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“Hétero Sigilo” retorna ao Teatro Glaucio Gill com reflexão potente sobre violência, silenciamento e heteronormatividade

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Solo autobiográfico de Bernardo Dugin, dirigido por João Fonseca, nasce de episódio real de homofobia e volta aos palcos após temporada de estreia com sessões esgotadas




Após uma estreia de grande repercussão e sessões esgotadas em março, o espetáculo “Hétero Sigilo” retorna ao cartaz a partir do dia 7 de maio, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana. Idealizado, escrito e interpretado por Bernardo Dugin, com direção de João Fonseca, o monólogo propõe uma reflexão contundente sobre heteronormatividade, violência simbólica e os impactos psicológicos provocados pelo silenciamento imposto à população LGBTQIAPN+.


A obra marca a estreia de Dugin como dramaturgo e tem origem em uma experiência traumática vivida pelo artista e seu namorado durante uma missa de sétimo dia, em Nova Friburgo, em 2023. O episódio, que ganhou repercussão nacional, resultou em ação judicial e tornou o padre responsável réu por racismo qualificado. O caso abriu debate público sobre os limites entre liberdade religiosa, liberdade de expressão e discurso de ódio, além de motivar pedido de indenização por danos morais coletivos à causa LGBTQIAPN+ pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.


No palco, Dugin revisita a própria trajetória para expor os mecanismos sociais que levam pessoas LGBTQIAPN+ a viverem sob máscaras, ocultamentos e performances de adequação. A narrativa revela o custo emocional de sustentar pactos silenciosos para sobreviver em uma sociedade ainda marcada pela intolerância.


“O espetáculo não é sobre assumir uma orientação sexual. É sobre o que a gente precisa esconder para continuar existindo sem ser punido por isso. A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”, afirma o ator.


Antes de chegar aos palcos, “Hétero Sigilo” nasceu como projeto transmídia. Durante a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ na Avenida Paulista, foi criada a “Caixa do Sigilo”, instalação que convidava o público a compartilhar relatos anônimos sobre vivências marcadas pelo medo e pela invisibilidade. Paralelamente, o perfil oficial do projeto nas redes sociais satirizou situações cotidianas relacionadas à lógica do “sigilo”, alcançando quase cinco milhões de visualizações e consolidando o espetáculo como fenômeno de engajamento antes mesmo da estreia teatral.


Para João Fonseca, responsável por montagens consagradas como Minha Mãe é uma Peça e Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, a potência da peça está na forma como ela revela estruturas sociais opressoras sem recorrer ao confronto direto.


“O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta o dedo, ele expõe um sistema. É uma peça íntima, mas profundamente política, porque fala do preço que se paga para caber numa norma que adoece”, destaca o diretor.


A trilha sonora original, assinada por Federico Puppi, atua como elemento dramatúrgico central, intensificando silêncios, tensões e estados emocionais que atravessam a encenação.


Atualmente diretor do Grupo TACA, tradicional coletivo teatral de Nova Friburgo, Bernardo Dugin reúne trajetória sólida no teatro, cinema e televisão, com participações em produções da TV Globo e da Record TV, além de trabalhos de direção reconhecidos pela crítica especializada.



Serviço


Espetáculo: Hétero Sigilo

Temporada: até 29 de maio de 2026

Dias: Quintas, sextas e sábados

Horário: 20h

Local: Teatro Glaucio Gill

Duração: 75 minutos

Classificação: 18 anos

Ingressos: R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia)


 
 
 

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@2022 By Jornal Pimenta Rosa

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