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“Rei de Copas” estreia na Tijuca e transforma disputa por herança em reflexão sobre família, luto e memória

Foto do escritor: Pimenta Rosa
Pimenta Rosa
há 5 horas
3 min de leitura

Montagem inédita da Penúltima Cia. de Teatro em parceria com a Fantasmática Cia. de Teatro chega ao Teatro Municipal Ziembinski nesta terça-feira (03). O espetáculo mistura humor e melancolia para discutir os conflitos que atravessam gerações


Foto divulgação: Roberto Carneiro
Foto divulgação: Roberto Carneiro

O que uma família herda além de imóveis, dinheiro e outros bens materiais? Ressentimentos, segredos, ausências e lembranças também fazem parte de um legado que nem sempre é fácil administrar. É a partir dessa questão que o espetáculo “Rei de Copas”, da Penúltima Cia. de Teatro em colaboração com a Fantasmática Cia. de Teatro, estreia nesta terça-feira (03), no Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca, Zona Norte do Rio. A temporada segue até 18 de novembro, com apresentações às terças e quartas-feiras, às 20h.


Idealizada por Lucas Garbois, que também integra o elenco, a montagem tem direção de Gabriel Flores e dramaturgia assinada por ele em parceria com Bernardo Coimbra. Entre o humor e a melancolia, a peça aborda os vínculos familiares, as marcas deixadas pelas relações afetivas e os conflitos que permanecem mesmo depois da morte de alguém.


Na história, a morte repentina do patriarca desencadeia uma disputa entre os familiares pelo destino de seu último patrimônio: um bar temático dedicado a jogos de tabuleiro que acumula prejuízos e enfrenta dificuldades financeiras.


Os filhos Thiago (Lucas Garbois) e Gabriela (Maria Paula Marini), além de André (Ricardo Santos), viúvo do falecido, precisam decidir o que fazer com o estabelecimento. Reunidos em torno da herança, os três personagens se deparam com diferentes versões sobre o passado e com sentimentos que permaneceram guardados ao longo dos anos.


Entre a memória familiar e os interesses financeiros

O conflito ganha novos contornos com a chegada de Vitinho (João Miller), empresário que conhecia o falecido e apresenta uma proposta para transformar o bar em mais uma unidade de uma grande rede de restaurantes.


A oferta coloca os familiares diante de uma escolha que ultrapassa a questão financeira: preservar um espaço carregado de lembranças ou aceitar sua transformação em nome de uma possível recuperação econômica.


Enquanto discutem o futuro do estabelecimento, os personagens precisam lidar com ressentimentos, divergências e dificuldades relacionadas ao luto. A disputa pelo patrimônio acaba revelando questões mais profundas sobre pertencimento, identidade e os padrões familiares que atravessam gerações.


Em vez de tratar a herança apenas como uma questão jurídica ou financeira, “Rei de Copas” amplia o debate para aquilo que não aparece nos inventários: os silêncios, as expectativas, as mágoas e as histórias que continuam influenciando a vida de quem fica.

O humor surge como contraponto às situações dramáticas, aproximando o público das contradições dos personagens e das relações familiares, nas quais afeto e conflito muitas vezes caminham juntos.


Teatro, corpo e gestualidade

A montagem reúne duas companhias com pesquisas artísticas próprias: a Penúltima Cia. de Teatro e a Fantasmática Cia. de Teatro, criada por Gabriel Flores e Danilo Maia.

A colaboração aproxima diferentes experiências de criação cênica e incorpora à encenação uma pesquisa sobre o corpo e a gestualidade como elementos da construção dramatúrgica. Essa abordagem, característica do trabalho da Fantasmática, também está presente em espetáculos como “Latitudes dos Cavalos” e “Depois”.


Em “Rei de Copas”, a proposta é explorar as possibilidades expressivas do corpo para além da palavra, ampliando a maneira como os conflitos, as emoções e as relações entre os personagens chegam ao público. Com 75 minutos de duração, a peça convida à reflexão sobre o que permanece depois de uma perda e sobre a possibilidade de romper com histórias familiares que parecem se repetir. Afinal, decidir o destino de um patrimônio pode ser mais simples do que enfrentar a herança emocional deixada por quem morreu.



FICHA TÉCNICA

Elenco: Lucas Garbois, Maria Paula Marini, Ricardo Santos e João Miller

Direção: Gabriel Flores

Dramaturgia: Bernardo Coimbra e Gabriel Flores

Direção de Produção: Cacau Gondomar

Iluminação: Paulo Denizot

Direção Musical: Pedro Nêgo

Direção de Movimento: Gabriel Flores e Danilo Maia

Figurino: Paula Ströher

Cenografia: Victor Aragão

Produção Executiva: Bernardo Coimbra e Bels Ferrari

Assistência de Direção: Danilo Maia

Assistência de Produção: Antonio Rockenbach

Programação Visual: João Miller

Fotografia: Roberto Carneiro

Produção de vídeos para as redes sociais: Carolina Mattos

Assessoria de Imprensa: Michelle Antelo

Idealização: Lucas Garbois

Realização: Penúltima Cia. de Teatro e Rio de Cinema

Produção associada: Fantasmática Cia. de Teatro



Serviço

Espetáculo: Rei de Copas

Temporada: 3 a 18 de novembro de 2026.

Dias e horários: terças e quartas-feiras, às 20h.

Local: Teatro Municipal Ziembinski.

Endereço: Avenida Heitor Beltrão, s/nº, Tijuca, Rio de Janeiro.

Ingressos:

  • Inteira: R$ 60;

  • Meia-entrada: R$ 30;

  • Ingressos promocionais MINC: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).

Bilheteria: de terça a domingo, das 14h às 20h.

Informações: (21) 3085-3048.

Classificação indicativa: 12 anos.

 
 
 

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@2022 By Jornal Pimenta Rosa

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