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FID:RIO 2026 transforma o Rio em um grande palco da não ficção e reúne nomes internacionais do cinema, teatro e música

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • há 4 horas
  • 7 min de leitura

Festival ocupa sete espaços culturais da cidade com mais de 50 filmes ibero-americanos, atividades formativas, instalações audiovisuais e a presença inédita de Lucrecia Martel, Julieta Laso e Vivi Tellas


Lucrecia Martel; Foto divulgação: Louverture Films
Lucrecia Martel; Foto divulgação: Louverture Films

O Rio de Janeiro recebe uma intensa programação dedicada ao cinema documental, às artes e à experimentação criativa. Até o dia 2 de agosto, acontece a segunda edição do FID:RIO – Festival Internacional de Artes e Cinema de Não Ficção do Rio de Janeiro, que reunirá produções cinematográficas, espetáculos, instalações, oficinas e debates em sete importantes espaços culturais da cidade.


Nascido da parceria entre o FID:BA – Festival Internacional de Cinema Documental de Buenos Aires, que já soma 14 edições, e a cena artística carioca, o evento amplia seu alcance em 2026 ao apresentar uma programação que dialoga com diferentes linguagens artísticas e propõe uma reflexão sobre memória, identidade, direitos humanos e as múltiplas formas de representar a realidade.


Ao longo de dez dias, o festival ocupará o Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM), o Estação Claro Rio, o Teatro Sesc Ginástico, o Sesc Copacabana, o Arte Sesc e a Banca do André, consolidando-se como um dos principais encontros brasileiros dedicados ao cinema de não ficção.



Cinema autoral e produções inéditas

O coração do FID:RIO é sua Mostra de Filmes, composta por 56 produções ibero-americanas, entre longas e curtas-metragens, distribuídas em seis sessões temáticas, quatro delas competitivas.


A programação reúne obras da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Brasil, privilegiando produções que exploram novas linguagens narrativas e documentais.


Entre os destaques internacionais está "Plata o mierda", dos argentinos Toia Bonino e Marcos Joubert, que retrata a rotina de um casal separado pelo sistema prisional e conectado apenas por um celular clandestino. Já a produção boliviana "Cuerpo criminal", em estreia mundial, lança um olhar crítico sobre o neocolonialismo presente na indústria cinematográfica.


O cinema brasileiro também ocupa posição de destaque. Um dos filmes mais aguardados é "Anistia 79", de Anita Leandro, vencedor da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que recupera registros inéditos da Conferência Internacional pela Anistia do Brasil, realizada em Roma em 1979, propondo uma reflexão sobre os legados da ditadura militar.


Outro destaque é "Na passagem do trópico", de Francisco Miguez, que acompanha um topógrafo encarregado de avaliar riscos geológicos em Ubatuba, revelando conflitos sociais relacionados à ocupação urbana.


A programação contempla ainda estreias cariocas e nacionais, como "Entrevista com fantasmas", de Lincoln Péricles; "Memória Movimento", de Victor Aleixo Casella; e "Helena! Cinema", homenagem dos cineastas Cavi Borges e Christian Caselli à atriz Helena Ignez, um dos grandes nomes do cinema brasileiro.



Argentina em evidência

Um dos diferenciais desta edição é a forte presença da produção artística argentina.

A cineasta Lucrecia Martel, considerada uma das principais representantes do Novo Cinema Argentino, participa pela primeira vez de um evento no Rio de Janeiro. Ela apresenta o documentário "Nuestra Tierra", obra que investiga o assassinato do líder indígena Javier Chocobar e discute décadas de violência contra povos originários na Argentina.


Além da exibição do filme, Martel ministrará uma masterclass gratuita, voltada a estudantes, pesquisadores e profissionais do audiovisual.


A programação argentina inclui ainda a mostra Foco no Cinema Argentino, que reúne seis obras fundamentais do cinema autobiográfico e documental do país vizinho, abordando memória, ditaduras militares, identidade e resistência.



Teatro transforma biografias em arte

A diretora, dramaturga e pesquisadora argentina Vivi Tellas comandará o laboratório #LINK:BIO – Etnografia Doméstica, uma experiência intensiva voltada para artistas interessados em desenvolver projetos inspirados em memórias, arquivos familiares e histórias reais.


Reconhecida internacionalmente por criar o conceito de Biodrama, Tellas propõe uma metodologia que transforma vidas comuns em experiências cênicas, aproximando teatro, documentação e realidade.


Ao final do laboratório, os participantes apresentarão um espetáculo inédito, construído coletivamente durante os cinco dias de atividades.



Tango contemporâneo dialoga com o cinema

A música chega ao festival por meio da cantora argentina Julieta Laso, considerada uma das vozes mais marcantes do tango contemporâneo.


