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Jordhan Lessa transforma vivência trans em literatura e celebra participação em coletânea de Maricá

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

A literatura como espaço de existência, memória e transformação ganha novos contornos em Maricá com o lançamento da coletânea “Maricá em Versos e Prosas”, que reúne vozes locais em narrativas que atravessam afetos, identidades e territórios. Entre os autores selecionados está Jordhan Lessa, figura reconhecida pela trajetória pioneira na luta por direitos da população trans no Brasil e pela atuação em diferentes frentes de inclusão social e cultural. Primeiro guarda municipal transgênero do Rio de Janeiro, ativista, palestrante e integrante do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, Jordhan construiu uma história marcada pela resistência, pelo diálogo e pela busca constante por espaços de pertencimento. Agora, leva essa vivência para o campo literário, onde transforma experiências em palavras e amplia o alcance de narrativas ainda pouco representadas.

Nesta entrevista, Jordhan Lessa fala sobre o convite para integrar a coletânea, a influência de sua trajetória na escrita e o papel da literatura na visibilidade LGBTQIA+, além de refletir sobre políticas públicas de incentivo à cultura e inclusão.


Como surgiu o convite para integrar a “Coletânea em Versos e Prosas” e qual a importância desse projeto para sua trajetória pessoal e profissional?

A Editora Afeto e o Grupo Gaia abriram o chamamento público, eu vi e pensei em me inscrever para concorrer a uma das vagas entre as 20 disponibilizadas, mas acabei esquecendo, no último dia lembrei e deixei fluir o amor que sinto por Maricá, lembrando da 1° noite que passei aqui há 25 anos.

Para minha vida pessoal é uma forma de homenagear essa cidade que me acolheu e que me proporcionou os melhores momentos da minha vida até aqui e grandes descorbertas, sendo a maior delas a minha própria indentidade através da palestra do João W Nery em 2013 na Casa de Cultura da cidade, de outra forma, talvez, eu levasse mais uma vida para me reconhecer.

Profissionalmente é mais uma oportunidade de deixar meu nome na literatura transmasculina e na história de cidade.

 


De que forma sua vivência enquanto pessoa trans influencia sua escrita e sua participação em iniciativas culturais como esta?

Influencia totalmente cosiderando que o meu olhar vem de um lugar que pessoas cis jamais alcançaram, me refiro a me sentir estreando, quase aos 60 anos, para a maioria das coisas simples que as pessoas cis vivenciam desde sempre e nem se dão conta que para pessoas iguais a mim tudo é diferente, desde sentir a brisa da noite no peito nu, ou o calor do sol, até escrever para transbordar essa sensação incrível de liberdade.

Ter sido um dos 20 selecionados para coautoria dessa Coletânea, tem um sabor muito especial, porque houve um júri que julgou os textos sem saber as autorias e foram mais de 50 inscritos, essa validação renovou a minha vontade de continuar escrevendo.

 

 



Qual o papel da literatura na promoção da visibilidade e no enfrentamento das desigualdades vividas pela população LGBTQIA+?

Importantíssimo, acredito verdadeiramente que todas as pessoas LGBTQIA+ que escrevem prestam um papel fundamental no registro de nossas existências, cada uma dentro do seu contexto histórico, regional e cultural deixa o legado para que outras venham saber o que enfrentamos e o quanto evoluímos (ou não) para chegar até aqui.

Recebi com surpresa o livro "Autobiografias Transmasculinas e Literatura Social" do Doutor Benjamim de Almeida Neves que foi sua tese no 2° doutorado e ele faz 3 homenagens ao João W Nery (in memoriam) ao Anderson Herzer (in memoriam) e a mim, ou seja, ser lembrado ao lado de dois grandes desbravadores da literatura transmasculina na academia sinaliza que a importância de nossas escritas está para muito além do que podemos imaginar. Eu digo a todes, escrevam, mesmo que seja difícil uma publicação

impressa, use as redes (de forma segura), blogs, e-books, qualquer meio que permita que sua voz e sua existência deixem marcas nesse mundo.

 

 

Como você avalia iniciativas públicas, como as da Prefeitura de Maricá, no incentivo à produção cultural diversa e inclusiva?

Acho uma iniciativa brilhante, principalmente porque a Editora Afeto e a Gaia, através da Roberta de Souza, nos possibilita apresentar nossas obras de forma coletiva e ao mesmo tempo provoca reflexões, pois escritores e escritoras não têmseus talentos medidos pelas suas identidades, orientações e expressões, somos acolhidos e respeitados como deve ser entre pessoas.



 


SERVIÇO

Lançamento da coletânea “Maricá em Versos e Prosas”

  • Dia: 25 de abril (sábado)

  • Horário: 13h

  • Local: Auditório Manoel Lago - Banco Mumbuca, Rua Hilário Luiz Queiroz da Silva, 31, Parque Eldorado, Centro de Maricá, RJ

 
 
 

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@2022 By Jornal Pimenta Rosa

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