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PGR denuncia ministro da Educação ao Supremo Tribunal Federal por homofobia

Ministro Milton Ribeiro disse ao jornal O Estado de São Paulo, em 2020, que jovens homossexuais são 'fruto de famílias desajustadas'



A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta segunda-feira (31/01) o ministro da Educação, Milton Ribeiro, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por homofobia. Em 2020, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o ministro afirmou que 'jovens homossexuais são fruto de famílias desajustadas'. Caberá agora ao ministro Dias Toffoli, do Supremo, relatar o caso e levar à Corte para que se decida se Milton Ribeiro vira réu.


'Ao afirmar que adolescentes homossexuais procedem de famílias desajustadas, o denunciado discrimina jovens por sua orientação sexual e preconceituosamente desqualifica as famílias em que foram criados, afirmando serem desajustadas, isto é, fora do campo do justo curso da ordem social', disse o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros.


Pelo entendimento da PGR, quando o ministro desqualifica os jovens, afeta também suas famílias. A denúncia reforça que, quando uma pessoa pública, em posição de poder, como no caso de ministros de Estado, faz afirmações equivocadas, acaba induzindo parte da sociedade a ter atitude violenta contra a comunidade LGBTQIA+.


O vice-procurador-geral disse que a Advocacia Geral da União (AGU), responsável por defender os ministros, recusou qualquer tipo de acordo, frisando que, na ocasião, Milton Ribeiro afirmou, em nota, que seu discurso foi retirado do contexto. Agora é aguardar a decisão da Corte do STF para saber se o ministro da Educação será considerado culpado, ou não.


A fala do ministro


'Acho que o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic) tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe', disse o ministro. Ribeiro argumentou ainda que a orientação sexual de uma pessoa pode ser opcional: 'Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato, e caminhar por aí. São questões de valores e princípios'.

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