Vencedora de duas edições do Prêmio Gardel, Laso sobe ao palco do CCJF acompanhada do violonista Leandro Ángeli em um espetáculo que mistura tango, canções latino-americanas e novas composições, reforçando a proposta do FID:RIO de integrar diferentes manifestações artísticas em torno da não ficção.


Sua interpretação combina tradição, poesia e uma estética influenciada pelo universo punk, transformando cada apresentação em uma narrativa sobre memória e identidade.



Instalações refletem sobre memória e violência

As artes visuais ampliam a experiência do público por meio de instalações audiovisuais que investigam a relação entre imagem, poder e memória histórica.


Entre elas está "Mirante", de Coraci Ruiz e Julio Matos, construída a partir de registros realizados em Cuba, além da instalação "Em juicio", do argentino Ulises De la Orden, que recupera imagens históricas do julgamento dos responsáveis pela última ditadura militar argentina.


O festival também presta homenagem ao cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, reunindo quatro curtas-metragens em uma instalação que propõe reflexões sobre guerra, violência e ética da representação.



Formação profissional e incentivo ao audiovisual

Além das atividades abertas ao público, o FID:RIO investe na formação de novos realizadores.


O #LINK:RIO, braço educativo do festival, promove oficinas, masterclasses e o laboratório LINK:RIO: WIP, voltado para filmes brasileiros em fase de montagem.


Quatro projetos foram selecionados para receber acompanhamento de diretores, montadores e especialistas do audiovisual, fortalecendo a produção independente e incentivando novos talentos do cinema documental.



Festival amplia espaço para novas narrativas

Mais do que uma mostra de filmes, o FID:RIO consolida-se como um espaço de encontro entre artistas, pesquisadores e público interessado em novas formas de contar histórias.


Ao reunir cinema, teatro, música, artes visuais e atividades formativas, o festival reafirma a importância da não ficção como instrumento de reflexão sobre questões sociais, políticas e culturais, fortalecendo o intercâmbio entre Brasil e América Latina e ampliando o debate sobre memória, direitos humanos e inovação estética.


Em sua segunda edição, o evento reforça a vocação do Rio de Janeiro como polo de produção, circulação e pensamento crítico das artes contemporâneas, oferecendo ao público uma programação que transcende a exibição de filmes para transformar a cidade em um território de experimentação artística e diálogo cultural.



PROGRAMAÇÃO DIA A DIA

De 24 de julho a 2 de agosto

Todos dos dias, exceto segundas

Das 10h às 22h – CCJF

Instalação audiovisual – Imagens que não se apagam: “El Juicio”, de Ulises De la Orden

 

  • 24 de julho (sexta)

18h – CCJF

Sessão Foco no Cinema Argentino | Etnografias Domésticas: “Los rubios”, de Albertina Carri

(Argentina | 90 min. | 2003)

 

  • 25 de julho (sábado)

16h – CCJF

Instalação audiovisual – Imagens que não se apagam: “Foco Godard: Imagens em guerra, guerras de imagens” – curadoria de Walter Tiepelmann

18h – CCJF

Sessão Foco no Cinema Argentino| Etnografias Domésticas: “El silencio es un cuerpo que cae”, de Agustina Comedi

(Argentina | 75 min. | 2017)

 

  • 26 de julho (domingo)

16h – CCJF

Sessão Trópico: “Explode São Paulo, Gil”, de Maria Clara Escoba

(Brasil | 97 min. | 2025) | estreia carioca

18h – CCJF

Sessão Foco no Cinema Argentino | Etnografias Domésticas: “Silvia”, de María Silvia Esteve

(Argentina | 103 min. | 2018)

 

  • De 28 de julho a 2 de agosto

Das 16h às 20h – Cinemateca do MAM

Instalação audiovisual – Imagens que não se apagam: “Mirante, uma ilha que reviste”, de Coraci Ruiz e Julio Matos

 

  • 28 de julho (terça)

16h – Cinemateca do MAM estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Senda India”, de Daniela Seggiaroa

(Argentina | 80 min. | 2025)

18h – CCJF estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Alicia bajo la higuera”, de Manuela Thayer Requena

(Chile | 74 min. | 2026)

18h30 – Cinemateca do MAM estreia carioca

Sessão Trópico: “Aurora”, de João Vieira Torres

(Brasil | 132 min. | 2025)

18h30 – Banca do André

Sessão Trópico: “Apopcalipse segundo Baby”, de Rafael Saar

(Brasil | 110 min. | 2026)

20h30 – Estação Claro Rio

Sessão Foco no Cinema Argentino: “Nuestra Tierra”, de Lucrecia Martel

(Argentina | 122 min. | 2025)

