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Espanha testa criptomoeda Maricoin, voltada à comunidade LGBTQIA+

A moeda Maricoin, lançada no bairro gay de Madrid, Chueca, ficou em teste até a última sexta-feira (07/01) e a expectativa é de que novos empreendimentos aceitem a moeda



A proposta é o empoderamento financeiro da comunidade LGBTQIA+. O lançamento foi feito no último dia de 2021 e a moeda passou a circular, a princípio, apenas em Chueca, bairro gay de Madrid, na Espanha, até a última sexta-feira (07/01). O suporte à nova moeda é prestado pela firma de capital de risco Borderless Capital, com sede em Miami, nos Estados Unidos.


Segundo o presidente executivo da empresa, Francisco Alvarez Cano, pelo menos oito mil pessoas fizeram inscrição antecipada ou estão na fila, aguardando a oportunidade de comprar a nova moeda. A expectativa é que, já no primeiro trimestre de 2022, a criptomoeda seja listada nas principais bolsas que oferecem suporte ao Algorand.


O nome dado à moeda vem do termo de origem espanhola maricon utilizado para se referir de maneira ofensiva a homossexuais. A moeda foi lançada em versão de testes envolvendo dez empresas do bairro de Chueca, reduto da comunidade LGBTQIA+ em Madrid, capital da Espanha.


A intenção dos criadores é que a criptomoeda torne-se corrente na comunidade LGBTQIA+ em todo o mundo. Embora neste momento esteja focada em Madrid, ela pode ser utilizada ainda em alguns locais de Barcelona, Ibiza e Maspalomas, na Gran Canária.


'Terá valor como meio de pagamento para qualquer transação ao mesmo tempo que se torna um ativo negociável em bolsa', frisou Alvarez., que adiantou a informação de que em 22 de fevereiro de 2022, a maricoin pretende lançar seu próprio aplicativo e carteira digital para negociar os tokens.


Criada em setembro de 2019 pelo empresário e cabeleireiro Juan Belmonte, a proposta é de usar a moeda para unir o poder de compra da comunidade LGBTQIA+ contra a homofobia na Espanha.


'Já que nós [LGBT+] movemos a economia, por que nossa comunidade não deveria lucrar com isso, em vez de bancos, seguradoras ou grandes empresas que, geralmente, não ajudam pessoas LGBT+?', explicou Belmonte à agência Reuters.


Perfeito para 'pump and dump'


O site da maricoin diz que o ativo já será negociado em exchanges de criptomoedas em fevereiro deste ano. Na tentativa de persuadir o usuário de que o ativo não é uma fraude, ele leva para a página da moeda listada na rede de blockchain Algorand.


Isso leva a algumas pistas sobre as intenções da maricoin. Na verdade, ela não é uma criptomoeda minerada como o bitcoin ou o ether, mas sim um token 100% centralizado que funciona como uma ação do mercado financeiro. Quanto mais ativos você tem, maior o valor da sua fatia do negócio.


Não há informações suficientes para afirmar que a moeda digital é um golpe, mas a mentalidade de "quanto mais eu tenho, mais ela vale" indica um esquema de "pirâmide" comum no mundo dos criptoativos.


Pink Money


Caso seja um esquema, ele tem como alvo um mercado extremamente lucrativo: o LGBTQIA+. Uma pesquisa do banco Credit Suisse aponta que, caso fosse um país, o poder aquisitivo do "pink money" seria a quarta maior economia do mundo, ultrapassando a Alemanha em poder de compra.


Nos Estados Unidos, esse mercado chega a movimentar US$ 1 trilhão, segundo uma pesquisa da Kantar Consulting com a rede social Hornet, voltada para o público LGBTQIA+.

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