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Morre, por Covid-19, Marco Trajano, um dos principais ativistas LGBTQIA+ de Minas Gerais

Ex-presidente do Movimento Gay de Minas (MGM), criador da Rainbow Fest e presente a todas as Paradas do Orgulho Gay de Minas, ele não resistiu às complicações da doença



Uma das maiores lideranças do Movimento LGBTQIA+ de Minas Gerais, Marco Trajano morreu na tarde deste sábado (17/07), aos 57 anos, em Juiz de Fora. Um dos organizadores do Miss Brasil Gay, que transformou a cidade em referência nas festas da diversidade, ele estava internado desde junho, na Santa Casa de Misericórdia, quando sofreu um infarto. Passou por uma angioplastia, mas acabou vítima do Covid-19. O enterro será neste domingo (18/07), no cemitério de Juiz de Fora.


A notícia da morte foi publicada na tarde do sábado nas redes sociais do marido do ativista, Oswaldo Braga. Ele comentou a internação de Marco Trajano, por conta do infarto e a cirurgia, que foi um sucesso. Entretanto, no pré-operatório, eles descobriram que o fundador do MGM estava com Covid e redobraram os cuidados, mas a doença, que já registra mais de 540 mil mortes no país, fez mais uma vítima. Braga lamentou a demora na distribuição de vacinas, que poderiam diminuir a dor das famílias brasileiras.


'Ele continuou intubado, mas faleceu hoje após uma parada cardíaca. Houve uma falência múltipla de órgãos por uma septicemia. Ele não conseguiu ser vacinado antes de ser internado. Se tivéssemos um serviço mais eficiente, ele poderia ter sobrevivido', disse Braga.


Referência em todas as áreas


Servidor público de carreira em Juiz de Fora, Marco Trajano era lotado na Procuradoria Geral do município e um importante quadro político do Partido Democrático trabalhista (PDT). Nas redes sociais, a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Laje (Funalfa) lamentou a morte do ativista e lembrou o trabalho que ele realizou em prol da cidade mineira.


'Aos familiares e amigos, nossos sentimentos. A Marco, querido amigo, gratidão pela grande contribuição com a cultura e defesa dos direitos em Juiz de Fora. Descanse em paz, Marco!', dizia a nota da Funalfa


A Câmara Municipal de Juiz de Fora também se juntou à Fundação em seu pesar, reforçando a trajetória do ativista na defesa dos direitos LGBTQIA+ e na visibilidade de uma comunidade que a sociedade insistia em tentar invisibilizar.


'Marco fundou a tradicional ‘Rainbow Fest’ e foi atuante nos debates sobre o tema, já tendo sido convidado para audiência pública na Câmara a respeito dos direitos humanos e sociais relacionados às políticas públicas destinadas à população gay, lésbica, travesti, transgênero e transexual'.


Já o PDT lembrou que Marco Trajano se junta a mais de 540 mil cidadão brasileiros que foram vitimados pela pandemia.


'Manifestamos nossa solidariedade e oferecemos nosso abraço aos amigos e familiares. Que a sua luta pelos direitos da população LGBT inspire as novas gerações e que seu trabalho não seja esquecido'.

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