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  • Foto do escritorPimenta Rosa

Antonia Moreira: uma jornada de reconhecimento internacional na luta pela diversidade LGBTQIAPN+

Analista de Marca e Colíder do Grupo de Ação LGBTQIAPN+ na CI&T compartilha sua inspiradora trajetória e projetos de impacto.



Antonia Moreira, Analista de Marca e Colíder do Grupo de Ação LGBTQIAPN+ na CI&T, é uma profissional versátil e uma ativista comprometida cuja notável trajetória a conduziu a um reconhecimento internacional notável. Ela participou do programa Human Rights Advocates da Columbia University e foi indicada ao Prêmio Excelência LGBTQI+ pela Out & Equal. Em entrevista exclusiva para o Jornal Pimenta Rosa, exploraremos a cativante jornada de Antonia, seus projetos impactantes na CI&T e seu firme compromisso com a promoção da diversidade, equidade e inclusão para a comunidade LGBTQIAPN+. Vamos descobrir como suas iniciativas não apenas reconhecem, mas também amplificam a humanidade e os direitos dessas comunidades.


Conte-nos um pouco de sua história. Como chegou à direção de estratégia do Ateliê TRANSmoras, ser fellow do 2022-23 Human Rights Advocates Program da Columbia University, em Nova York e a indicação ao Prêmio Excelência LGBTQI+ pela Out & Equal?

Eu nasci em Lins, uma cidade de 79 mil habitantes no interior de São Paulo. Me mudei para Campinas no dia do meu aniversário de 18 anos em 2014. Eu conquistei uma bolsa pelo ProUni na PUC-Campinas e saí de casa para estudar. Meus pais, imigrantes nordestinos, sempre valorizaram muito o investimento em educação, e eles me apoiaram nessa transição. Eu também estava ansiosa para sair do interior e explorar novas formas de me relacionar, comigo mesma e com os outros.

Ao longo da graduação em publicidade, eu descobri um novo mundo, tanto pelo lado de todas as possibilidades que se abriram, quanto pela descoberta do racismo e da homofobia. Entender meu corpo em um lugar privilegiado e extremamente embranquecido me trouxe uma grande consciência acerca do meu lugar na sociedade, e enfatizou os incômodos que eu tinha com minha identidade e expressão de gênero. Nos primeiros meses após finalizar a graduação em 2018, buscando nomear aqueles incômodos, eu me encontro com o Ateliê TRANSmoras. Lá foi o lugar que eu construí Antonia, iniciei minha transição de gênero aos 21 anos, e me desenvolvi enquanto profissional. Quando notei, era uma ‘ativista’.

No começo, apliquei alguns conhecimentos advindos da formação em Comunicação Social, aprendi, ouvi, e dialoguei muito. Com o tempo, minha confiança e autoconhecimento aumentaram, e eu passei a liderar projetos. Em 2020, nós fomos contempladas por um edital pela primeira vez, e com a pandemia tivemos que mudar totalmente a proposta apresentada. Então, eu liderei a digitalização da nossa formação em moda, artes e empreendedorismo social para pessoas trans e travestis. Foi um sucesso. Essas experiências de liderança me levaram a ser aprovada no programa Human Rights Advocates Program da Universidade Columbia em Nova York, que seleciona ativistas de todo o mundo a cada ano para capacitá-los em advocacy, captação de recursos global, networking, segurança psicológica, entre outros temas.

Essa jornada me fez entender meu propósito, sabe? Provocar mudanças sociais positivas a partir de novas epistemologias, ou seja, novos modos de pensar e estar no mundo. Em cada lugar que eu entro, eu trago essa potência. Na CI&T não é diferente. Eu co-liderou o grupo de ação LGBTQIAPN+, e sou membra do grupo de pessoas negras. O trabalho interno de sensibilização e avanço da pauta de Diversidade, Equidade e Inclusão me levaram a ser indicada por pessoas da empresa ao prêmio de Excelência LGBTQI+ da Out & Equal. Não levamos essa, mas fico imensamente feliz pelo reconhecimento interno e por ter sido indicada ao meu primeiro prêmio com só 27 anos.


Como surgiu a ideia do projeto ‘Meu nome, Meu Direito’?

