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Policiais de Nova York ainda esperam a reversão da decisão de baní-los da Pride

Segundo a vice-presidente da Liga de Policiais LGBTQI+, a sargento da Polícia de Nova York, Ana Arboleda, atitudes como a do prefeito Bill de Blasio são importantes à causa



Ao contrário do Brasil, onde ainda há muita discriminação, a Polícia de Nova York possui, desde a década de 1980 a Liga de Policiais Homossexuais (GOAL NY, da sigla em inglês), que trabalha como ponte entre a comunidade LGBTQIA+ e os órgãos policiais. Personagens icônica da Parada do Orgulho LGBT+ de Nova York, esse ano os organizadores do evento, a Heritage of Hope (HOP) decidiu banir, até 2025, a presença dos policiais.


Segundo a HOP, diante de eventos de violência contra negros e outras minorias, em diversos estados, eles temem que a presença de policiais fardados possam criar algum constrangimento. A decisão criou um problema dentro da própria entidade, uma vez que parte da diretoria tentou derrubar a decisão, sem sucesso. Diante disso, alguns membros da HOP disseram que deixariam a entidade, caso não houvesse uma revisão da decisão, mas nada foi feito até agora, nem de um lado, nem de outro.


Para tentar chamar a atenção da população para o caso, diversos especialistas em segurança e membros da comunidade LGBTQIA+ publicaram artigos em jornais criticando a situação e dizendo que trata-se de discriminação. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, foi à imprensa afirmar que tal atitude é 'lamentável' e que esperava uma reconsideração do caso.


Em entrevista exclusiva ao Pimenta Rosa, a sargento Ana Arboleda, da área de Equidade e Inclusão da Polícia de Nova York e vice presidente da GOAL NY, fala do orgulho de ser policial e da expectativa em relação a uma mudança de atitude por parte da HOP.


Pimenta Rosa - Como surgiu a GOAL NY?


Ana Arboleda - Em 1981 a cidade de Nova York decidiu ciar leis contra a discriminação homossexual e o nosso fundador, o sargento Charles Henry Cochrane Jr depôs a favor da nova legislação, declarando-se homossexual. A partir desse momento, ele criou as fundações da GOAL. A decisão de formar a GOAL é uma parte importante da história LGBTQ. Esta decisão não foi uma forma de preconceito, mas sim enraizada no desejo de apoiar os membros LGBTQ da aplicação da lei e sentir orgulho de ser gay e igualmente orgulhoso de ser policial.


Pimenta Rosa - Qual a missão da GOAL?


Ana Arboleda - A missão da GOAL é apoiar membros LGBTQIA+ ativos e aposentados (aqueles que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexuais e assexuais). A missão da GOAL é também promover e apoiar boas relações entre a comunidade LGBTQIA+ e as autoridades policiais. A importância de participar da Parada do Orgulho de Nova York é celebrar nossa missão e realizações que lutamos para alcançar ao longo de muitos anos. Em 1996, os membros do GOAL puderam se juntar à marcha do orgulho em uniforme de gala. Este marco foi conquistado através das muitas lutas dos membros do GOAL pela igualdade. É importante que os membros da GOAL continuem visíveis, assim como se conectem, apoiem e aprimorem as relações com a comunidade. Os oficiais dão as boas-vindas e convidam outros oficiais de diferentes países e estados para marchar junto, especialmente aqueles que não têm permissão para marchar uniformizados em suas próprias cidades ou países. O ato de os policiais marcharem em desfile, uniformizados, uma experiência orgulhosa e significativa para os associados, é um símbolo no combate à desigualdade e um marco importante que deve continuar a ser comemorado.


Pimenta Rosa - Qual a expectativa da GOAL em relação a decisão da HOP?


Ana Arboleda - Neste momento, GOAL espera a possibilidade de reverter a decisão dos organizadores do Orgulho de Nova York. Apesar da decisão, a GOAL continuará a trabalhar incansavelmente para fomentar e promover mudanças dentro da NYPD e construir a ponte entre a comunidade LGBTQIA+ e a aplicação da lei.


Pimenta Rosa - Na sua opinião, como construir um futuro mais diverso e inclusivo?


Ana Arboleda - Devemos continuar a educar os membros da comunidade para reduzir o medo e o preconceito contra os membros da comunidade LGBTQIA+. Quanto mais visíveis nossos membros são e quanto mais lutamos pela igualdade, mais aceitação obteremos de nossas famílias, comunidades e locais de trabalho.

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