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Sair do armário não é obrigação: Dia Internacional reforça orgulho, autonomia e respeito à diversidade LGBTQIAPN+

Foto do escritor: Pimenta Rosa
Pimenta Rosa
há 11 horas
3 min de leitura

Data celebrada neste domingo, 11 de outubro, chama atenção para a importância da visibilidade, mas também para o direito de cada pessoa decidir se, quando, como e com quem deseja compartilhar sua orientação sexual ou identidade de gênero



No próximo domingo, 11 de outubro, o Brasil e outros países celebram o Dia Internacional de Sair do Armário, data associada à valorização da diversidade LGBTQIAPN+ e à importância da visibilidade de diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. Mais do que incentivar a revelação da sexualidade, porém, o marco também coloca em evidência um princípio fundamental: ninguém deve ser pressionado a tornar pública uma dimensão íntima de sua vida.


A origem da data é relacionada aos Estados Unidos e à Marcha pelos Direitos de Gays e Lésbicas, realizada em Washington, em 1988. Desde então, o 11 de outubro passou a ser associado à visibilidade e ao orgulho LGBTQIAPN+, tornando-se também uma oportunidade para discutir as diferentes experiências envolvidas no processo de revelar — ou não — a própria orientação sexual ou identidade de gênero.


Para Januário Mourão, especialista em Sexologia e Sexualidade e responsável pelo projeto “Prazer! Te conhecer”, não existe uma fórmula para esse processo. Cada pessoa possui uma história, vínculos familiares e sociais e condições específicas que precisam ser consideradas.


“Cada pessoa conhece a própria realidade, os vínculos que possui e as condições em que está inserida. Para algumas, falar sobre sua orientação sexual ou identidade pode representar liberdade e alívio. Mas para outras, pode existir medo e diversas outras situações que tornam o processo mais delicado”, explica.

Segundo o especialista, a data deve servir para celebrar quem encontrou segurança para compartilhar sua identidade, mas sem transformar essa decisão em uma espécie de obrigação.


“Não existe uma regra que determine quando alguém deve falar. Existe o direito de decidir se, quando, como e com quem deseja compartilhar uma parte tão íntima da própria vida”, afirma Januário.

Visibilidade não significa exposição

Um dos pontos destacados pelo especialista é a diferença entre ser visível e estar exposto. Mesmo quando uma pessoa decide falar abertamente sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero, isso não significa que esteja obrigada a revelar outros aspectos de sua intimidade.


A própria expressão “sair do armário”, tradução de come out, é amplamente utilizada para definir o momento em que alguém revela publicamente sua orientação sexual ou identidade de gênero. Entretanto, algumas pessoas consideram o termo inadequado ou pejorativo.


Independentemente da expressão utilizada, o princípio central permanece: o processo deve respeitar os limites e o tempo de cada indivíduo. Isso também vale para familiares, amigos e colegas. Insistir para que alguém revele sua orientação sexual ou identidade de gênero, fazer perguntas invasivas ou tentar “descobrir” algo que a pessoa ainda não deseja compartilhar pode transformar um processo íntimo em uma exposição imposta.


O direito de não falar também precisa ser respeitado

O acolhimento da população LGBTQIAPN+ passa, portanto, não apenas pela celebração daqueles que decidem tornar sua identidade pública, mas também pelo respeito àqueles que preferem manter essa informação em sua esfera privada.

Para Januário, pressionar alguém a se revelar pode produzir justamente o efeito contrário ao pretendido: em vez de liberdade, pode gerar medo, constrangimento e insegurança.


“A orientação sexual e a identidade de gênero fazem parte da história de cada pessoa, mas cada uma tem o direito de decidir como quer viver e compartilhar essa dimensão da própria vida.”

O especialista ressalta ainda que o acolhimento não termina quando alguém decide falar. A reação de quem recebe essa informação também pode ser determinante para a experiência da pessoa LGBTQIAPN+. Ouvir sem julgar, fazer piadas, questionar ou transformar a conversa em interrogatório é uma forma concreta de demonstrar respeito.


“Quando alguém decide falar, a resposta de quem recebe essa informação também é importante. Escutar sem transformar a conversa em julgamento, piada ou interrogatório é uma forma de acolhimento”, afirma.

Orgulho também é poder escolher

O Dia Internacional de Sair do Armário pode, assim, ser compreendido para além do ato de revelar uma orientação sexual ou identidade de gênero. A data também representa a conquista do direito de existir com dignidade, escolher os próprios caminhos e estabelecer os próprios limites.


Para quem encontra segurança para compartilhar sua história, o orgulho pode representar liberdade e inspirar outras pessoas. Para quem ainda não se sente preparado — ou simplesmente não deseja fazê-lo —, o respeito à decisão também é parte da luta por direitos e cidadania LGBTQIAPN+.


“Assim, o pride, o orgulho, pode inspirar novas experiências e trajetórias com respeito e acolhimento necessário”, conclui Januário Mourão.

 
 
 

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@2022 By Jornal Pimenta Rosa

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