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Resgate e Reinvenção: 100 Anos da Companhia Negra de Revistas Ganham Palcos do CCBB RJ

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Com idealização de Mauricio Lima e Tainah Longras, espetáculo “Tudo Preto: uma re_vista” celebra centenário de marco do teatro negro e tenciona a identidade nacional a partir da próxima sexta-feira (31)


Fotos divulgação: Ira Barillo
Fotos divulgação: Ira Barillo

Um século após um dos episódios mais expressivos e transformadores das artes cênicas brasileiras, a memória negra retoma o seu lugar de protagonismo nos palcos cariocas. Em 1926, estreava no Rio de Janeiro a peça “Tudo Preto”, concebida e dirigida por De Chocolat para a Companhia Negra de Revistas — o primeiro grupo teatral negro registrado no país. Cem anos depois, esse legado ganha nova vida com a estreia de “Tudo Preto: uma re_vista”, no próximo dia 31 de julho, no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ).


Idealizado, dirigido e dramatizado pela dupla Mauricio Lima e Tainah Longras — vencedores do Prêmio Shell 2026 de Melhor Dramaturgia por “VINTE!” —, o espetáculo estende sua temporada até 13 de setembro, com apresentações de quarta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h. A montagem traz ainda a interlocução dramatúrgica de Pedro Emanuel (Prêmio Shell 2025 por “Língua”).



Um gesto de reenactment e tensão historiográfica

Mais do que uma simples homenagem, a peça propõe um gesto crítico de reenactment (recriação/reencenação), desdobrando as investigações sobre os movimentos estéticos negros da década de 1920 e tensionando-os com o presente. O objetivo central é fortalecer epistemologias negras e confrontar visões hegemônicas da história da arte nacional — como a centralidade frequentemente atribuída à Semana de Arte Moderna de 1922 e à hegemonia branca na construção do pensamento sobre a identidade do Brasil.


O texto original de 1926 trazia uma estrutura em quadros musicais acompanhando a saga dos personagens Benedito e Patrício em busca do elenco da primeira companhia negra do país. Ao retratar tipos urbanos do Rio de Janeiro apenas 38 anos após a abolição da escravatura, a obra permitiu que artistas negros ocupassem a cena na condição de cidadãos e donos do próprio discurso.


“A revista, gênero teatral historicamente subestimado, visto muitas vezes apenas pela ótica do entretenimento, nos ofereceu um campo fértil para experimentação de linguagem e criação de cenas onde o pensamento crítico, o teatro, a dança e as sonoridades dialogam sem hierarquias”, destaca o dramaturgo e diretor Mauricio Lima.


Múltiplas linguagens na construção da cena

Para dar conta dessa densa matéria histórica e evitar o apagamento documental, a montagem mobiliza um refinado trabalho interdisciplinar:

  • Corpo e Movimento: Sob a direção de movimento de Rômulo Galvão, a pesquisa tomou como disparador ícones como a artista norte-americana Josephine Baker e registros fotográficos de bailarinos dos anos 1920. O corpo negro é trabalhado como produtor direto de memória e linguagem.

  • Música e Trilha Sonora: Com direção musical de Muato (vencedor do Prêmio Shell em 2024 e 2026), a trilha mescla instrumentos acústicos a elementos eletrônicos. A sonoridade evoca a tradição dos sopros e do choro de Pixinguinha, construindo uma estética de colagem e contracanto.

  • Cenografia e Figurino: Assinados por Júlia Vicente, os elementos visuais mantêm diálogo com a montagem de VINTE!. O cenário destaca uma grande escultura negra que simboliza o volume do arquivo histórico trabalhado, enquanto o figurino recria trajes voltados à mobilidade do corpo e à reverberação de um século de produção artística.


No palco, um elenco vibrante de atores-cantores — formado por Afroflor, Beà Ayòóla, Juliane Cruz, Lucas Sampaio, Lux Nègre e Nely Coelho — dá voz, ritmo e movimento a este ato de celebração e resistência. “Tudo Preto: uma re_vista” reafirma, assim, a Companhia Negra de Revistas como patrimônio cultural e político inestimável e indissociável da formação da cultura brasileira.



Ficha técnica

Espetáculo: “Tudo Preto: uma re_vista”

Baseado no texto original de De Chocolat

Idealização, direção e dramaturgia: Mauricio Lima e Tainah Longras

Elenco: Afroflor, Beà Ayòóla, Juliane Cruz, Lucas Sampaio, Lux Nègre e Nely Coelho

Músicos: Pedro Paulo Junior e Rodrigo Ferma 

Direção de produção: Bem Medeiros 

Produção executiva: Matheus Ribeiro

Interlocução de dramaturgia: Pedro Emanuel

Direção de movimento e preparação corporal: Romulo Galvão 

Direção musical e composição: Muato

Operação e montagem de som: Bob Reis 

Direção de arte: Júlia Vicente

Assistência de arte: Rian Oak

Iluminação: Dadado de Freitas

Assistência de iluminação e operação de luz: Tayná Maciel 

Identidade visual: Evee Ávila

Assistência de produção: Rayvn

Cenotécnicos: Djavan Costa, Laurence Cheung, Nena Alava

Costureiras: Joyce Olipo e Luciana Argolo

Fotografia: Íra Barillo 

Visagismo sessão de fotos: Thiogo Andrade

Redes sociais: Ronny Werneck

Vídeo: Rodrigo Menezes

Edição de vídeo e documentação: Guto Cesar

Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha 

Redes sociais: Ronny Werneck

Fragmentos de textos: Beà Ayòóla, Jota Mombaça e Lucas Sampaio

 

Produção: L&B Produções Culturais e Suma Produções

Uma criação de Plataforma Assombro de artes da cena, do som e da imagem

 


SERVIÇO:

Espetáculo: “Tudo Preto: uma re_vista”

Temporada:  31/07 a 13/09 de 2026

Horário: Quarta a sábado, às 19h. Domingo, às 18h.

Duração: 80 min.

Local: Teatro I

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis no site bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB RJ.

Classificação indicativa: 14 anos

Centro Cultural Banco do Brasil  

Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro - RJ  

Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br   


Mais informações em bb.com.br/cultura

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@2022 By Jornal Pimenta Rosa

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