Após a sessão, haverá bate-papo com a cineasta

 

  • 29 de julho (quarta)

16h – Cinemateca do MAM estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Plata o mierda”, de Toia Bonino e Marcos Joubert

(Argentina e Colômbia | 88 min. | 2025)

15h – Teatro Sesc Ginástico

Masterclass com Lucrecia Martel

18h – CCJF estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Al sur del invierno está la nieve”, de Sebastian Vidal Campos

(Chile | 97 min. | 2025)

18h30 – Cinemateca do MAM estreia carioca

Sessão Trópico: “Cuerpo criminal”, de Martín Boulocq

(Bolívia, Argentina e França | 74 min. | 2026)

19h30 – Sesc Copacabana

#LINK:BIO — Etnografias Domésticas

Espetáculo de criação coletiva, resultado de laboratório com Vivi Tellas

 

  • 30 de julho (quinta)

16h – Cinemateca do MAM estreia nacional

Sessão Hemisfério: “La mar a Marla”, de Angel Pajares

(Peru e Estados Unidos | 87 min. | 2026)

18h – CCJF estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Kuarahy Ára - O tempo do sol, de Hugo Gamarra

(Paraguai | 87 min. | 2025)

18h30 – Cinemateca do MAM estreia nacional

Sessão Trópico: “Na passagem do trópico”, de Francisco Miguez

(Brasil | 88 min. | 2025)

19h – CCJF

Show de Julieta Laso

 

  • 31 de julho (sexta)

13h45 – Arte Sesc

Sessão Trópico Curtas 1 (59 min.)

15h30 – Arte Sesc

Sessão Trópico Curtas 2 (56 min.)

16h – Cinemateca do MAM estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Soné su nombre”, de Ángela Carabalí

(Colômbia | 86 min. | 2025)

16h – CCJF estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Decir adiós”, de Paloma López Carrillo

(México | 103 min. | 2025)

18h – CCJF

Sessão Latitude 22 (1) – curtas-metragens (50 min)

18h30 – Cinemateca do MAM estreia carioca

Sessão Trópico: “Universo circular – Jocy de Oliveira”, de Dácio Pinheiro

(Brasil | 86 min. | 2026)

 

  • 1 de agosto (sábado)

16h – Cinemateca do MAM

Premiação da Mostra Competitiva

16h – CCJF estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Rotacionismo”, de Ricardo Ruales Eguiguren

(Equador, Itália e Espanha | 84 min. | 2025)

18h – Cinemateca do MAM estreia carioca

Sessão Trópico: “Amnistia 79”, de Anita Leandro

(Brasil | 104 min | 2026)

18h – CCJF estreia carioca

Sessão Trópico: “Um minuto é uma eternidade para quem está sofrendo”, de Fabio Rogerio e Wesley Pereira de Castro

(Brasil | 62 min. | 2025)

 

  • 2 de agosto (domingo)

16h – Cinemateca do MAM estreia nacional

Sessão Foco no Cinema Argentino: “El príncipe de Nanawa parte 1 e 2”, de Clarisa Navas

(Argentina | 212 min. | 2025)

16h – CCJF

Sessão Latitude 22 (2) – curtas-metragens (52 min.)

18h – CCJF estreia nacional

Sessão Hemisfério: “Vino la noche”, de Paolo Tizon

(Peru, México e Espanha | 93 min. | 2024)




Endereços:

Centro Cultural da Justiça Federal – Teatro e Sala Multimídia

  • Av. Rio Branco, 241 Centro

  • Sessões de cinema e instalação audiovisual: entrada gratuita

  • Show de Julieta Laso: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) | Vendas online: Sympla

 

Cinemateca do MAM

  • Av. Infante Dom Henrique, 85 – Praia do Flamengo

  • Sessões de cinema: entrada gratuita

 

Teatro Sesc Ginástico

  • Av. Graça Aranha, 187 – Centro

  • Masterclass com Lucrecia Martel: entrada gratuita

 

Estação Claro Rio

  • R. Voluntários da Pátria, 35 – Botafogo

  • Sessão de “Nuestra Tierra”: R$ 35 (inteira) e R$ 17,50 (meia) | Vendas online: Ingresso.com

 

Sesc Copacabana – Sala Multiuso

  • Rua Domingo Ferreira, 160 – Copacabana

  • Espetáculo #LINK:BIO — Etnografias Domésticas: entrada gratuita

 

Arte Sesc

Rua Marquês de Abrantes, 99 – Flamengo

Sessões de cinema: entrada gratuita

 

Banca do André

  • Rua Pedro Lessa – Centro

  • Sessão de cinema: entrada gratuita

 
 
 

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