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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Seis anos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

A luta por Justiça continua e a pergunta permanece: quem mandou matar a vereadora e qual a motivação



Hoje, 14 de março, marca o sexto ano do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Dois dias antes de completar mais um ano, a Força-tarefa Marielle Franco e Anderson Gomes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou suas alegações finais na ação penal movida contra o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, conhecido como Suel, pedindo que ele seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri pelas mortes ocorridas.


Marielle Franco, socióloga e ativista política, cresceu no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. Filiada ao Psol, trabalhou por uma década no gabinete do então deputado estadual Marcelo Freixo, hoje presidente da Embratur no governo Lula. Em 2016, Marielle foi eleita vereadora do Rio com 46.502 votos, a quinta maior votação daquela eleição, assumindo o cargo no ano seguinte. Já Anderson Gomes, motorista particular de 39 anos na época do crime, também trabalhava para aplicativos de transporte.


A investigação avançou após Luiz Inácio Lula da Silva assumir a presidência. Com as delações de Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa, há uma possibilidade real de esclarecimento completo do caso. No entanto, o vazamento da existência do acordo atrasou as negociações, segundo pessoas próximas ao caso.


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu que Suel seja julgado no júri popular pela morte de Marielle e Anderson. O pedido está relacionado às declarações de Élcio de Queiroz, denunciado por dirigir o carro onde Lessa estava para disparar os tiros. Queiroz fechou acordo de colaboração no ano passado com a PF e o MP–RJ.


Segundo o MPRJ, nas conclusões do parecer, os promotores Eduardo Morais Martins e Mario Jessen Lavareda pedem que Suel seja pronunciado por homicídio duplamente qualificado contra Marielle e Anderson, além de uma tentativa de homicídio duplamente qualificado contra Fernanda Chaves, assessora da vereadora que estava no mesmo carro no dia do crime. Também pedem que Suel seja julgado por receptação referente ao veículo Cobalt usado no crime, e a manutenção da prisão preventiva do réu em presídio federal de segurança máxima.


Em julho do ano passado, Suel foi preso na Operação Élpis, deflagrada pela Polícia Federal e o MPRJ, sendo apontado por atrapalhar as investigações. Ele foi condenado em 2021 a 4 anos de prisão e cumpre pena em regime aberto. Suel e Ronnie Lessa, ex-policial militar, foram denunciados na primeira fase da operação e são apontados como líderes do esquema criminoso. Ambos já estão presos por participação nas mortes da vereadora e do motorista.


O caso tem gerado expectativas de que a justiça seja feita, especialmente após as recentes delações. A sociedade civil, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos continuam a pressionar por respostas e por um desfecho que traga justiça para Marielle Franco, Anderson Gomes e suas famílias. Enquanto o Brasil aguarda o desfecho deste caso que marcou a nação, a luta por justiça persiste, e a memória de Marielle e Anderson segue como símbolo de resistência contra a violência e o silenciamento.



CRONOLOGIA DOS PRINCIPAIS PONTOS DO CASO MARIELLE FRANCO

 


Marielle tinha 38 anos e foi a quinta vereadora mais votada da cidade em 2016, com mais de 46 mil votos em sua primeira disputa eleitoral. Era considerada uma das vozes mais expressivas da renovação política carioca, com uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, em especial das mulheres, e crítica à violência policial.

 

Março/2018

- A vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ) e seu motorista Anderson Gomes são executados por volta das 21h do dia 14 de março, numa esquina do bairro do Estácio, logo após saírem da Casa das Pretas, na Rua dos Inválidos, na Lapa, onde a parlamentar participou de debate. A vereadora foi atingida por quatro tiros na cabeça. Anderson levou ao menos três tiros nas costas. Apenas uma assessora, que se senta ao lado de Marielle, sobreviveu ao atentado.

- No dia seguinte a execução, milhares de pessoas vão às ruas do centro do Rio de Janeiro cobrar por respostas. Outras manifestações ocorreram em diversas cidades do Brasil. Marielle é homenageado no Congresso Nacional e em algumas partes do mundo.

