São Clemente Anuncia “Crialogia – Gambiarra à Brasileira” Como Enredo para o Carnaval 2027
Desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon e pela enredista Bianca Behrends, o tema investiga a capacidade de reinvenção e o improviso popular a partir do voo do pássaro Bem-Te-Vi.

A Grêmio Recreativo Escola de Samba São Clemente divulgou formalmente a sinopse do seu enredo para o Carnaval 2027. Intitulado “CRIALOGIA – GAMBIARRA À BRASILEIRA”, o projeto assinado pela carnavalesca Annik Salmon e pela enredista Bianca Behrends propõe uma abordagem cultural, histórica e antropológica sobre a gambiarra, retratando-a como uma tecnologia popular de sobrevivência e um traço identitário do país.
A fundamentação teórica da proposta apoia-se nos estudos da professora e acadêmica Sabrina Sedlmayer, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — autora das obras “Jacuba é Gambiarra” (2017) e “Quem não tem Cão, Caça com Gato: Estudando a Gambiarra” (2024). Além disso, o enredo faz referência à expressão "Onisuáquimalipanse", neologismo inventado pela carnavalesca Rosa Magalhães para o desfile da própria agremiação em 2017.
O Bem-Te-Vi como Fio Condutor
A narrativa do desfile é conduzida sob a perspectiva do Bem-Te-Vi, que atua como narrador-personagem. A escolha da ave decorre de sua associação ao termo "gambiarra", em razão da estrutura de seus ninhos, frequentemente construídos com materiais descartados em centros urbanos.
Com penugem nas cores amarela e preta — as mesmas do pavilhão clementiano —, a espécie é abundante no bairro de Botafogo, zona de origem da agremiação. No contexto do enredo, o pássaro é apresentado como mensageiro e associado à figura de Exu, divindade relacionada à comunicação e ao movimento no Candomblé e na Umbanda.
Divisão do Desfile em Três Setores
A apresentação na Marquês de Sapucaí será estruturada em três partes temáticas:
Primeiro Setor (Herança Cultural Ancestral): Aborda a formação do povo brasileiro a partir da miscigenação e do sincretismo religioso, destacando o uso da criatividade como tática de resistência histórica diante da escassez.
Segundo Setor (Inventos e Prática da Gambiarra): Apresenta desde grandes criações da humanidade — como a máquina de escrever, o rádio e o avião — até as soluções improvisadas da vida cotidiana nas periferias e lares brasileiros.
Terceiro Setor (O Carnaval e os Folguedos Populares): Classifica as festas populares e o Carnaval como a expressão máxima da "crialogia", reunindo manifestações como blocos de rua, frevo, maracatu e afoxés como instrumentos de integração social e celebração comunitária.




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