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Musical resgata legado apagado dos irmãos Timótheo da Costa em temporada no CCBB Rio

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • 2 de abr.
  • 4 min de leitura

Espetáculo dirigido por Luiz Antonio Pilar revisita a trajetória de dois importantes pintores negros do início do século XX e denuncia o racismo que os silenciou na história da arte brasileira


Foto divulgação: Kessis Sena
Foto divulgação: Kessis Sena

A temporada do espetáculo “Os Irmãos Timótheo da Costa” segue em cartaz até o dia 19 de abril no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, com sessões de quinta a segunda-feira. Em formato de musical, a montagem dirigida por Luiz Antonio Pilar, com dramaturgia de Claudia Valli e direção musical de Muato, propõe um mergulho sensível e crítico na vida e na obra dos irmãos João (1879–1932) e Arthur (1882–1922) Timótheo da Costa — dois artistas negros fundamentais para a cena cultural brasileira das primeiras décadas do século XX, mas historicamente apagados.


A peça, que já passou pelas unidades do CCBB em Belo Horizonte e Brasília em 2025, reafirma o compromisso de resgatar trajetórias invisibilizadas pelo racismo estrutural. Considerados precursores do Modernismo brasileiro, os irmãos enfrentaram o preconceito de uma sociedade marcada pela exclusão racial e tiveram destinos semelhantes: ambos morreram, com dez anos de diferença, internados com diagnóstico de demência paralítica no antigo Hospital dos Alienados, no Rio de Janeiro — o mesmo onde esteve o escritor Lima Barreto, sob a direção do médico Juliano Moreira, referência no combate ao racismo científico.


Em cena, a narrativa é conduzida pela personagem Irene, interpretada por Jeniffer Dias, uma pesquisadora contemporânea que se debruça sobre a história dos irmãos após um contato breve e marcante com seus nomes. Ao longo da investigação, Irene se depara com a escassez de registros e com o silenciamento que marcou a trajetória de tantos artistas negros no período pós-abolição, revelando um Brasil atravessado por desigualdades e pela hipocrisia da Belle Époque carioca.


A montagem mistura realidade e ficção justamente pela falta de documentos históricos sobre a vida dos artistas. O elenco reúne ainda Lucas da Purificação, Luciano Quirino, Pablo Áscoli e Sérgio Kauffmann, que dão corpo a personagens que ajudam a reconstruir esse passado fragmentado.



A trilha sonora é outro destaque do espetáculo, trazendo composições do maestro Henrique Alves de Mesquita, avô dos irmãos Timótheo da Costa. Executadas ao vivo, as músicas ganham novas camadas com letras inéditas e arranjos que dialogam com a narrativa cênica, sob a condução de Muato, vencedor do Prêmio Shell 2024.

Com quase quatro décadas de carreira, Claudia Valli destaca que o esquecimento é uma das formas mais cruéis de apagamento. Para ela, trazer essas histórias ao palco é um ato político e necessário. “O esquecimento nos trata como se nunca tivéssemos sido”, afirma a dramaturga, ao ressaltar a urgência de revisitar nomes fundamentais que foram excluídos da memória oficial.


Já o diretor Luiz Antonio Pilar reforça que o espetáculo integra uma trajetória dedicada a narrativas decoloniais e à valorização de personalidades negras. Segundo ele, a proposta não é vitimizar, mas investigar e reafirmar o legado desses artistas. “São histórias que ecoam até hoje e revelam que o racismo atravessa gerações, mas também que há resistência e memória”, pontua.


Ao abordar o contexto social do Brasil pós-abolição, a peça estabelece um diálogo direto com o presente, evidenciando que o racismo e o apagamento ainda persistem. Ao mesmo tempo, reafirma a importância da memória como ferramenta de reconstrução histórica e de fortalecimento da autoestima da população negra.


Apresentado pelo Ministério da Cultura e com patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Rouanet, “Os Irmãos Timótheo da Costa” convida o público a revisitar o passado para compreender o presente e, sobretudo, para reconhecer que há um legado negro fundamental na construção da cultura brasileira.




Ficha técnica:

Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil

Diretor de Produção e Artístico: Luiz Antonio Pilar

Assistente de Direção: Estela Silva

Dramaturgia: Cláudia Valli

Elenco

Jeniffer Dias

Luciano Quirino

Lucas da Purificação

Sergio Kauffmann

Pablo Áscoli

Atriz stand in: Estela Silva 

Produção Executiva: Thaís Cairo 

Direção Musical e Composições Originais: Muato

Figurinista: Rute Alves

Cenógrafo: Cachalote Mattos

Iluminador: Daniela Sanchez

Vídeo Designer: Plínio Hit

Projeção Mapeada: Alan de Souza

Designer de Som: Vilson Almeida

Músicas de Henrique Alves de Mesquita

Interpretadas pelo Art Metal Quinteto

Trompete: Jessé Sadoc

Trompete: Wellington Moura

Trompa: Antonio Augusto

Trombone: João Luiz Areias

Tuba: Eliezer Rodrigues

Músicos Instrumentistas

Felipe Oládelè

Márcio Sorriso

Muato

Assistente de Produção: Sandro Carvalho

Preparador Vocal: Pedro Lima

Preparador Corporal: Estela Silva

Equipe de Cenografia

Assistente de Cenografia: Joyce Oliveira

Assistente de Cenografia: Leandro Mattos

Cenotécnico: Marcos Souza

Contrarregra: Felipe Mattos

Contrarregra de Cena: Sandro Carvalho e Feliphe Afonso 

Equipe de Figurino

Assistente de Figurino: Ana Silva

Alfaiate: Leonardo Ramos e Alex Leal

Costura: Emerson Viana, Joanice Penna e Darlan Kroger

Visagista: Andrea Bordadagua

Chapelaria: Denis Linhares

Camareira: Erika dos Santos 

Operador de Multimídia: Alan de Souza

Operador de som: Moisés Cardoso 

Operador de luz: Guilherme Trindade 

Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha

Fotografia Artística: Luiz Antonio Pilar e Plínio Hit

Fotografia de cena: Kessis Sena

Designer Gráfico: Pedro Pessanha

Coordenador de Mídias para Internet: Mozart Jardim

Realização: Governo do Brasil e CCBB




SERVIÇO:

“Os Irmãos Timótheo da Costa”

Temporada:  de 19/03 a 19/04 de 2026

Horário: Quinta, sexta, sábado e segunda, às 19h. Domingo, às 18h.

Duração: 90 min.

Local: Teatro I - térreo

Centro Cultural Banco do Brasil  

Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro - RJ  

Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br   

Mais informações em bb.com.br/cultura

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Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis no site bb.com.br/cultura, e na bilheteria do CCBB RJ.

Classificação indicativa: 12 anos

 

 

 
 
 

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