- Ao longo da semana mais manifestações. Na favela da Maré, onde Marielle nasceu e cresceu, moradores ocuparam a Linha Amarela, uma das principais vias da cidade, exigindo justiça.


Abril/2018

- Um mês após o duplo homicídio, acontece o primeiro grande ato ‘Amanhecer por Marielle, quando mais de 80 cidades em 8 países diferentes, fazem homenagens e manifestações, cobrando justiça pela execução da parlamentar e de seu motorista.


Maio/2018

- Surgem as primeiras pistas sobre o caso. O jornal ‘O Globo’ traz detalhes do depoimento de uma testemunha – então oculta – que envolveu o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Curicica. A testemunha era o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, que acabou preso um ano depois, em maio de 2019, por suspeita de envolvimento com uma milícia. Nesta ocasião, a Polícia Federal afirma que o PM criou a história para confundir as autoridades e se vingar de Orlando, para quem já trabalhou. Em depoimento, Ferreirinha disse que Siciliano e Orlando queria Marielle morta, por causa de suas ações comunitárias na zona Oeste. Ambos negaram as acusações, e, posteriormente, o envolvimento do vereador Marcelo Siciliano foi descartado pelas investigações.


Agosto/2018

- Em 22 de agosto, Orlando Curicica, principal suspeito, em depoimento na Delegacia de Homicídios, cita o Escritório do Crime - nome de uma milícia de pistoleiros e matadores de elite que atua na zona Oeste do Rio de Janeiro -, do qual fazia parte, colocando esta organização criminosa no centro das investigações.


Outubro/2018

- Em 15 de outubro, aconteceu a primeira importante reviravolta no caso Marielle e Anderson. De acordo com o G1, um denunciante anônimo apresentou informações sobre dois suspeitos de terem planejado e executado a vereadora.

- Com o intuito de seguir defendendo a memória, multiplicando o legado, regando as sementes e lutando por justiça, em 22 de outubro, familiares da parlamentar fundam o Instituto Marielle Franco.


Novembro/2018

- A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro passaram a apurar uma possível obstrução no caso de Marielle e a trocar informações sobre o Escritório do Crime.


Dezembro/2018

- Em entrevista ao jornal ‘O Estado de São Paulo’, o então secretário de Segurança do Rio de Janeiro, general Richard Nunes, afirmou que Marielle foi morta por milicianos que viam nela uma ameaça aos negócios de grilagem de terras na zona Oeste do Rio. A fala de Nunes veio um dia após operação malsucedida para prender suspeitos de envolvimento no crime. Nunes fazia parte do Gabinete de Intervenção na Segurança do Rio, que Marielle investigava quando foi morta.

A tese de Nunes nunca foi comprovada.


Janeiro/2019

- Em 22 de janeiro, a operação ‘Os Intocáveis’ levou cinco pessoas presas, entre elas, um major da PM e um tenente reformado, todos integrantes da milícia de Rio das Pedras, uma das mais antigas do Estado do Rio. Agentes da Polícia Civil consideraram a prisão do major Ronald Paulo Alves Pereira estratégica para a investigação. Eles suspeitavam da participação dele na morte da vereadora, mas não especificaram qual seria o nível de envolvimento.

Até agora, não ficou provada ligação do major com o caso.


Março/2019

- Em 12 de março, dois dias antes de o crime completar um ano, a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, apontado como o autor dos disparos, e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz, que dirigia o carro que perseguiu Marielle. Ambos estão na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

- O titular da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, Giniton Lages, é afastado do caso logo após a prisão dos executores de Marielle e Anderson. Seu substituto é Daniel Rosa. No momento, foi informado que o então delegado seria afastado para fazer um intercâmbio na Itália e que seu papel na investigação tinha sido cumprido.

- A força-tarefa que chegou a Ronnie e Elcio analisou 700 gigabytes de dados, entre a atividade de 33 mil linhas telefônicas, a varredura de todos os carros de um mesmo modelo e históricos de busca na internet. Assim, a polícia descobriu que Ronnie pesquisou na internet, durante três meses, locais que eram frequentados por Marielle e informações sobre a submetralhadora MP5, além de silenciadores para esta arma.

