"Homem com H": cinebiografia de Ney Matogrosso estreia na Netflix nesta terça-feira (16)
- Pimenta Rosa
- 16 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Dirigido por Esmir Filho e estrelado por Jesuíta Barbosa, filme mergulha na trajetória de um dos maiores ícones da música brasileira, expondo feridas íntimas, amores revolucionários e a ousadia de existir fora da norma

Prepare a pipoca! Com estreia marcada para esta terça-feira (17), a cinebiografia Homem com H, dirigida por Esmir Filho, chega na plataforma Netflix, que entrega ao público uma imersão poética, política e profundamente humana na trajetória de Ney Matogrosso. Estrelado por Jesuíta Barbosa, o longa revisita momentos-chave da vida do artista — da infância no Mato Grosso do Sul à consagração nos palcos —, e reafirma sua condição de símbolo da liberdade artística e da resistência contra os padrões normativos que tentaram silenciá-lo ao longo das décadas.
Figura provocadora desde os anos 1970, Ney Matogrosso rompeu fronteiras de gênero, estética e comportamento em uma época em que ousar ser diferente podia custar caro. Seus figurinos ousados, sua voz aguda e suas performances carregadas de erotismo e expressão corporal marcaram época — e escandalizaram uma sociedade conservadora em plena ditadura militar. É essa força disruptiva que o filme busca traduzir: não apenas um registro biográfico, mas uma celebração do direito de ser quem se é.
O roteiro, que conta com colaboração direta do próprio Ney, percorre com sensibilidade momentos de grande impacto emocional. Entre eles, o relacionamento com Cazuza, vivido por Jullio Reis, a dor da perda de amigos durante a epidemia de Aids e os embates com o pai militar, que exigia do filho que "se comportasse como homem" — frase que, no longa, reverbera como crítica ao autoritarismo patriarcal que marcou muitas infâncias LGBTQIAPN+ no Brasil.
Adotar o sobrenome Matogrosso, herdado do pai conservador, tornou-se um gesto de ironia e reinvenção. Um nome que virou sinônimo de transgressão e arte em estado bruto. Em entrevista à CCXP23, Jesuíta Barbosa — que entrega uma atuação visceral e delicada — destacou: “É um grande artista, talvez um dos mais performáticos que temos. O jeito que ele traduz o Brasil é desafiador e emocionante”.
A produção, assinada pela Paris Entretenimento, conta ainda com Bruno Montaleone no elenco e trilha sonora marcada por clássicos como Sangue Latino, dos tempos do grupo Secos & Molhados. A canção embala cenas em que a arte e a política se fundem, retratando um Brasil que continua, ainda hoje, sendo um dos países mais violentos do mundo para pessoas LGBTQIAPN+.
Homem com H é mais do que uma cinebiografia: é um documento histórico, uma carta de amor à liberdade e um grito contra o moralismo que ainda insiste em normatizar corpos, afetos e expressões. Ao contar a história de Ney, o filme convida o espectador a revisitar o passado e refletir sobre o presente — num tempo em que ser autêntico segue sendo um ato político.




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