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Espetáculo "Agar" resgata personagem ancestral para discutir pertencimento, resistência e direito à existência no Sesc Copacabana

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Montagem inspirada na figura descrita no Corão, na Bíblia e na Torá une teatro, ancestralidade e acessibilidade para refletir sobre identidade, território e direitos dos povos até 26 de julho.



O palco do Sesc Copacabana recebe, até o dia 26 de julho, o espetáculo "Agar", uma montagem que revisita uma das personagens mais antigas das tradições religiosas para provocar reflexões sobre ancestralidade, identidade, território e resistência. Inspirada na figura de Agar, descrita no Corão, na Bíblia e na Torá como mãe de Ismael — considerado o patriarca do povo árabe —, a peça propõe um olhar contemporâneo sobre uma mulher que desafia convenções e luta pelo direito de existir ao lado do filho.


A narrativa acompanha Agar e Ismael durante a travessia do deserto, quando, sem água e alimento, ambos enfrentam a iminência da morte. Em meio à adversidade, a personagem reafirma sua força, guiada pela ancestralidade e pela convicção de que seu filho e seus descendentes têm direito à herança, à memória e ao território. A partir dessa história milenar, o espetáculo estabelece conexões com temas urgentes da atualidade, como o direito dos povos originários e das comunidades tradicionais à preservação de seus espaços e de suas culturas.


No elenco, Tatiana Henrique interpreta Agar, Hebert Said vive Ismael e Sheila Martins dá vida à personagem DeusA. Para os artistas, a obra reforça que todos os povos têm o direito de existir e de preservar suas formas de vida. A montagem parte da compreensão de que um território representa muito mais do que um espaço físico: é um patrimônio imaterial que sustenta a identidade, a memória e a continuidade de uma comunidade.

Selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, o espetáculo é uma realização da Obalufônica, coletivo coordenado por Tatiana Henrique e Hebert Said. Há cerca de 25 anos, o grupo desenvolve ações artísticas e educativas voltadas às culturas africanas, afro-brasileiras, indígenas brasileiras e indianas, consolidando pesquisas cênicas que dialogam com diferentes linguagens e tradições.


Segundo Tatiana Henrique, a criação de "Agar" nasceu do desejo de compreender as próprias origens e suas implicações sociais e políticas. Pesquisadora do teatro negro, ela destaca que a história também dialoga com a trajetória familiar de Hebert Said, neto de refugiados sírios que constituíram família no Brasil junto a indígenas e pessoas negras. Para a atriz, o espetáculo representa um reencontro simbólico entre África, Ásia, povos árabes e a diáspora africana.


Além da abordagem temática, "Agar" aposta na acessibilidade como elemento central da encenação. Todas as 16 apresentações contam com tradução em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), incorporada como recurso poético da narrativa e não apenas como ferramenta de inclusão. A proposta amplia a experiência artística e reforça o compromisso do espetáculo com a diversidade de públicos.

A montagem também apresenta dramaturgia multilíngue, utilizando português, copta e árabe, com legendas integradas ao espaço cênico para atender pessoas surdas que não utilizam LIBRAS e beneficiar todos os espectadores. Aos domingos, as apresentações contam ainda com audiodescrição, garantindo maior acesso ao público com deficiência visual.



Ficha Técnica

Atuação: Hebert Said, Sheila Martins e Tatiana Henrique

Concepção, Dramaturgia e Cenografia: Tatiana Henrique e Hebert Said

Direção Geral: Tatiana Henrique

Assistência de Direção: Junio Nascimento

Direção de Movimento: Raphael Rodrigues

Figurino: Carla Costa

Assistente de Figurino e Costura Cênica: Luciane Chagas 

Escultor-Aderecista: Carlos Machado

Cenotécnico: Moisés Cupertino 

Direção Musical: Rodrigo Maré

Edição Trilha Sonora: ReUrbana

Desenho de Luz: Valmyr Ferreira

Videomapping: Igor Borges

Consultoria em Acessibilidade Cênica: Sheila Martins

Acessibilidades: Imagética Acessibilidade

Consultoria em Filosofia e História: Renato Noguera

Assessoria de Imprensa: Angélica Zago – Angel Comunicação e Assessoria

Identidade Visual e Mídias Sociais: VB Digital – Victor Braga e Diogo Nasi

Consultoria Jurídica: Agnes Ramalho

Direção de Produção: Obalufônica

Produção Executiva: Maiana Santos

Apoio: Donna Natureza, Centro de Teatro do Oprimido, Centro de Artes Calouste Gulbenkian, Teatro Municipal Gonzaguinha, ETET Martins Penna. Realização: Sesc Rio e Sesc Pulsar 





Serviço

Espetáculo: Agar

Local: Teatro Sesc Copacabana - Sala Mezanino

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ

Temporada:  02 a 26 de julho, de quinta a domingo

Horário: Quintas e sextas, às 20h30; sábados e domingos, às 19h

Ingressos: R$ 40 (inteira); R$36 (conveniados), R$28 (credencial plena Sesc);  R$ 20 (meia-entrada) e Gratuito (público cadastrado no PCG).

Venda disponível: ingresso.com

Instagram: @obalufonica

 



 
 
 

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