• Pimenta Rosa

O que leva pessoas a terem discurso homofóbico e como trabalhar essa questão?

Sexóloga afirma que o que incomoda as pessoas é a felicidade do outro, enquanto advogada alerta que homofobia é crime e 'opinião' em rede social pode ser punida



O que leva pessoas a discriminarem? No final de outubro tivemos dois casos que mostraram a face oculta da discriminação, do preconceito. Um motorista de ônibus do Rio de Janeiro teve de rebater, de forma divertida, o discurso discriminatório de uma passageira, que lhe perguntou como ele, sendo gay, podia dirigir ônibus. Depois da repercussão, Leandro Miranda contou que vai pedir para fazerem um crachá 'motorista gay', porque muitas pessoas passaram a viajar com ela apenas para perguntar a ele se era realidade ou apenas uma brincadeira.


Já o jogador de vôlei do Minas Tênis Clube, Maurício Souza, comentou nas redes sociais sobre a informação de que o novo Superman, Joe Kent, filho de Clark Kent, vai se assumir bissexual na edição que estará nas bancas no próximo dia 09 de Novembro. Nas redes sociais ele fez uma postagem onde reclamava da decisão e postou uma foto do de Clark Kent beijando a Mulher Maravilha, ao ser desligado do clube e receber a informação de que também estaria fora da seleção brasileira,


A psicóloga, pós-graduada em Sexologia, Roberta Massot acredita que a felicidade dos outros é o que

incomoda aqueles que não conseguem viver em plenitude. Ela, no entanto, lembra que homofobia é crime, ao explicar que o Brasil é o país qie mais mata homossexuais no mundo. Com isso, frisou, o discurso de uma pessoa pode levar a morte de outros.


'Não acho que é a sexualidade que incomoda. O que incomoda na verdade as pessoas, é verem as outras felizes, livres e realizadas', explicou Roberta Massot.



A advogada Michelle Vargas, especialista em direito antidiscriminatório, reforça as palavras da sexológa e reitera que homofobia é crime. Ela discorda que a sociedade brasileira seja conservadora, mas, antes, discriminatória e preconceituosa, seja pela raça ou pela sexualidade.

'Os dois casos, tanto o do atleta Maurício Souza, quanto o do motorista de ônibus deixa claro que o preconceito está arraigado, que as pessoas se acham no direito de pensar que o outro é inferior por sua cor ou orientação sexual e colocar sua opinião desmerecendo a outra pessoa', afirmou Michelle.


E ela complementou que aqueles que acreditam estar amparados pelas redes, ao postar posições que discriminem outros e discursos de ódio, estão cometendo crime. Podem ser enquadrados por injúria. É importante que as pessoas que se sentirem ofendidas façam um registro de ocorrência, para que os culpados possam ser levados à Justiça. O crime de injúria tem previsão de prisão de um a três anos, além do pagamento de multa, enquanto se o caso ainda for apontado como racismo, a pena pode ir até cinco anos e é imprescritível.


Ambas acreditam que a forma de se combater é através da informação. Roberta Massot lembra que a Homossexualidade não é uma doença, como muitos acreditavam há 30 anos, e as pessoas precisam respeitar o direito do outro, ter empatia.

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