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Indonésia convoca embaixador da Grã-Bretanha após furor sobre bandeira LGBTQIA+

A bandeira foi hasteada para marcar o Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia



A Indonésia convocou o embaixador do Reino Unido nesta segunda-feira (23/5) para explicar o hasteamento da bandeira LGBTQIA+ em sua embaixada e pediu que missões estrangeiras respeitem as 'sensibilidades' locais após uma reação entre conservadores. Exceto na província de Aceh, governada pela sharia, a homossexualidade não é ilegal na Indonésia, o maior país de maioria muçulmana do mundo, embora seja geralmente considerado um tabu.


A bandeira LGBT foi hasteada ao lado da britânica na embaixada do país em Jacarta no dia 17 de maio, para marcar o Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia, de acordo com um post no Instagram da embaixada. A Alumni 212 Brotherhood, um influente movimento islâmico conservador, disse em um comunicado que a bandeira maculava os 'valores sagrados da Indonésia'. Teuku Faizasyah, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, confirmou que o embaixador britânico Owen Jenkins foi convocado.


'O Ministério das Relações Exteriores lembra aos representantes estrangeiros que respeitem as sensibilidades entre os indonésios em assuntos relevantes para sua cultura, religião e crença', disse ele.


Conforme reportagem da Reuters, um porta-voz da embaixada britânica não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Faizasyah disse que, embora uma embaixada seja um território soberano, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas estipula que apenas a bandeira dessa nação pode ser hasteada.


A Indonésia está se tornando menos tolerante com sua comunidade LGBT à medida que alguns políticos se tornam mais expressivos sobre o Islã desempenhar um papel maior no Estado, de acordo com ativistas e grupos de direitos humanos.


Uma pesquisa de 2020 do Pew Research Center também mostrou que 80% dos indonésios acreditam que a homossexualidade 'não deve ser aceita pela sociedade'.


Na semana passada, o ministro-chefe da segurança da Indonésia disse que uma revisão do código criminal, que está sendo deliberado pelo parlamento, inclui alguns artigos voltados para a comunidade LGBT, uma medida apoiada por alguns legisladores conservadores.

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