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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Sarau Preto Especial Mulheres celebra Zezé Motta em edição emocionante

Renascença Clube recebe tributo a uma das maiores artistas do Brasil, destacando a força e o legado das mulheres negras através de música, arte e cultura


O Renascença Clube será palco, nos dias 1º e 2 de junho, de um evento único e inspirador: a Segunda Edição do Sarau Preto Especial Mulheres. Idealizado pelo cantor e compositor Mombaça, o evento deste ano homenageará Zezé Motta, figura emblemática da teledramaturgia e da música brasileira, que receberá o troféu Sarau Preto. Em entrevista ao Pimenta Rosa, Mombaça compartilhou que o Sarau Preto surgiu de sua inquietação ao frequentar saraus onde ele era frequentemente o único negro presente, e sobre a sua necessidade de criar um espaço onde a cultura negra fosse celebrada com protagonismo. Leia a íntegra da entrevista:

 

 

O que inspirou a criação do Sarau Preto e qual foi a motivação para esta edição especial dedicada às mulheres?

O Sarau Preto surgiu da minha inquietação ao frequentar saraus onde eu era frequentemente o único negro presente, mesmo na casa de amigos negros. Sentia a necessidade de criar um espaço onde a cultura negra fosse celebrada com protagonismo. Em 2013, convidei Nina Silva para curadoria de literatura e poesia, e iniciamos o Sarau Preto. Desde então, temos integrado música, poesia, dança, artes plásticas, teatro, cinema e rodas de conversa.

 

Quais são os principais objetivos do Sarau Preto?

O Sarau Preto busca manter viva a memória dos que nos antecederam, ao mesmo tempo que aponta para o futuro, proporcionando um espaço para artistas pretos estrearem. É uma plataforma artística contra o racismo, mostrando nossas cores e caras, criando um ambiente de inclusão e celebração da cultura negra.

 

Quem são as figuras já homenageadas?

Homenageamos figuras como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Lupicínio Rodrigues e, recentemente, Gilberto Gil. Em dezembro de 2023, no Museu de Arte do Rio, fizemos um tributo a Gilberto Gil, com participação de Mart’nália e Serjão Loroza, entre outros. Nesta edição será Zezé Motta, uma mulher pioneira e corajosa que desafiou valores e preconceitos, como protagonista do filme 'Xica da Silva'.

 

Como surgiu a ideia de homenagear Zezé Motta? Qual a importância dela para você e para o Sarau Preto?

A ideia de homenagear Zezé Motta surgiu da necessidade de celebrar sua trajetória pioneira e corajosa, que desafiou valores e preconceitos. Zezé é uma figura icônica que inspirou gerações com seu trabalho no cinema e na música, destacando-se como protagonista do filme "Xica da Silva". Para o Sarau Preto, é essencial reconhecer e celebrar mulheres como Zezé Motta, que representam a força e a resistência da cultura negra no Brasil.


Foto divulgação - Alexandros


Qual o impacto esperado da Segunda Edição do Sarau Preto Especial Mulheres - Um Tributo à Zezé  para a comunidade negra, especialmente para as mulheres negras?

O impacto esperado é que a comunidade negra compreenda a importância de estarmos em um espaço tradicionalmente negro, criado para resistência. Estamos também homenageando duas figuras importantes: Dra. Sebastiana Arruda, uma advogada com uma família que ainda está lá, e Dona Anália, mãe de Mart’nália. Essas mulheres potentes enfrentaram sérias dificuldades em um clube predominantemente masculino e resistiram bravamente. Elas serão homenageadas com louvor e reconhecimento por sua importância histórica.

 

Tem como adiantar outras homenagens?

Uma intervenção especial contará a história de Vera do Agbara, a primeira presidente de um bloco afro no Rio de Janeiro. O Agbara Dudu, representado por Elias do Agbara, realizará uma performance com seu grupo artístico completo, incluindo cantores, percussionistas e figurino. Esse grupo cultural faz um trabalho profundo de resgate da nossa questão racial em Madureira.