- A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou 117 fuzis incompletos, do tipo M-16, na casa de um amigo do policial militar Ronnie Lessa no Méier, na zona Norte do Rio.

- No final do mês de março, pescadores da zona Oeste confirmaram ao portal G1 que a Polícia Civil foi até o local de onde, segundo a denúncia, um barco saiu para fazer o descarte das armas no dia 14 de março, exatamente um ano após a morte da vereadora e seu motorista. Testemunhas também presenciaram o embarque de caixas de papelão, bolsas e malas no dia do descarte descrito pela denúncia. De acordo com uma informação que havia sido repassada à polícia, as armas teriam sido tiradas da casa onde Lessa montava os fuzis, no Pechincha, também na zona Oeste do Rio, dois dias depois da Operação Lume - na qual Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz foram presos.


Julho/2019

- A Polícia Civil do Rio pediu ajuda à Marinha para realizar novas buscas na região onde a arma teria sido descartada. No entanto, a submetralhadora usada no crime, jamais foi encontrada.


Setembro/2019

- Surgem, novamente, acusações de possíveis interferências na investigação. Em 17 de setembro, seu último dia como procuradora-geral da República, Raquel Dodge informa que apresentou denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra cinco pessoas por interferência nas investigações do assassinato da vereadora e do motorista. Fora denunciados um conselheiro afastado do TCE-RJ e um funcionário do gabinete dele, um policial militar e a advogada dele, e um policial federal. Dodge também pediu ao tribunal a abertura de um novo inquérito para apurar os mandantes do crime e solicitou a federalização da investigação dos mandantes do crime.


Outubro/2019

- A polícia afirma que parentes de Ronnie participaram do descarte da arma do atentado em alto-mar — entre elas, a mulher e o cunhado do PM reformado. Eles foram presos no dia 3 de outubro, na Operação Submersus, junto com outras duas pessoas.

- Uma reportagem do Jornal Nacional revelou um depoimento de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde morava Ronnie Lessa, executor de Marielle e Anderson, e o atual presidente da república, Jair Bolsonaro. No depoimento, o porteiro disse que alguém da casa 58 (casa de Bolsonaro) havia liberado a entrada de Élcio Queiroz (motorista do carro que perseguiu Marielle). Bolsonaro era deputado federal à época e havia marcado presença na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia. Mais tarde, uma perícia no áudio atestou que, na gravação do condomínio a voz do porteiro que liberou a entrada era diferente da voz do porteiro da reportagem e que a entrada de Élcio havia sido autorizada por Ronnie e não pela casa 58.


Fevereiro/2020

- Adriano da Nóbrega, um dos denunciados da ‘Operação Intocáveis’ é morto em confronto com a polícia da Bahia. Na época, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia afirmou que Adriano era suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle e Anderson. A morte do miliciano mobilizou familiares das vítimas e figuras públicas, pois meses antes foi levantado um possível envolvimento da família Bolsonaro, vizinha de Ronnie Lessa. Além disso, Adriano da Nóbrega fora homenageado algumas vezes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pelo ex-deputado estadual, Flávio Bolsonaro. No entanto, de acordo com o G1, apesar dos fatos, o envolvimento da família do presidente foi descartado até o momento, assim como do Escritório do Crime.

Março/2020

- No dia 10, a Justiça do Rio determinou que o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz sejam julgados por júri popular pelas mortes de Marielle e Anderson. Eles respondem por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emboscada e sem dar chance de defesa às vítimas. Os advogados informaram, na ocasião, que iriam recorrer. A decisão da Justiça também mantém Ronnie e Élcio no presídio federal de segurança máxima de Porto Velho, em Rondônia.

- No primeiro #MarçoPorMarielleEAnderson o Instituto Marielle Franco inaugura a Casa Marielle, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, e realiza programação com foco na visibilidade de mulheres negras, periféricas e LGBTQIA+.


