“Rei de Copas” estreia na Tijuca e transforma disputa por herança em reflexão sobre família, luto e memória
Montagem inédita da Penúltima Cia. de Teatro em parceria com a Fantasmática Cia. de Teatro chega ao Teatro Municipal Ziembinski nesta terça-feira (03). O espetáculo mistura humor e melancolia para discutir os conflitos que atravessam gerações

O que uma família herda além de imóveis, dinheiro e outros bens materiais? Ressentimentos, segredos, ausências e lembranças também fazem parte de um legado que nem sempre é fácil administrar. É a partir dessa questão que o espetáculo “Rei de Copas”, da Penúltima Cia. de Teatro em colaboração com a Fantasmática Cia. de Teatro, estreia nesta terça-feira (03), no Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca, Zona Norte do Rio. A temporada segue até 18 de novembro, com apresentações às terças e quartas-feiras, às 20h.
Idealizada por Lucas Garbois, que também integra o elenco, a montagem tem direção de Gabriel Flores e dramaturgia assinada por ele em parceria com Bernardo Coimbra. Entre o humor e a melancolia, a peça aborda os vínculos familiares, as marcas deixadas pelas relações afetivas e os conflitos que permanecem mesmo depois da morte de alguém.
Na história, a morte repentina do patriarca desencadeia uma disputa entre os familiares pelo destino de seu último patrimônio: um bar temático dedicado a jogos de tabuleiro que acumula prejuízos e enfrenta dificuldades financeiras.
Os filhos Thiago (Lucas Garbois) e Gabriela (Maria Paula Marini), além de André (Ricardo Santos), viúvo do falecido, precisam decidir o que fazer com o estabelecimento. Reunidos em torno da herança, os três personagens se deparam com diferentes versões sobre o passado e com sentimentos que permaneceram guardados ao longo dos anos.
Entre a memória familiar e os interesses financeiros
O conflito ganha novos contornos com a chegada de Vitinho (João Miller), empresário que conhecia o falecido e apresenta uma proposta para transformar o bar em mais uma unidade de uma grande rede de restaurantes.
A oferta coloca os familiares diante de uma escolha que ultrapassa a questão financeira: preservar um espaço carregado de lembranças ou aceitar sua transformação em nome de uma possível recuperação econômica.
Enquanto discutem o futuro do estabelecimento, os personagens precisam lidar com ressentimentos, divergências e dificuldades relacionadas ao luto. A disputa pelo patrimônio acaba revelando questões mais profundas sobre pertencimento, identidade e os padrões familiares que atravessam gerações.
Em vez de tratar a herança apenas como uma questão jurídica ou financeira, “Rei de Copas” amplia o debate para aquilo que não aparece nos inventários: os silêncios, as expectativas, as mágoas e as histórias que continuam influenciando a vida de quem fica.
O humor surge como contraponto às situações dramáticas, aproximando o público das contradições dos personagens e das relações familiares, nas quais afeto e conflito muitas vezes caminham juntos.
Teatro, corpo e gestualidade
A montagem reúne duas companhias com pesquisas artísticas próprias: a Penúltima Cia. de Teatro e a Fantasmática Cia. de Teatro, criada por Gabriel Flores e Danilo Maia.
A colaboração aproxima diferentes experiências de criação cênica e incorpora à encenação uma pesquisa sobre o corpo e a gestualidade como elementos da construção dramatúrgica. Essa abordagem, característica do trabalho da Fantasmática, também está presente em espetáculos como “Latitudes dos Cavalos” e “Depois”.
Em “Rei de Copas”, a proposta é explorar as possibilidades expressivas do corpo para além da palavra, ampliando a maneira como os conflitos, as emoções e as relações entre os personagens chegam ao público. Com 75 minutos de duração, a peça convida à reflexão sobre o que permanece depois de uma perda e sobre a possibilidade de romper com histórias familiares que parecem se repetir. Afinal, decidir o destino de um patrimônio pode ser mais simples do que enfrentar a herança emocional deixada por quem morreu.
FICHA TÉCNICA
Elenco: Lucas Garbois, Maria Paula Marini, Ricardo Santos e João Miller
Direção: Gabriel Flores
Dramaturgia: Bernardo Coimbra e Gabriel Flores
Direção de Produção: Cacau Gondomar
Iluminação: Paulo Denizot
Direção Musical: Pedro Nêgo
Direção de Movimento: Gabriel Flores e Danilo Maia
Figurino: Paula Ströher
Cenografia: Victor Aragão
Produção Executiva: Bernardo Coimbra e Bels Ferrari
Assistência de Direção: Danilo Maia
Assistência de Produção: Antonio Rockenbach
Programação Visual: João Miller
Fotografia: Roberto Carneiro
Produção de vídeos para as redes sociais: Carolina Mattos
Assessoria de Imprensa: Michelle Antelo
Idealização: Lucas Garbois
Realização: Penúltima Cia. de Teatro e Rio de Cinema
Produção associada: Fantasmática Cia. de Teatro
Serviço
Espetáculo: Rei de Copas
Temporada: 3 a 18 de novembro de 2026.
Dias e horários: terças e quartas-feiras, às 20h.
Local: Teatro Municipal Ziembinski.
Endereço: Avenida Heitor Beltrão, s/nº, Tijuca, Rio de Janeiro.
Ingressos:
Inteira: R$ 60;
Meia-entrada: R$ 30;
Ingressos promocionais MINC: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).
Vendas online: https://bileto.sympla.com.br/event/128701
Bilheteria: de terça a domingo, das 14h às 20h.
Informações: (21) 3085-3048.
Classificação indicativa: 12 anos.





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