Uma das principais dores de uma pessoa trans entrando no mercado de trabalho é o pleno reconhecimento da sua identidade de gênero. Embora seja possível alterar nosso nome e gênero em documentos civis sem ação judicial, a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal em 2018, esse processo ainda é custoso, em termos de tempo e dinheiro. A representação trans na CI&T vinha aumentando e, em 2021, ao lado de Pietro Henrique, cofundei o grupo de afinidade trans. Uma das demandas do grupo foi o apoio da empresa a retificação de nome e gênero.

Nós já tínhamos um processo bastante inclusivo com nome social, foi na CI&T que eu recebi meu primeiro cartão com o nome Antonia, por exemplo. Mas sentíamos que precisávamos dar um passo a mais, pois alguns de nossos fornecedores, como operadoras de plano médico, não tinham sistemas preparados para registrar o nome social e apresentá-lo ao longo de toda a jornada do cliente. Entendemos, então, que era mais prático apoiar nossas pessoas a retificar, garantindo a elas acesso a esse direito básico: o nosso nome. A organização Casa Neon Cunha está nos ajudando com todo o operacional e sua expertise na área. Já temos 4 pessoas trans com processo iniciado, e 6 vagas disponíveis até o final do ano.


A senhora também é idealizadora de outro projeto na CI&T, o Unfold Diversity, um programa de conteúdo em videocast com storytelling para descomplicar conceitos de DE&I. Poderia falar mais sobre este projeto?

Por favor, me chame de você! Ou senhorita (risos). Eu sou co-idealizadora, na CI&T nosso espírito é extremamente colaborativo, e com a pauta de DE&I não seria diferente. O Vic Marchiori, gerente sênior de inovação em pessoas e colíder do grupo também, me chamou para aplicar uma oficina em linguagem inclusiva para toda a antiga camada de Business Partners no Brasil, um grupo de pessoas que era responsável pela carreira dos talentos da CI&T e o desenvolvimento de líderes. A iniciativa foi exitosa, e se integrou bem às demandas por mais educação e sensibilização em temas de DE&I na empresa. Depois dessa ação, nos conectamos com outros grupos de ação da CI&T; o de pessoas negras, com deficiência e mulheres, e passamos a entender quais eram as demandas por sensibilização corporativa dentro desses grupos.

Foi assim que nasceu o Unfold Diversity, em formato de videocast, onde trazemos especialistas internos e externos para uma conversa franca, madura e segura sobre a diversidade. O nosso foco era avançar a agenda interna, então temos um pouco de Letramento sim, ou seja, o que é o quê, mas conforme os episódios avançam nós vamos aprofundando as discussões, e trazendo elementos de storytelling: experiências reais que traduzem conceitos às vezes difíceis de entender ou mal interpretados, como interseccionalidade, capacitismo, lugar de fala ou linguagem inclusiva. Nós já temos uma temporada lançada, a segunda gravada e em planejamento de lançamento, e pretendemos ainda publicar externamente para todo o nosso público e produzir uma terceira temporada global.


Qual a sua importância nesses projetos para a comunidade LGBTQIA+?

Nós precisamos entender que ao falar de Diversidade, Equidade e Inclusão, nós estamos também falando sobre um futuro melhor, e nos recusando a manter as mesmas estruturas opressoras do passado e presente. Eu trago aqui um dos sócios da CI&T, Bob Wollheim, que prega que devemos fazer porque é o certo. Ou seja, é uma posição afirmativa no mundo. É mais do que apenas “diversidade é mais lucro”. Isso está dado. A criatividade se expande quando temos pessoas de backgrounds diferentes na mesma sala. Mas nós também estamos falando de políticas afirmativas, de reparação. Vivemos séculos de escravidão, e outros tantos séculos de vilanização de pessoas que hoje se consideram LGBTQIAPN+.

Nós travestis e pessoas trans, em especial, passamos por um forte apagamento e patologização de diversas instituições, incluindo a medicina. Sempre falaram por nós. Esse tipo de projeto, desenvolvido dentro de uma companhia, legitima nossa existência, faz mais do que apenas “incluir”, como nos eleva à categoria de humanidade. De plena humanidade. Isso é essencial para a comunidade LGTBQIAPN+ sentir que está no lugar certo.

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