Abril de 2020

- Conforme reportagem da revista Veja, depois que foi registrado pela imprensa que o porteiro do condomínio de Bolsonaro mentiu em depoimento, a suposta relação do clã presidencial com o caso caiu em esquecimento – principalmente devido ao sigilo das investigações do caso de duplo homicídio mais complexo do país. Houve, no entanto, a famosa declaração do presidente no dia 24 de abril, resultando na saída do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. Segundo ele, desde agosto do ano anterior, o ex-diretor da Superintendência da Polícia Federal do Rio, Mauricio Valeixo, estava sendo assediado por Bolsonaro para deixar o cargo. Bolsonaro alegou que procurou a PF quando soube da notícia de que seu filho Jair Renan teria, supostamente, namorado a filha de Lessa. No pronunciamento oficial, declarou que seu filho disse que ‘saiu com metade do condomínio’ Vivendas da Barra.  ‘E aí eu fiz um pedido para a Polícia Federal, quase com um por favor’: chegue em Mossoró e interrogue o ex-sargento.  Foram lá, a PF fez o seu trabalho, interrogou e está comigo a cópia do interrogatório, onde ele diz simplesmente o seguinte: a minha filha nunca namorou o filho do presidente Jair Bolsonaro, a minha filha sempre morou nos Estados Unidos’, disse o presidente. Entretanto, tal depoimento jamais foi revelado ao público e é alvo de questionamentos das famílias de Marielle e Anderson em dossiê lançado no dia 12 de março. 


Maio/2020

- Superior Tribunal de Justiça (STJ), no dia 27, rejeitou por unanimidade a federalização da investigação sobre a morte da vereadora e de seu motorista. Uma eventual federalização permitiria que a apuração do assassinato saísse da esfera estadual e fosse para a esfera federal, na qual Polícia Federal e Ministério Público Federal dariam continuidade. Com a decisão do STJ, o crime continua sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

- O ex-governador Wilson Witzel é acusado de fazer interferências no caso Marielle e Anderson. Em entrevista ao jornal ‘Folha de São Paulo’, Witzel disse que sugeriu ao delegado responsável à época pelo caso, Giniton Lages, que prendesse imediatamente os executores do crime, ainda que sem o esclarecimento sobre a existência de um eventual mandante.


Junho/2020

- A operação do Ministério Público e da Polícia Civil deflagrada em 10 de junho prendeu o bombeiro Maxwell Simões Corrêa, de 44 anos, conhecido como Suel. O Ministério Público do RJ afirma que Suel ‘atrapalhou de maneira deliberada’ as investigações sobre o atentado contra Marielle. Suel foi identificado como braço direito de Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos no atentado. A investigação também apontou que Suel ajudou a sumir com as armas usadas para matar Marielle e Anderson. Suel foi preso em casa, uma mansão de três andares num condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na zona Oeste do Rio. Na porta da residência, avaliada em R$ 1,9 milhão, foi apreendida uma BMW X6 de pelo menos R$ 170 mil.

- A polícia afasta participação do Escritório do Crime da participação na execução de Marielle e Anderson. Responsável pela investigação, o delegado Daniel Rosa afirmou que o grupo miliciano não tem ligação com o atentado: ‘O Escritório do Crime foi investigado, mas não foi responsável pela morte da vereadora. O Ronnie Lessa, apesar de ter uma certa aproximação, nós não temos esse dado de que ele teria integrado o Escritório do Crime’, explicou o delegado.


Setembro/2020

- Mais uma vez, caso muda de delegado. Em agosto de 2020, o governador Wilson Witzel foi afastado do cargo pela Justiça e seu vice, Cláudio Castro, assumiu como governador interino. Castro nomeou Allan Turnowski como novo secretário da Polícia Civil, ele por sua vez, logo anunciou a saída de Antônio Ricardo Nunes da chefia do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), que foi assumida por Roberto Cardoso. O DGHPP comanda as delegacias de Homicídios da capital e da Região Metropolitana. Cardoso então trocou o delegado do caso Marielle e Anderson, Daniel Rosa, por Moisés Santana.


