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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Sanofi lança o primeiro programa global de bolsas de estudos para estudantes de grupos minorizados

Foco do projeto da empresa francesa é em estudantes que estão investindo na área da Saúde



A farmacêutica francesa Sanofi anunciou durante a 53ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o lançamento do programa Bolsa Sanofi Geração do Futuro, seu primeiro programa global de bolsas de estudo de educação superior na área de saúde destinado a pessoas de diversos grupos sub-representados.

O programa ajudará a pagar mensalidades e outras despesas em instituições de ensino superior para estudantes que fazem parte de grupos étnicos minorizados -- como pessoas negras, no Brasil, mulheres, pessoas com deficiência e membros da comunidade LGBTQIAP+ que desejam seguir carreiras como médicos, enfermeiros, cientistas, pesquisadores e outras profissões relacionadas à saúde humana.

Lançado este ano no Brasil, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, o programa trabalhará lado a lado com as principais instituições de ensino superior em todo o mundo para identificar anualmente até 100 novos estudantes talentosos de populações sub-representadas para receberem a bolsa. Os alunos poderão se inscrever no programa de bolsas de estudos por meio dos portais das instituições parceiras. Uma vez selecionados, os bolsistas receberão financiamento para cobrir parcialmente os custos de ensino e de despesas pessoais. Além da ajuda financeira, a Sanofi oferecerá aos bolsistas apoio no desenvolvimento, mentoria e oportunidades de estágio, além de potenciais oportunidades de emprego após a formatura. O programa será expandido para outros países nos próximos anos. No Brasil, a divulgação das parcerias com as instituições de ensino superior acontecerá ainda no primeiro semestre de 2023.

O lançamento do programa baseia-se nos resultados de uma pesquisa global sobre a confiança de grupos sub-representados na área de saúde, o primeiro levantamento desse tipo. Encomendada pela Sanofi, a pesquisa mostrou uma diminuição da confiança nos sistemas de saúde entre esses grupos, com quase 75% das pessoas dizendo que tiveram experiências de saúde que prejudicaram sua confiança. A pesquisa destacou que, quando se trata de confiança nos cuidados de saúde, 59% dos pacientes de comunidades sub-representadas gostariam de ter acesso a profissionais de diversas origens.

'Como uma empresa global inovadora de saúde, temos um papel a desempenhar na resposta à situação desestabilizadora em que as populações sub-representadas se encontram quando precisam de cuidados. Nosso objetivo é ajudar a construir uma geração do futuro mais diversa de líderes na área de saúde. Ao trabalhar também para construir confiança por meio de diálogos entre comunidades sub-representadas e partes interessadas na área, podemos ajudar a melhorar o engajamento e o cenário de saúde para todos', afirmou Paul Hudson, CEO da Senofi.

O programa Bolsa Sanofi Geração do Futuro faz parte do 'Um Milhão de Diálogos’ (‘A Million Conversations' em inglês), uma ampla iniciativa da Sanofi que visa criar maior confiança entre as comunidades sub-representadas e partes interessadas com investimentos de 50 milhões de euros na área de saúde até 2030 em todo o mundo. 'Um Milhão de Diálogos' realizará centenas de eventos com os grupos nos cinco primeiros países da iniciativa - Brasil, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. Esses eventos reunirão três grupos: pessoas que sofreram algum tipo de discriminação na área da saúde, representantes de organizações de saúde locais (incluindo governos e organizações sem fins lucrativos) e colaboradores da Sanofi, com o objetivo de influenciar políticas públicas e mudar atitudes dentro do setor de saúde como um todo. Os participantes também realizarão mais pesquisas sobre as causas da "falta de confiança" com o propósito de mudar esse cenário. A Sanofi vai capturar histórias e soluções viáveis em um relatório anual de confiança e inclusão que medirá o progresso do projeto em direção à sua meta de 2030. Sobre a pesquisa


A primeira pesquisa global sobre a confiança de vários grupos sub-representados na área da saúde, financiada pela Sanofi e conduzida pela Purpose Union e The BRC, com análise revisada pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, mostrou evidências preocupantes de que a maioria das pessoas de comunidades sub-representadas perdeu a confiança em seus profissionais de saúde devido a experiências negativas do passado.

A pesquisa perguntou a mais de 11.500 pessoas em cinco países (Brasil, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) sobre suas experiências de acesso a tratamento médico, com grandes amostras provenientes de grupos minoritários e sub-representados. A maioria das pessoas desses grupos relatou uma ou mais experiências negativas, levando a níveis mais baixos de confiança. 'Não se sentir ouvido' (37%), 'receber um serviço ruim' (34%) e 'explicações ruins' (33%) foram os principais fatores contribuintes, com um em cada cinco dizendo que se sentia 'indesejável' (20%), 'julgado' (20%) ou 'inseguro' (19%).

No Brasil, pessoas negras e de outros grupos raciais têm mais probabilidade de sentirem-se 'indesejadas’ por um prestador de saúde ou pelo sistema de saúde no geral (23% contra 18% das pessoas brancas), já as pessoas do sexo feminino dizem ter mais dificuldade em receber orientações adequadas e serem ouvidas em comparação aos pares do sexo masculino (38% contra 30%).

De acordo com a pesquisa, 87% das pessoas com alguma deficiência no Brasil disseram ter experiências que prejudicaram sua confiança na área de saúde, contra 77% das pessoas sem deficiência. Para os membros da comunidade LGBTQIAP+ essa diferença foi semelhante (86% contra 77% de seus pares que não fazem parte da comunidade). O mesmo aconteceu com 80% das pessoas de etnias minorizadas, grupo que no Brasil é predominantemente formado pela população negra, contra 77% da população branca.

O estudo também mostrou que essa lacuna de confiança é maior para pessoas que pertencem a mais de um desses grupos. Por exemplo, 90% das pessoas com alguma deficiência e que se identificam como LGBTQIAP+ afirmam que tiveram uma experiência prejudicial à sua em confiança em relação ao sistema de saúde em geral versus 76% das pessoas sem esses antecedentes; os dados se repetem no caso de pessoas de algum grupo étnico minorizado e que se identificam como LGBTQIAP+.

A pesquisa também perguntou aos participantes, no mundo todo, como o sistema de saúde poderia reconquistar essa confiança, com as respostas mais comuns sendo que seus prestadores de serviços de saúde deveriam ser 'mais confiáveis' (79%), 'oferecer o melhor atendimento de qualidade' (77%), ' mais transparentes' (77%) e 'os trataram de forma justa' (77%).


'Essas descobertas são mais um alerta para um sistema de saúde que precisa urgentemente de uma reforma. Acho profundamente preocupante, embora não seja surpreendente, que tantos indivíduos - especialmente aqueles de comunidades minorizadas - tenham perdido a confiança em seus prestadores e no sistema. Para fechar essa perigosa lacuna na saúde, devemos diversificar nossa força de trabalho de saúde para que pessoas de todas as origens possam encontrar prestadores que compreendam suas experiências. Devemos treinar os profissionais para reconhecer e superar preconceitos inconscientes, para se comunicar com clareza e empatia - e, fundamentalmente, para ouvir cuidadosa e respeitosamente os pacientes de todas as origens. Não podemos deixar que persistam as disparidades observadas nesta pesquisa. Essas descobertas gritantes devem estimular a reflexão e impulsionar a mudança', concluiu Michelle A. Williams, reitora da Faculdade de Harvard T.H. Chan School of Public Health..

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