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Adeus a Edy Star, o primeiro artista glam da MPB e ícone da liberdade queer

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • 24 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Morre aos 87 anos o cantor, compositor, ator e performer baiano Edy Star, primeiro artista brasileiro a assumir publicamente sua homossexualidade. Símbolo da contracultura, Edy desafiou normas de gênero e sexualidade com ousadia e irreverência, deixando um legado vibrante de resistência e arte.


A música brasileira perdeu nesta quinta-feira (24) uma de suas estrelas mais reluzentes e corajosas. Morreu em São Paulo, aos 87 anos, o cantor, compositor, ator e performer Edy Star, vítima de complicações clínicas decorrentes de insuficiência respiratória, insuficiência renal aguda e pancreatite aguda, após sofrer um acidente doméstico. A morte ocorreu de forma serena, em ambiente hospitalar, encerrando a trajetória de um artista que jamais se curvou aos rótulos.


Nascido Edivaldo Souza em Juazeiro, na Bahia, no dia 10 de janeiro de 1938, Edy Star foi um artista multifacetado: cantor, compositor, ator, dançarino, produtor teatral, apresentador de televisão e artista plástico. Sua carreira começou ainda na adolescência, no programa “A Hora da Criança”, da Rádio Sociedade da Bahia. Desde cedo, manifestava o espírito livre que guiaria toda sua existência.


Sua figura tornou-se nacionalmente conhecida nos anos 1970, quando integrou o álbum “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10” (1971), ao lado de Raul Seixas, Miriam Batucada e Sérgio Sampaio. O disco, considerado um marco da música brasileira por seu experimentalismo e irreverência, colocava Edy em destaque com performances que fundiam rock, teatro de revista e crítica social. Foi também nos anos 1970 que Edy gravou seu primeiro disco solo, “...Sweet Edy...”, com repertório assinado por nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto e Erasmo Carlos. O trabalho mergulhava no universo do glam rock, então efervescente no exterior, e que encontrou em Edy uma expressão tropical, desafiadora e absolutamente singular.


Edy Star foi o primeiro artista brasileiro a se assumir publicamente homossexual, em uma entrevista à revista Fatos & Fotos em 1975, no auge da ditadura militar. A revelação lhe custou caro: censurado por três anos, foi impedido de aparecer na televisão ou nos jornais, ao lado de outros artistas dissidentes como Ney Matogrosso e Maria Alcina. Mas não se calou. Suas apresentações, com figurinos extravagantes e gestualidades femininas, seguiam rompendo com as convenções e ecoando resistência.


Em sua extensa trajetória, Edy transitou pelos palcos do Brasil e da Europa. Viveu por quase duas décadas na Espanha, onde atuou como produtor cultural e artista de boate. No retorno ao país, lançou dois novos álbuns: “Cabaré Star” (2017), produzido por Zeca Baleiro, e “Meu Amigo Sérgio Sampaio” (2023), uma homenagem ao velho parceiro da “Kavernista”.


Entre seus parceiros e admiradores estavam nomes como Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Lafond, Elke Maravilha, Gal Costa e Filipe Catto. Sua história foi registrada em “Eu Só Fiz Viver: A História Oral Desavergonhada de Edy Star”, livro escrito por Ricardo Santhiago com a colaboração de Igor Lemos Moreira e Daniel Lopes Saraiva. No cinema, teve sua trajetória retratada no documentário “Antes que Me Esqueçam, Meu Nome é Edy Star”, dirigido por Fernando Moraes Souza.


Até os últimos anos de vida, Edy mantinha sua arte e sua irreverência em alta. Em sua última entrevista, concedida ao projeto Planeta FODA, revelou-se lúcido, provocador e apaixonado pela vida: “Depois de duas tentativas de suicídio e um câncer, tudo é lucro”, disse, com a graça que sempre o acompanhou.



 
 
 

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