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Para 57% dos profissionais LGBTQIA+, preocupação com diversidade e inclusão é apenas discurso

Pesquisa feita pelo Infojobs mostra que 67% dos entrevistados pertencentes a comunidade LGBTQIA+ já sofreram preconceito nos processos seletivos



Apesar de ser um tema muito discutido nos dias atuais, o real panorama de inclusão da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho ainda é uma incógnita. Pesquisa realizada pelo Infojobs, empresa de soluções de tecnologia para RH, mostra que para 57,6% dos profissionais pertencentes a esse grupo, a preocupação com diversidade e inclusão é apenas um discurso de marketing das empresas.

Já, de acordo com as experiências particulares, 34,7% afirmam que as ações são, na verdade, uma junção do discurso de marketing com uma preocupação genuína e apenas 7,6% destacam como uma dedicação verdadeira das empresas.

O estudo contou com a participação de 1.991 pessoas, onde 42,6% se considera parte do grupo LGBTQIA+. Embora 78% dos respondentes tenham informado que nunca foram questionados a respeito da sua sexualidade nos processos seletivos, quando o recorte é feito com o grupo LGBTQIA+, 50% reiteram o contrário.

O levantamento revela ainda que apenas 3,8% dizem que os processos seletivos são 'muito inclusivos', em relação a questões de gênero ou orientação sexual. Ao contrário disso, 47% consideram 'pouco inclusivo' e 9,7% 'nada inclusivo''. Como prova disso, 67% dos entrevistados pertencentes a comunidade LGBTQIA+ reiteraram já terem sofrido preconceito na etapa de recrutamento.

Quando questionados se pertencer ao grupo LGBTQIA+ dificulta a colocação no mercado de trabalho, 82% respondeu que 'sim' ou 'às vezes'. De modo que quase 95% entende que existe, dentro das empresas, preconceitos velados que atuam como barreiras externas para seu crescimento profissional.

Não à toa, analisando os dados da pesquisa, foi constatado que 82% dos participantes não trabalham ou já trabalharam em empresas com programas específicos para contratação de profissionais LGBTQIA+ e desenvolvimento da equipe para inclusão.

Ainda dentro desse cenário, 45% dos entrevistados disseram que já sofreram algum tipo de discriminação sexual no ambiente de trabalho. Porém, somente 17% reportou para um superior, enquanto 68% teve receio de levar o caso adiante e omitiu a situação.

Tecnologia na construção de um cenário mais diverso

Embora esteja claro a importância da diversidade, não faz muito tempo que o tema começou a chamar a atenção das empresas. Por isso, para auxiliar nesse processo, Ana Paula Prado, CEO do Infojobs, reforça que o recrutamento pode ser o espaço inicial dessa mudança, principalmente contando com a tecnologia para eliminar os vieses inconscientes.

Não obstante, a tecnologia foi vista por 93% dos entrevistados como uma das soluções para auxiliar na promoção de um processo seletivo mais inclusivo. Exemplo disso é o recrutamento às cegas, que avalia somente as habilidades técnicas e comportamentais do candidato, sem informações que ressaltem outras condições físicas ou pessoais, e proporciona a contratação de perfis mais diversos.

'Em virtude da diversidade de pensamentos, vivências e habilidades, as empresas são capazes de compor equipes que quebram barreiras limitantes e impulsionam novas soluções. Além disso, a pluralidade no ambiente de trabalho traz experiências únicas e uma variedade de soft skills, altamente valorizadas nos dias de hoje', pontua a CEO.

Entre as outras pessoas que participaram do levantamento, e não fazem parte do grupo LGBTQIA+, 73% disse que a diversidade de gênero e orientação sexual não é ou foi um pilar das empresas que atuaram. Por fim, 65% dos profissionais heterossexuais e/ou cisgêneros também acreditam que ainda exista preconceito velado com profissionais LGBTQIA+ dentro das empresas.

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