AS ELEIÇÕES NO BRASIL E O MUNDO EM GUERRA


*Eduardo Papa
Vivemos hoje um grande conflito mundial que irá mudar completamente a ordem política e econômica que conhecemos, e mexer com a vida de todos os habitantes do planeta. No centro dessa terceira guerra mundial está o declínio do Império Estadunidense, ameaçado pela ascensão econômica da China. E o pano de fundo é a exaustão do modelo econômico neoliberal, provocando uma reação violenta do grande capital internacional, que passou a fomentar movimentos políticos de extrema direita.
Os EUA, ao adotarem a política econômica neoliberal, nos anos 70, destruíram o “american way of life” do pós guerra que o mundo via no cinema, aquela classe média pujante que morava em belas casas e andava de cadillacs não existe mais. Para deixar de sustentar esse modelo, as empresas industriais americanas transferiram suas fábricas para a Ásia em busca de mão de obra barata, e deu certo, pois a participação dos salários na renda do país é a mesma desde 1970, o que significa que o capital embolsou todo o ganho de produtividade nos últimos 55 anos. As ruas das cidades industriais em que foi construído o poder dos EUA hoje vivem ocupadas por indigentes, vítimas da epidemia de uso do fentanil, que mata cem mil por ano.
Do outro lado do mundo, os chineses, sob a batuta de Deng Xiao Ping, se industrializaram e construíram uma economia pujante, que passou a disputar a liderança econômica mundial. O projeto da moderna rota da seda encontrou na Rússia um parceiro estratégico ideal para a formação de um poderoso bloco euroasiático, capaz de projetar influência em todo o sul global, construindo parcerias econômicas que tomam cada vez mais espaço de empresas dos EUA e seus aliados e organismos de cooperação econômica como os BRICS, que questionam a hegemonia econômica estadunidense. A determinação de tirar do dólar a condição de moeda de reserva global, conseqüência natural desse processo, surgiu como uma ameaça existencial ao modelo econômico dos EUA, e o império reagiu com violência.
Historicamente a guerra tem sido um elemento central para a construção da hegemonia dos EUA, onde o complexo industrial militar tem uma influência decisiva na tomada de decisões políticas e uma participação significativa no orçamento nacional, logo era mesmo previsível que seria esse o caminho. Na impossibilidade de enfrentar diretamente a China, a administração democrata de Obama/Biden achou que a Rússia era o lado mais fraco, e arrastou seus vassalos europeus para sustentar uma guerra de procuração na Ucrânia contra a Rússia. Trump do partido republicano, que venceu as eleições com a promessa do fim das “guerras eternas”, iniciou, com um ataque surpresa e uma sucessão de crimes de guerra, sua “Fúria Épica” contra o Irã, com o duplo objetivo: de apoiar as ambições expansionistas de seu aliado Israel, e privar a China de uma importante fonte de fornecimento de energia.
Até agora o desenrolar dos dois conflitos confirma a afirmação de Henry Kissinger, quando disse que ser inimigo dos EUA é muito perigoso, mas ser amigo pode ser mais ainda. A Ucrânia está em ruínas, metade de sua população fugiu do país (a maior parte para a Rússia), seu exército (que provou enorme capacidade) está em fase terminal de destruição e ao final da guerra será um Estado disfuncional, com seu povo vivendo uma séria crise humanitária. A Europa, forçada a deixar de comprar petróleo e gás da Rússia, para comprar GLP estadunidense quatro vezes mais caro, acabou com a competitividade se sua indústria e enfrentará um futuro de pobreza. Os aliados dos EUA no Golfo Pérsico, que pagaram bilhões aos EUA por proteção militar, estão sendo destruídos pelos mísseis iranianos, e seus monarcas, que por décadas acumularam fortunas incalculáveis, estão vendo pela frente um futuro incerto e duvidoso.
Milhões de pessoas nas regiões mais pobres do mundo morrerão de fome sem os grãos que não saem mais pelo Mar Negro e os fertilizantes que não saem mais pelo Golfo Pérsico, o próprio povo dos EUA vai sofrer com aumento do custo de vida, mas nada vai mudar a aposta do império no caos e na destruição, pois as petroleiras e a indústria bélica dos EUA estão faturando horrores. Os Senhores da Guerra de wall Street sabem que estão perdendo espaço econômico no mundo, que sua hegemonia militar acabou, e vão tentar extrair de onde puderem os recursos econômicos e a força política para reverter sua decadência. E é aí que nós entramos.
Já que não possuem mais a força militar avassaladora que tinham, vão investir pesado em conquistar países que não precisam invadir com seus exércitos para se apoderar de seus recursos naturais e econômicos. Vejam como Marco Rúbio operou na Venezuela! Quem diria hein! Aqueles milicos de lá com aquela marra de bolivarianos e coisa e tal, por um punhado de dólares venderam o país. E vejam que curioso, agora que querem que o Brasil vire uma Venezuela, nossa imprensa não fala mais sobre o país, como será que anda a democracia por lá, agora deve estar tudo legal né? Hoje estamos cercados de países em que foram eleitos governos de extrema direita, em processos eleitorais contaminados pela ação da CIA, em operação coordenada pelo argentino Fernando Cerimedo, ligado aos Bolsonaro e a Milei, preso recentemente na Bolívia por tentar assassinar a mulher, que escapou do atentado e revelou o esquema.
A implosão que André Mendonça está provocando no STF é uma continuidade da tentativa do golpe de Estado em que os generais fracassaram. O magistrado apostou alto, colocou sua carreira em jogo nessa condução facciosa do inquérito do Master, uma nova tentativa de lawfare, uma lava jato 2.0, que embora ocorra na mais alta corte do país e não em primeira instância, tem um enredo muito semelhante ao da chicana de Sérgio Moro. A mesma histeria dos jornalistas da Globo, os mesmos personagens dentro da polícia federal, até os personagens para enxovalhar são figurinhas repetidas como o Lulinha, que já foi dono da Oi, da Friboi, já teve Ferrari de ouro e agora foi escalado novamente como carniça para a imprensa marrom. Pouco importa que seu candidato seja medíocre, se perderem, vão questionar o resultado das eleições. Para o império de nada adianta vencer nessa miuçalha de países em nossas bordas, o grande prêmio é o Brasil, aqui estão as terras raras, os minerais críticos de que tanto necessitam, aqui está a Petrobrás que cobiçam desde que foi criada.
Fortes emoções aguardam os brasileiros nessa próxima eleição, onde muita coisa está em jogo no tabuleiro do xadrez da geopolítica mundial, mas, sobretudo, em nossas vidas. Caso venha a triunfar, de uma forma ou de outra, a escalada fascista dos traidores miseráveis da pátria brasileira, essa gente patética que veste a camisa da CBF, canta o hino nacional a plenos pulmões, chora em prantos junto com o menino Neymar após cada novo fracasso da seleção, mas leva o boneco do Trump para comemorar o sete de setembro e apóia agentes da CIA para governar o país, viveremos a desgraça de um retrocesso econômico brutal, além de amargar uma vergonha mundial de proporções bíblicas.
*Eduardo Papa - Colunista, professor, jornalista e artista plástico (www.mosaicosdeeduardopapa.com)





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