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Secretário Especial de Cultura critica Museu da Língua Portuguesa por 'Todes"

Segundo Mario Frias, o dinheiro público federal não será usado para que agentes públicos brinquem de revolução, para piruetas ideológicas. Museu contestou



Mesmo antes de sua abertura, que acontecerá no próximo sábado (31/07), o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, já está causando. O secretário especial de Cultura, do governo Bolsonaro, Mario Frias, criticou o uso do termo 'Todes', que simboliza o respeito aos não-binários, pessoas que não se identificam com o masculino ou o feminino, e prometeu impedir o uso de recursos federais no espaço.


'O Governo Federal investiu 56 milhões de reais nas obras do Museu da Língua Portuguesa para preservarmos o nosso patrimônio cultural, que depende da preservação da nossa língua. Não aceitarei que esse investimento sirva para que agentes públicos brinquem de revolução. Tomarei medidas para impedir que usem o dinheiro público federal para suas piruetas ideológicas. Se o governo paulista se comporta como militante, vandalizando nossa cultura, não o fará com verba federal',
afirmou o secretário na última sexta-feira.

No documento anunciando a reabertura, o Museu soltou um comunicado mostrando que o lugar está aberto a 'todos, todas e todes os falantes ou não de nosso idioma'. Diante das críticas de Frias, a administração do Museu se pronunciou.


'Desde sua fundação, em 2006, o Museu da Língua Portuguesa se propôs a ser um espaço para a discussão do idioma, suas variações e mudanças incorporadas ao longo do tempo. Sempre na perspectiva de valorizar os falares do cotidiano e observar como eles se relacionam com aspectos socioculturais, sem a pretensão de atuar como instância normatizadora. Nesse sentido, o Museu está aberto a debater todas as questões relacionadas à língua portuguesa, incluindo a linguagem neutra, cuja discussão toca aspectos importantes sobre cidadania, inclusão e diversidade',
dizia a nota.

Assunto já avança pelo país


Nesse momento de retorno de aulas presenciais, deputados bolsonaristas escolheram como meta o combate à linguagem neutra. Em alguns estados, como Santa Catarina, um decreto proíbe seu uso. Outros 13 estados começam a discussão, na tentativa de impedir o uso de termos como 'Todes' ou 'Todxs'.


Estudiosos, entretanto, lembram que essa situação é uma forma de falar que fica restrita a grupos. A mudança da língua precisa ser feita ao longo do tempo, com a transformação do termo em um consenso.


Uma pesquisa da USP publicada em janeiro na publicação científica Nature estima que 1,2% dos brasileiros (quase 2,5 milhões de pessoas) sejam não binários.

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