Dia de Iemanjá do Arpoador entra para o calendário oficial do Rio e projeta público recorde em 2026
- Pimenta Rosa
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Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial, celebração gratuita acontece nesta segunda-feira (02), com cortejo, giras de umbanda, shows, acessibilidade e expectativa de 30 mil pessoas. A véspera, no domingo (1º) também terá atividades.

O Dia de Iemanjá do Arpoador chega a 2026 consolidado como um dos maiores eventos afro-religiosos de rua do Rio de Janeiro. Após reunir mais de 25 mil pessoas em sua quarta edição, no ano passado, a celebração retorna no próximo dia 2 de fevereiro, uma segunda-feira, das 10h às 22h, no tradicional trecho da Praia de Ipanema, com uma programação gratuita que une fé, cultura, memória e sustentabilidade.
Esta será a primeira edição após o reconhecimento oficial do Dia de Iemanjá do Arpoador como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, em lei sancionada em janeiro de 2026. No mesmo período, a festividade também passou a integrar o calendário oficial do Rio, fortalecendo políticas públicas de salvaguarda da cultura de matriz africana e consolidando o crescimento exponencial do evento, que ganhou projeção nacional e internacional a partir de 2023.
Idealizada por Marcos André, a festa reúne manifestações religiosas, musicais e culturais ao longo de todo o dia. Estão confirmadas atrações como Afoxé Filhos de Gandhi, Samba de Caboclo, Jongo do Vale do Café, Nina Rosa, Ogan Cotoquinho, Tião Casemiro, Pai Dário, Companhia de Aruanda, Orin Dudu, Ilê Axé Onixêgun, além da Feira Crespa, com gastronomia e afroempreendedorismo no Parque Garota de Ipanema.
A programação mantém rituais tradicionais que marcam a identidade do evento. Haverá giras de umbanda na areia, com caboclos e pretos-velhos oferecendo passes ao público, surfistas locais levando flores à Rainha do Mar e, ao final do dia, um mutirão de limpeza do Arpoador. A organização reforça o pedido para que todas as oferendas sejam biodegradáveis. “É uma saudação à morada de Iemanjá e às forças da natureza. Somente flores e frutas devem ser oferecidas”, orienta Pai Dário, do Ilê Axé Onixêgun.
Segundo Marcos André, a celebração também cumpre um papel histórico de reparação e memória. Ele relembra que a festa carioca para Iemanjá, criada por terreiros de umbanda nas praias da Zona Sul e liderada pelo pai de santo e sambista Tata Tancredo, em 31 de dezembro, deu origem a práticas hoje associadas ao Réveillon de Copacabana, como vestir branco, jogar flores no mar e pular sete ondas.
Com o crescimento dos megaeventos, os terreiros foram afastados das praias - cenário que o Dia de Iemanjá do Arpoador busca reverter desde 2022.
“A celebração devolve essa vivência popular à Zona Sul e dá visibilidade à enorme contribuição da população negra na formação da identidade carioca e brasileira”, afirma Marcos.
Em janeiro de 2026, o prefeito Eduardo Paes anunciou a instalação de uma estátua de Tata Tancredo em Copacabana, reforçando o reconhecimento institucional da memória afro-religiosa.
A expectativa de público para este ano é de cerca de 30 mil pessoas. Em 2023, quando a festa estreou, eram esperadas mil pessoas; ao final do dia, mais de 10 mil ocupavam o Arpoador. Em 2025, o evento já havia reunido cerca de 25 mil participantes, tornando-se, segundo os organizadores, o maior evento afro-religioso de rua da história do Rio.
Em 2026, por cair em uma segunda-feira, o cortejo principal foi programado para a parte da tarde. A concentração começa às 15h, aos pés da estátua de Tom Jobim, com saída às 16h em direção ao Arpoador, levando as oferendas para Iemanjá. A programação segue até as 22h, com rodas de jongo, samba, afoxé e giras de umbanda nas areias.
A véspera, no domingo, 1º de fevereiro, também terá atividades. Às 18h, o Afoxé Filhos de Gandhi do Rio realiza a tradicional Lavagem do Arpoador, seguida da apresentação do Bloco Afro de Madureira Lemi Ayó. No mesmo dia, o artista Rogean constrói uma escultura gigante de areia de Iemanjá, que ficará exposta durante toda a celebração.
O evento contará ainda com ações de acessibilidade. O projeto Praia Para Todos disponibilizará cadeira anfíbia e monitores especializados para garantir a participação de pessoas com deficiência nas atividades à beira-mar.
Realizado pelo Instituto Floresta, Samba Jongo, Rede de Patrimônio Imaterial do Estado do Rio e Marcos André, o Dia de Iemanjá do Arpoador tem patrocínio do Governo Federal, por meio do Ministério da Igualdade Racial, da Prefeitura do Rio — via Casa Civil e Secretaria Municipal de Cultura — e apoio de instituições parceiras.
Programação completa:
10h às 22h - Feira Crespa - gastronomia, moda e artesanato - Parque Garota de Ipanema - Arpoador
11h - Roda de ritmos e danças do Candomblé com grupo Orin Dudu e lideranças religiosas
15h - Concentração do cortejo na estátua do Tom Jobim
16h - Cortejo com oferendas liderados por Ogan Cotoquinho, Pai Dário e Ilê Axé Onixêgun
16h30 - Entrega do Presente às Águas na Pedra do Arpoador
17h - Ciranda, coco e samba de roda com Companhia de Aruanda Jongo do Vale do Café, Tia Ira Rezadeira, Afoxés Filhas de Gandhy e Ore Lailai e Yza Diordi / Oferendas de flores no mar pelos surfistas / Festival de Curimbas com Pai Caio Bayma e Casa Kalundú
17 às 21h - Giras de umbanda na areia com 20 terreiros e Instituto Carta Magna da Umbanda
19h30 - Roda de umbanda com Tião Casemiro
20h - Show com o grupo Samba de Caboclo. Participação especial: Nina Rosa e Marcos André
21h30 - Mutirão de limpeza das praias e pedras com o público com a equipe da Pedra do Arpoador Conservação
22h - Encerramento




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