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Times cariocas celebram Mês do Orgulho LGBTQIA+ e Vasco esgota camisas em 1 hora

Flamengo, Fluminense e Vasco, que jogaram neste domingo, celebraram em seus uniformes o Mês do Orgulho LGBTQIA+ e São Januário teve bandeirinhas arco-íris



Os times cariocas entraram em campo neste domingo celebrando a diversidade e o respeito à comunidade LGBTQIA+. Flamengo, Fluminense e Vasco usaram as cores do arco-íris em seus uniformes, reforçando o trabalho de combate à LGBTfobia nos esportes. O estádio de São Januário, do Vasco da Gama, exibia a palavra Respeito na arquibancada, com o I escrito com as cores da bandeira LGBT e as bandeiras dos corners representavam o movimento.


O primeiro a entrar no campo, o Flamengo, usava a numeração dos jogadores com as cores da bandeira LGBT. Os jogadores garantiram que ações como essas eram importantes para o combate ao preconceito e que tinham orgulho de mostrar que eram contra qualquer tipo de discriminação. As camisas usadas durante o jogo contra o Juventude, em Caxias do Sul, seriam leiloadas, com renda revertida para a Casa Nem, no Rio de Janeiro, e o Movimenta LGBT, em Manaus.


O Fluminense, que jogou de tarde contra o Corinthians, também levava nas costas a numeração com as cores do arco-íris e o capitão usou a camisa 24, normalmente um número banido nos esportes, e a braçadeira era a bandeira LGBTQIA+. No peito, nas cores da bandeira do arco-íris, estava a hashtag #TimedeTodos. O time também leiloará as camisas, pela mesma plataforma do Flamengo, a Play for a Cause, e a renda será revertida para o Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, com sede no Rio de Janeiro.


O último a entrar em campo no domingo, o Vasco da Gama, que enfrentou o Brusque em seu estádio de São Januário, estava com a casa toda vestida com as cores do arco-íris. Além da pintura da letra I da palavra Respeito com as cores da bandeira, eles tinham as bandeiras dos corners em arco-íris e a camisa, que foi colocada à venda a preço sugerido de R$ 269,99, esgotaram em uma hora. O time também soltou um manifesta contra o preconceito no esporte.


'Movimento contra a homofobia e transfobia no esporte brasileiro


O mundo dos esportes não é um espaço que aceite as mudanças com facilidade e leveza. Pudera: o esporte é um reflexo da sociedade que o rodeia e, portanto, reproduz seus estereótipos e práticas, seus valores e preconceitos. Reproduz, enfim, sua inércia.


Mesmo assim, a sociedade muda. E, como reflexo da sociedade em transformação, o futebol também não se mantem imune às suas mudanças. Mas o esporte tem o dever de ir além: o futebol, particularmente, é uma inspiração comum a diversas gerações e deve fazer parte das transformações sociais, rumo a uma sociedade melhor e mais justa.


A homofobia e a transfobia são alguns dos mais graves problemas do nosso tempo e o esporte ainda é, infelizmente, um de seus espaços de mais forte reprodução. O Vasco da Gama assume para si a responsabilidade de se posicionar diante do tema, sem defender aquilo que é cômodo, mas sim aquilo que é correto. O clube será um parceiro daqueles que lutam contra o preconceito relacionado à orientação sexual ou à identidade de gênero de quem quer que seja.


Estamos conscientes de que uma parte das mudanças acontece dentro de nossos próprios muros. Mas estamos dispostos a nos engajar na construção de um Vasco melhor, que reflita o mundo que queremos ver para o futuro próximo: com respeito e dignidade, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero.


Ser parte da mudança - e não do problema - não é simples, já que exige uma mudança de nós mesmos. O Vasco convida clubes, atletas, torcedores, dirigentes, federações e sociedade para um compromisso conjunto de debate acerca da homofobia e da transfobia.


O Vasco de 1923 não aceitou o racismo, naturalizado no século anterior. O Vasco do século XXI se nega a aceitar a homofobia e a transfobia que marcaram o século XX'.

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