Este evento representa a continuação da resistência que o movimento negro demonstrava nas décadas de 1970 e 1980. É crucial para nós despertarmos para um novo amanhecer e não nos deixarmos ser pautados pelo sistema. O projeto da nova escravidão continua, e precisamos nos aquilombar para resistir.

 

Qual a importância de eventos como o Sarau Preto no cenário cultural atual do Brasil?

Este evento é diferenciado e não busca arroubos midiáticos. Tem o compromisso de dar voz a pessoas que não têm espaço para se expressar: aquelas que não aparecem no cinema, na televisão, no mundo jurídico ou na academia. Por exemplo, temos Jurema Werneck, uma médica negra e diretora executiva da Anistia Internacional. Precisamos estar perto dessas pessoas e aprender com suas experiências.

 

Após esta edição especial, quais são os planos futuros para o Sarau Preto? Já há alguma próxima edição ou novidade planejada?

Estamos nos envolvendo em todos os editais pretos existentes e os que estão por vir. Temos vários planos futuros: um tributo a Tim Maia, levar o Sarau Preto Tributo a Zezé Motta para São Paulo. Além disso, estamos planejando projetos mirabolantes, como o musical Gilberto Gil. Queremos fazer o Musical Gilberto Gil Sarau Preto circulando pelo Brasil e pelo mundo. Já estamos organizando toda a equipe de direção para levar o Sarau Preto para o mundo, com um foco especial na África. Conhecer o Brasil é conhecer a África, é conhecer nosso berço, de onde viemos.

 

Que mensagem você gostaria de deixar para o público que está planejando participar do evento?

Não vá ao Sarau Preto sozinho. Você que é preto, preta, leve um aliado, leve um branco para ver, leve alguém não-negro para conhecer. Quer ver algo legal? Aproveite o gancho da Zezé Motta, uma pessoa acima do bem e do mal, e chame seu vizinho, colega de faculdade, amiguinho do seu filho na creche, ou a mãe do amiguinho do seu filho. Vamos lá ver, periga da gente encontrar o Lázaro Ramos, Camila Pitanga, Antônio Pitanga, tantas pessoas importantes que estão fazendo coisas legais.

O problema do racismo não é do preto, é do branco. Ele tem que nos ver felizes, cantando, saltitantes, nós por nós. Vamos acabar com essa ideia de que precisamos ir para fora para experimentar a cultura negra. Venha para tomar um banho de cultura de favela consciente. Leve seu vizinho, seu filho, todos são bem-vindos. Vamos quebrar essa barreira juntos e transformar o racismo estrutural no Brasil.

 

 

Qual seria o convite final para aqueles que ainda estão decidindo se vão participar da Segunda Edição do Sarau Preto Especial Mulheres - Um Tributo à Zezé Motta?

Se você não tiver dinheiro, vá assim mesmo. Temos ingressos solidários. Compre a feijoada por R$ 30 e passe uma tarde boa conosco, com seu filho brincando numa área com recriadores. Se você não tiver dinheiro, será acolhido da mesma forma. O importante é estarmos juntos, juntos e misturados. Como diz o ditado: se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá acompanhado. Vamos nos aquilombar e estar juntos. Ubuntu, axé, Sarau Preto, estamos juntos. 


Foto divulgação - João Castellano


Serviço:

Sarau Preto Especial Mulheres - Um Tributo à Zezé Motta

Datas: 01 e 02 de junho

Horário: das 12h às 22h

Local: Renascença Clube - Rua Barão de São Francisco, n° 54 - Andaraí, RJ

Ingressos:

  • Colaborativo - R$ 10,00

  • Com direito à feijoada - R$ 30,00

  • Meia-entrada - R$15,00

Instagram do evento: @saraupretooficial.

Realização: Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Paulo Gustavo.

 Produção: Sarau Preto Produções Artísticas.

Apoio: Renascença Clube, Sobrado 15, Bem-Te-Vi Produções e Mombaça Produções Artísticas.


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