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DC Comics permite que Tim Drake, o terceiro Robin, assuma sua bissexualidade em HQ

Na edição mais recente de 'Batman urban legends' o fiel escudeiro de Batman assume sua bissexualidade, luta para salvar amigo e, ao final, aceita marcar um encontro



Ele sempre foi o assunto na roda dos super-heróis e, enfim, na mais recente edição do 'Batman urban legends' a DC Comics permitiu que Tim Drake, o terceiro Robin, o Menino Prodígio, assumisse sua bissexualidade. A história intitulada 'Sum of our parts' (com tradução livre de Soma de nossas partes) mostra o herói salvando o amigo Bernard de monstros poderosos e, ao fim da luta, aceitando um encontro amoroso com o amigo.


Fãs de histórias em quadrinhos comemoraram a decisão. O bancário Maurício Carmo, por exemplo, diz que esse movimento chama ao protagonismo milhões de jovens ao redor do mundo que, por não se enquadrarem nos padrões clássicos heterossexuais, ficavam à margem das histórias. Decisões como essa mostram que todos podem ser heróis, sem modelos.


'Muito bom a DC Comics atualizar a sua visão de mundo. Lembro que o sucesso do Homem Aranha, da Marvel, veio da editora dar protagonismo aos jovens nerds, tímidos e que se sentiam isolados. Acredito que, assim como o Aranha, mostrar que o heroísmo independe do gênero, vai dar um novo gás a milhões de jovens no mundo que sempre se viram sujeitados à margem', frisou Carmo.


Marvel foi pioneira


O primeiro personagem a assumir sua homossexualidade no universo HQ foi o canadense Jean-Paul Beaubier, conhecido como Estrela Polar, da Tropa Alfa. Criado em 1979, ele, em uma das aventuras, durante uma batalha com Mr Hyde, ele encontrou uma criança abandonada, que os exames mostraram ser soropositiva para o HIV. O herói decide adotá-la e convocar uma coletiva para falar de sua sexualidade.


A história do personagem toma forma quando Jim Shooter, então editor-chefe da Marvel, afirmou que a editora nunca teria heróis gays, Como forma de dar visibilidade a um grupo que sentia-se à margem da história, o roteirista e desenhista Jim Byrne sugeriu a homossexualidade de Estrela Polar, mas de forma bem sutil. Ao se tornar mais visível seu gênero, criaram uma história de que ele e a irmã, Aurora, eram elfos, o que daria uma imagem mais heterossexual ou neutra.


Beijo gay causou polêmica na Bienal do Livro do Rio


Em 2019, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro foi palco de uma ação da Prefeitura do Rio para recolher a edição da HQ 'Vingadores: A cruzada das crianças'. Segundo a determinação do então prefeito Marcelo Crivella, a revista apresentava um beijo gay entre os personagens Wiccano e Hulkling e foi considerado pela prefeitura como 'conteúdo sexual para menores'.


Na ocasião a Bienal afirmou ao jornal O Globo que 'dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor.'

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