade trans por mensagens transfóbicas;


8. Canal Mundo Canibal de São Paulo, por divulgar vídeos homofóbicos, transfóbicos e machistas, foi condenado em 80 mil reais pelo Tribunal de Justiça de São Paulo; Apresentador Emilio Surita, do Pânico da Jovem Pan, por expulsar de casa o filho Eric após revelar-se bissexual; Sikera Júnior, apresentador da Rede TV, condenado por graves insultos contra a modelo trans que representou Jesus crucificado na Parada LGBT de São Paulo;


9. Hackers que invadiram com imagens e mensagens nazistas, discriminatórias e pornográficas o “Seminário Voto com orgulho”, da Aliança Nacional LGBTI+ de Curitiba;


10. Bióloga Rumanelly Reis, de João Pessoa, PB, por chamar os LGBT de aberração e pervertidos, sendo condenada pela Defensoria Pública do Estado.

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