top of page

Gareth Thomas traz campanha global ao Rio para combater o estigma do HIV por meio do esporte durante a AIDS 2026

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Ex-capitão da seleção de rugby do País de Gales participa da Conferência Internacional de AIDS e lidera ações em Ipanema e no Global Village para ampliar a informação, incentivar a testagem e enfrentar o preconceito




O esporte como ferramenta de transformação social, inclusão e combate ao preconceito será um dos destaques da 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), que acontece no Rio de Janeiro. O lendário ex-capitão da seleção de rugby do País de Gales Gareth Thomas desembarca na capital fluminense para apresentar a campanha global Tackle HIV, iniciativa que utiliza a força do esporte para desconstruir estigmas, ampliar o acesso à informação e incentivar o diálogo sobre o HIV dentro e fora dos campos.


Financiada e apoiada pela ViiV Healthcare, a campanha conta com o respaldo de personalidades como Sir Elton John e o Príncipe Harry e chega ao Brasil em um momento simbólico: a realização da maior conferência mundial sobre HIV justamente no país que registra a maior prevalência do vírus na América Latina.



De ídolo do rugby a voz mundial contra o estigma

Considerado um dos maiores nomes da história do rugby, Gareth Thomas disputou 100 partidas pela seleção de Gales e foi capitão dos tradicionais British & Irish Lions. Em 2009, tornou-se o primeiro jogador profissional da modalidade ainda em atividade a assumir publicamente sua homossexualidade, rompendo paradigmas em um esporte historicamente associado à masculinidade tradicional.


Dez anos depois, voltou aos holofotes ao revelar que vive com HIV. Desde então, transformou sua história pessoal em instrumento de conscientização, utilizando sua visibilidade para combater a desinformação e incentivar a realização de testes e o acesso ao tratamento.


"Desde que descobri que tenho HIV e iniciei a campanha Tackle HIV com a ViiV Healthcare, aprendi muito sobre o vírus e sobre como ele afeta as pessoas que vivem com ele", afirma Thomas. "Como nossas pesquisas demonstram claramente, o HIV ainda é mal compreendido e, por isso, o estigma persiste. Trazer a campanha para o Brasil é uma excelente oportunidade para continuarmos a educar sobre o HIV e a usar o poder do esporte para ajudar a mudar a percepção pública."



Esporte, inclusão e saúde caminham juntos

No Brasil, a campanha estabeleceu parcerias com o Instituto Cultural Barong, referência na prevenção ao HIV e na promoção da saúde sexual, além da Confederação Brasileira de Rugby, do Rio Rugby, da organização internacional Grassroot Soccer e da Coordenação de IST/AIDS da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.


A proposta é aproximar a discussão científica da realidade cotidiana por meio da prática esportiva, criando ambientes acolhedores para falar sobre prevenção, diagnóstico e enfrentamento ao preconceito.


Segundo Marta McBritton, presidente do Instituto Cultural Barong, embora os avanços científicos tenham transformado o HIV em uma condição crônica controlável, o preconceito continua sendo um dos maiores obstáculos para a prevenção e o tratamento.


"A ciência avançou de forma extraordinária nas últimas quatro décadas, mas o preconceito não acompanhou esse ritmo. Em muitas partes do mundo testemunhamos retrocessos que ameaçam direitos conquistados e reforçam o estigma relacionado ao HIV", destaca.



Programação aberta ao público

Durante a AIDS 2026, a campanha promoverá duas ações abertas à população. No dia 27 de julho, Gareth Thomas participa de um painel no Global Village, espaço comunitário oficial da conferência, ao lado de Marta McBritton, da atleta olímpica de rugby Raquel Kochhann e de Boyd Mkandawire, diretor da Grassroot Soccer na Zâmbia. O debate abordará o papel do esporte na transformação das atitudes em relação ao HIV e na redução do estigma.


Já no dia 29 de julho, a Praia de Ipanema receberá uma clínica gratuita de rugby conduzida por Gareth Thomas e atletas brasileiros. Paralelamente, equipes do Instituto Barong e da Secretaria Municipal de Saúde oferecerão orientações sobre prevenção, distribuição de informações e testes rápidos gratuitos para HIV.



Pesquisa revela persistência da desinformação

A chegada da campanha ao Brasil coincide com a divulgação de uma pesquisa internacional realizada pela Tackle HIV que revela um cenário preocupante de desconhecimento sobre o vírus.


Entre os dados apresentados, 36% dos brasileiros ainda acreditam que homens heterossexuais não correm risco de contrair HIV, enquanto 37% pensam o mesmo sobre mulheres heterossexuais. Além disso, apenas 48% dos entrevistados afirmam já ter realizado um teste de HIV.


Outro dado evidencia o tamanho do desafio enfrentado pelas campanhas de conscientização: somente 29% da população sabe que uma pessoa vivendo com HIV, em tratamento e com carga viral indetectável, não transmite o vírus por via sexual, conceito conhecido internacionalmente como I=I (Indetectável = Intransmissível).

A pesquisa também aponta que quase um em cada cinco brasileiros ainda acredita, equivocadamente, que pessoas vivendo com HIV não podem manter uma vida sexual ativa.



Informação ainda é a principal ferramenta

Especialistas reforçam que o HIV deixou de ser uma sentença de morte há muitos anos. Atualmente, com acesso ao tratamento antirretroviral, pessoas vivendo com o vírus podem ter expectativa de vida semelhante à da população geral, desde que mantenham acompanhamento médico adequado. Quando a carga viral se torna indetectável, não há transmissão do vírus por via sexual.


Apesar desses avanços, o medo da discriminação continua afastando muitas pessoas da testagem e do início do tratamento, tornando o combate ao estigma tão importante quanto o desenvolvimento científico.


Nesse contexto, iniciativas como a Tackle HIV demonstram que o esporte pode ir além das competições e tornar-se um poderoso instrumento de educação, acolhimento e defesa dos direitos humanos.


Ao reunir atletas, organizações da sociedade civil, profissionais da saúde e representantes da comunidade durante a AIDS 2026, a campanha reafirma uma mensagem essencial: combater o HIV passa também por combater a desinformação, a discriminação e todas as formas de exclusão que ainda atingem quem vive com o vírus.

 
 
 

Comentários


White on Transparent.png

Inscreva-se no site para receber as notícias tão logo sejam publicadas e enviar sugestões de pauta

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • YouTube

Obrigado por inscrever-se!

@2022 By Jornal Pimenta Rosa

bottom of page