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Justiça decide o destino dos bens de Rogéria, a travesti da família brasileira

A artista, que foi um dos nomes mais conhecidos do país e fez sucesso internacional, morreu em 2017 e o destino de seus bens foi para a Justiça, que definiu agora a partilha



Quatro anos após a morte da atriz Rogéria, a 11ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro autorizou a venda de um imóvel avaliado em R$ 300 mil da atriz Rogéria, que morreu em 2017, no Rio, sem deixar herdeiros diretos. Conforme a coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o valor da venda do imóvel será dividido entre os quatro irmãos da artista: Marilene e Vera Lúcia Accacio, Flavio e Cyr Barrozo.


Rogéria morreu em 4 de setembro de 2017, aos 74 anos. Ela estava internada no Hospital Unimed Barra, na zona Oeste do Rio, mas seu quadro clínico se agravou após uma crise convulsiva, seguida de um choque séptico.


Nascida em 25 de maio de 1943 em Cantagalo, no interior do Rio de Janeiro como Astolfo Pinto, ficou conhecida como símbolo gay e militante contra a homofobia. Desde jovem, tinha consciência de sua homossexualidade e, aos 14 anos, saiu pela primeira vez nas ruas com roupas de mulher, durante o Carnaval.


Aos 19 anos, trabalhou como maquiadora na extinta TV Rio e teve contato com grandes personalidades como Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira e Elis Regina. Foi nessa época que decidiu encarar a vontade de subir aos palcos, incentivada pelos profissionais que trabalhavam com ela. Em 1964, durante a ditadura militar, estreou com o espetáculo de sucesso Les Girls, interpretado por artistas transformistas.


Em um concurso de Carnaval, ao ser ovacionada pela plateia, nasce Rogéria. Por três anos, foi vedete de Carlos Eduardo. Com o término do contrato, rodou por países da Europa, além de passar por Angola e Moçambique, retornando ao Brasil e recebendo, em 1979, o Mambembe na categoria Atriz Revelação, por conta da atuação em O Desembestado. No cinema e na TV, ela também se destacou em trabalhos como as novelas Tieta e Lado a Lado. O último trabalho da atriz foi em Divinas Divas, um documentário, dirigido por Leandra Leal, em homenagem às artistas transexuais.


Por sua trajetória e carisma, Rogéria ficou conhecida como a ‘Travesti da Família Brasileira’.

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