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Maquiagem como ato político: Casa Nem promove oficina que une beleza, identidade e resistência

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • 10 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Atividade realizada neste mês de julho reforça a maquiagem como ferramenta de afirmação de gênero, enfrentamento de estigmas e fortalecimento da autoestima de pessoas trans e travestis



Mais do que cores, técnicas e pincéis, a maquiagem ganhou contornos de luta, autonomia e dignidade na oficina "Maquiagem como Estratégia de Luta", realizada neste mês de julho pela Casa Nem, no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro. A atividade reuniu pessoas LGBTQIA+, sobretudo travestis e transexuais, em uma potente troca sobre identidade, corpo e o direito de existir com liberdade e respeito.


Desde março, a Casa Nem passou a funcionar oficialmente como Centro Comunitário Estadual de Atendimento à População LGBTQIA+, dentro do Programa Rio Sem LGBTIfobia. A unidade é a primeira da Zona Sul e um dos 23 centros de atendimento do Estado do Rio. No espaço, os atendimentos são realizados com equipe interdisciplinar – formada por profissionais do serviço social, psicologia e direito – de quarta a domingo, das 20h às 5h, acolhendo principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade.



A oficina de maquiagem aconteceu neste novo ciclo de fortalecimento institucional da Casa e simboliza a continuidade de sua missão: garantir espaços seguros, de formação e expressão para a população LGBTQIA+. A proposta foi refletir, na prática e na conversa, sobre como a maquiagem pode ser uma ferramenta de enfrentamento às violências e imposições de padrões de gênero, além de abrir caminhos para a construção da autoestima e da cidadania.


“A maquiagem serve pra desconstruir padrões, debater questões identitárias, e também pra fortalecer o que somos. Muitas pessoas trans se maquiam por imposição social, para parecerem mais aceitáveis. Aqui, mostramos que nossos corpos são diversos, e que a maquiagem pode ser um instrumento de expressão, não de opressão”, explica Indianare Siqueira, fundadora da Casa Nem.

Ela destaca ainda que muitas vezes a maquiagem não é acessível, seja por condições financeiras, seja pelo peso simbólico que carrega. "Mas, quando ela é apropriada de forma consciente, vira um escudo e um grito de liberdade", afirma.



Fundada a partir do projeto PreparaNem, voltado ao acesso de pessoas trans e travestis à educação superior, a Casa Nem se tornou referência em acolhimento, qualificação profissional e cidadania. Hoje, mais do que um abrigo, é um espaço de articulação política e de acesso a direitos básicos – como moradia, alimentação, formação e oportunidades de trabalho.


A oficina de maquiagem é uma entre tantas ações que a Casa promove com o intuito de garantir autonomia, circulação segura pela cidade e visibilidade positiva para pessoas LGBTQIA+, em especial as mais vulnerabilizadas. Com o apoio de políticas públicas e editais, como o que recentemente fortaleceu o projeto KuzinhaNem, a Casa segue como símbolo de resistência e transformação social.


“A Casa Nem começou como uma ocupação, e hoje é um equipamento público com atendimento noturno. Isso mostra que estamos avançando. Seguimos aqui, de portas abertas, porque infelizmente nossa população ainda é vítima de muitas violências. E porque precisamos continuar celebrando o direito de ser quem somos, com dignidade e beleza”, conclui Indianare.

 
 
 

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