Candidatas do PT-RJ denunciam abandono financeiro e falta de repasses do fundo eleitoral
Enquanto campanhas masculinas ultrapassam a marca de R$ 1 milhão, candidaturas femininas, negras, indígenas e LGBTQIAPN+ enfrentam escassez de recursos na reta final.

A forte mobilização do Partido dos Trabalhadores (PT) para eleger suas lideranças majoritárias contrasta com a realidade vivida por candidaturas de grupos sub-representados no Rio de Janeiro. A cinco dias da disputa eleitoral, candidatas dos setoriais feministas, negros, indígenas e LGBTQIAPN+ relatam estar "passando o pires" para conseguir fechar as contas, apontando uma disparidade gritante na distribuição do fundo eleitoral.
O descontentamento já ultrapassou as barreiras internas do partido. Um movimento de advogados de esquerda formalizou denúncias com base em pareceres do Supremo Tribunal Federal (STF). No cenário fluminense, as candidatas Neusa Guarani e Indianarae Siqueira já formalizaram a queixa diretamente no grupo "Mulheres do PT", mas não obtiveram sucesso ou resposta efetiva.
As cifras da disparidade
Os valores recebidos pelas candidatas evidenciam o abismo financeiro em relação aos principais nomes masculinos da legenda:
Indianarae Siqueira (Candidata a Deputada Estadual): recebeu apenas R$ 96 mil, apesar de sua campanha ter sido orçada em R$ 580 mil.
Neuza Guarani: Recebeu R$ 200 mil, valor liberado somente após intensa articulação e cobrança por suas cotas de gênero e representação indígena.
Dani Nunes: Manifestou revolta com a situação e chegou a cogitar a retirada de sua candidatura.
Outras candidatas: Diversas mulheres da nominata receberam valores irrisórios ou apenas materiais de panfletagem. Em contrapartida, outras campanhas do partido receberam repasses que variam entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.
Falta de apoio e segurança
A denúncia ganhou eco nesta segunda-feira (28), durante um evento cultural realizado na Casa 324, que contou com a presença de personalidades da mídia e da política, como Paula Lavigne e Juliana Alves.
Na ocasião, Indianarae Siqueira — que integra uma rede federal de proteção a defensores dos direitos humanos devido ao seu histórico de ativismo — revelou que o PT não cumpriu sequer o pagamento da cota de 30% destinada à segurança. Sem essa verba, a candidata enfrenta dificuldades para custear o transporte seguro e o pessoal de apoio necessários para realizar suas atividades de rua na campanha.
Posicionamento do partido
Até o fechamento desta reportagem e apesar dos inúmeros contatos realizados por nossa equipe de jornalismo, a Secretaria de Comunicação do PT/RJ não respondeu aos questionamentos sobre os critérios de divisão do fundo eleitoral e a falta de repasses denunciada pelas candidatas. O espaço segue aberto para manifestação da legenda.





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