Outubro/2020

- Em agosto de 2020, a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, o STJ determinou que o Google disponibilizasse a lista de pessoas que pesquisaram na ferramenta de buscas o nome de Marielle e termos conexos pouco antes de seu assassinato. Em outubro de 2020 a empresa entrou com recurso junto ao STF na tentativa de revogar a ordem judicial. Até hoje essa lista não foi disponibilizada e essa listagem que poderia contribuir na investigação segue em sigilo.


Dezembro/2020

- Segundo reportagem da Veja, em dezembro, o Gaeco do MP Rio de Janeiro apontou que Eduardo Siqueira, morador da Muzema - comunidade dominada pelo Escritório do Crime em 2018, teria clonado um veículo do mesmo modelo no começo daquele ano, às vésperas da emboscada. Além disso, o advogado de Eduardo Siqueira, Bruno Castro, é o mesmo de Ronnie Lessa, acusado de ser o executor do crime.


Março/2021

- O Ministério Público do Rio de Janeiro anunciou medidas de reestruturação nos Grupos de Atuação Especializada e a volta das promotoras Simone Sibílio e Letícia Emile, que integravam a equipe que investiga o caso pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

- A Polícia trabalha com uma nova hipótese de motivação, que seria a tese de complô entre mandantes e intermediários na morte de Marielle. De acordo com fontes ouvidas pela VEJA, o crime poderia se tratar de uma vingança contra o PSOL, partido de Marielle e, na época, de seu amigo, o deputado federal Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias em 2008 na Assembleia Legislativa do Rio, quando indiciou 226 pessoas, entre deputados, vereadores, PMs e o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Álvaro Lins. Marielle era assessora de Freixo na época, mas não atuou diretamente nesta comissão.


Julho/2021

- Mais uma troca no comando das investigações foi feita. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) realocou Moysés Santana, que capitaneou o caso nos últimos dez meses, colocando-o na 18ª DP (Praça da Bandeira). O novo titular das investigações é o delegado Henrique Damasceno, responsável pelo caso do menino Henry Borel, de 4 anos, assassinado pelo padrasto, o vereador cassado Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido). Os familiares não foram informados sobre a troca e demonstraram preocupação com mais essa mudança após 3 anos.

- Ronnie Lessa e outros 4 são condenados por destruição de provas.

- Simone Sibílio e Letícia Emile, promotoras do caso Marielle e Anderson, pedem afastamento voluntário, após indícios de ‘interferências externas’.

- Possível vazamento de informações e quebra de sigilo ameaçam a investigação do caso mais uma vez.


Fevereiro/2022

- A investigação da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes passa pela quinta mudança de delegado responsável. Edson Henrique Damasceno, titular da Delegacia de Homicídios da Capital, então responsável pelo caso, vai para a chefia do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP). Em seu lugar, assume o cargo o delegado Alexandre Herdy, até então titular da 10ª DP (Botafogo).

 

Fevereiro/2023

- O então ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anuncia abertura de inquérito da Polícia Federal para investigar assassinatos.

 

Março/2023

MP do Rio define novos promotores do caso Marielle Franco. São eles: Eduardo Morais Martins, Paulo Rabha de Mattos, Patrícia Costa Santos, Glaucia Rodrigues Torres de Oliveira Mello, Pedro Eularino Teixeira Simão, Mario Jessen Lavareda e Tatiana Kaziris de Lima Augusto Pereira.

 

Julho 2023

- Prisão do ex-bombeiro Maxwell Corrêa, fruto de delação premiada do ex-policial militar Elcio Queiroz, preso desde 2019 por suspeita de participação no crime.

 

Novembro 2023

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, é indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), deixando o cargo e a promessa de solucionar o caso Marielle Franco.

 

Dezembro 2023

Ronnie Lessa firma acordo de delação premiada.


Janeiro 2024

Ex-vereador, empresário, deputado estadual do Rio de Janeiro por cinco mandatos consecutivos e conselheiro vitalício do Tribunal de Contas do estado (TCE-RJ), Domingos Brazão, é apontado por Ronnie Lessa como mandante do assassinato.



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