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Arte contemporânea ganha novo território na Zona Leste de São Paulo

Foto do escritor: Pimenta Rosa
Pimenta Rosa
há 19 horas
4 min de leitura

Centro Cultural SESI Itaquera inaugura sua programação com House of avaf, instalação monumental que transforma a obra do coletivo em um labirinto de cores, imagens, política e fantasia



A arte contemporânea ganha um novo endereço em São Paulo — e ele está na Zona Leste. A partir do próximo sábado (19), o recém-criado Centro Cultural SESI Itaquera, na Vila Carmosina, abre suas portas ao público propondo uma experiência que ultrapassa os limites convencionais de uma exposição. Ao lado da Neo Química Arena, o novo equipamento cultural inaugura sua programação de Artes Visuais com House of avaf (2026), instalação inédita do coletivo assume vivid astro focus (avaf).


Em vez de simplesmente apresentar obras em paredes ou vitrines, avaf transforma o próprio espaço expositivo em obra. São 63 cartas de baralho ampliadas, sobrepostas e articuladas como uma arquitetura fantástica, que cria um labirinto tridimensional para ser percorrido, descoberto e, sobretudo, experimentado.


A referência vem de House of Cards (1952), projeto dos designers norte-americanos Charles e Ray Eames, mas ganha nas mãos de avaf uma dimensão radicalmente contemporânea. A estrutura, originalmente associada ao jogo, à construção e ao equilíbrio, converte-se em território de cor, imagem, desejo e movimento.


O resultado é uma espécie de universo paralelo em que pintura, néon, tapeçaria, vídeo, papel de parede e performance convivem sem hierarquia. A instalação reúne fragmentos de mais de 20 anos de produção do coletivo, reorganizados em uma experiência imersiva que convida o visitante a abandonar a posição passiva de espectador.


Um labirinto para sentir

A intensidade cromática é um dos elementos centrais de House of avaf. A instalação utiliza uma paleta baseada em um pantone com mais de 1.400 tonalidades de tinta acrílica, resultado de uma década de pesquisa pictórica desenvolvida pelo coletivo.

As cores não funcionam apenas como acabamento. Elas ocupam o espaço, criam atmosferas e modificam a percepção do visitante. O público entra na obra e passa a fazer parte de sua composição.


Para a curadora Lia Vissotto, a experiência está justamente na possibilidade de se deixar conduzir pelas sensações provocadas pelo conjunto.


“Não se trata de se achar ou se perder, mas sobretudo de se deixar sentir e celebrar.”

A escolha de avaf para inaugurar o programa de Artes Visuais do Centro Cultural SESI Itaquera também revela uma intenção institucional: apresentar ao público da região uma produção contemporânea que dialoga com diferentes campos da cultura e não exige do visitante uma postura contemplativa tradicional.


“Ao trazer esse universo para uma linguagem contemporânea, marcada pela sobreposição de cores, formas, imagens e diferentes referências visuais, avaf propõe um espaço para ser percorrido, vivido e apropriado pelo público”, afirma Taís Lara, diretora do Centro Cultural.


Quando a arte ocupa o território

A instalação chega a Itaquera em um momento simbólico para a cultura paulistana. A criação de um novo equipamento cultural na Zona Leste amplia a circulação da produção contemporânea para além dos circuitos tradicionalmente concentrados nas regiões centrais da cidade.


Nesse sentido, House of avaf não é apenas uma exposição inaugural. É também uma declaração de princípios sobre o que significa abrir um centro cultural em um território marcado por uma população numerosa, diversa e historicamente carente de equipamentos culturais de grande porte.


A proposta do SESI-SP é aproximar arte e público por meio de uma programação gratuita e diversificada. No caso de House of avaf, essa aproximação acontece por meio de uma experiência sensorial que privilegia a descoberta e a participação.


Cor, identidade e provocação

Desde sua criação, em 2001, o assume vivid astro focus constrói uma trajetória marcada pela mistura de linguagens e pela investigação de códigos culturais. Instalações, pinturas, desenhos, vídeos, esculturas, néons e papéis de parede integram uma produção que frequentemente atravessa questões de gênero, política, identidade e comportamento.


O coletivo já apresentou trabalhos em instituições como MoMA, Centre Pompidou, Tate Modern, Whitney Museum, Museo Reina Sofía e Barbican Centre, além de importantes museus brasileiros, como MASP e MAM São Paulo.


A presença de avaf no novo centro cultural paulistano aproxima, portanto, uma produção reconhecida internacionalmente de um público que passa a ter acesso gratuito a uma experiência artística de grande escala.


É uma escolha que combina impacto visual e reflexão: por trás da explosão de cores, há uma investigação permanente sobre os códigos que organizam a sociedade e sobre a maneira como imagens, desejos e identidades são construídos.


Um novo capítulo para a cultura em Itaquera

A inauguração do Centro Cultural SESI Itaquera integra a expansão da rede cultural do SESI-SP, que mantém espaços dedicados às artes visuais, música, teatro, dança, circo, audiovisual e literatura em diferentes regiões do Estado.


A nova unidade nasce, assim, com uma missão que vai além de oferecer programação. Trata-se de criar um lugar de encontro entre artistas, obras e comunidades, estabelecendo uma relação mais próxima entre produção cultural contemporânea e território.


Ao transformar cartas em paredes, imagens em caminhos e pintura em arquitetura, House of avaf inaugura esse percurso de maneira coerente com a proposta: não apenas olhar a arte, mas entrar nela.


E, talvez, seja justamente aí que esteja a força da exposição. Em um tempo marcado por imagens que passam rapidamente pelas telas, avaf propõe algo quase físico: parar, caminhar, olhar, sentir e ocupar.



Serviço

House of avaf — assume vivid astro focus (avaf)

  • Período: 20 de setembro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027

  • Local: Centro Cultural SESI Itaquera

  • Endereço: Avenida Miguel Ignácio Curi, 2438, Vila Carmosina, São Paulo – SP, 08295-005, ao lado da Neo Química ArenaV

  • isitação: terça, quinta, sexta e sábado, das 10h às 19h; quarta e domingo, das 10h às 15h

  • Entrada: gratuita

  • Classificação: livre para todos os públicos

  • Reserva: não é necessário reservar ingresso

  • Curadoria: Lia Vissotto

  • Projeto cenográfico: Tiago Guimarães

  • Direção geral: Julia Borges Araña

  • Produção: Phi Projetos e Cinnamon

 
 
 

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