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Velhices invisibilizadas: GGB revela dados alarmantes sobre a população LGBT+ idosa em Salvador

  • Foto do escritor: Pimenta Rosa
    Pimenta Rosa
  • 27 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Estudo inédito do GGB convoca a todos a ampliar o conceito de orgulho. Ser LGBTQIA+ com mais de 60 anos, em um país onde o preconceito ainda mata, é um ato de resistência e coragem. Envelhecer com dignidade não pode ser um privilégio cis-heteronormativo. É um direito que deve ser garantido por todos nós.


Enquanto ruas, avenidas e redes sociais celebram neste 28 de junho o orgulho de ser LGBTQIA+, uma parte essencial da comunidade continua sendo sistematicamente esquecida: os idosos LGBT+. Para lançar luz sobre essas trajetórias apagadas, o Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgou os resultados da pesquisa inédita “Viver LGBT+ Além (60+): Diagnóstico do Envelhecimento da População LGBT+ de Salvador”.


O levantamento, realizado entre abril e junho desde ano com 32 pessoas LGBT+ com 60 anos ou mais, revela um cenário marcado por solidão, violência, discriminação institucional e invisibilidade social. A pesquisa denuncia um quadro de múltiplas vulnerabilidades, atravessadas por LGBTfobia, etarismo, racismo e precarização econômica.


Neste 28 de junho,

“Envelhecer já é desafiador numa sociedade que cultua a juventude. Para quem é LGBT+, esse processo é ainda mais doloroso e solitário”, afirma o sociólogo José Marcelo Domingos de Oliveira, responsável pela análise dos dados.

Entre os dados mais alarmantes estão o índice de pessoas que vivem sozinhas (50%) e o número de idosos que já foram vítimas de violência por demonstração de afeto (43,8%). Instituições públicas como INSS, CRAS e CREAS foram citadas como locais onde ocorreram episódios de discriminação, muitas vezes praticados por agentes públicos.


Além disso, 34,4% não procuram atendimento médico há muito tempo, e quando o fazem, quase sempre são ignorados: 81,3% relataram que profissionais de saúde não perguntam sobre identidade de gênero ou orientação sexual. O levantamento também aponta que 71,9% não utilizam serviços públicos voltados à velhice ou à população LGBT+, e outros 12,5% sequer sabem da existência desses serviços.


“É como se o envelhecimento LGBT+ não existisse nem nas políticas públicas, nem nas narrativas da própria comunidade”, resume o relatório.

A maior parte dos entrevistados se identifica como homem gay (78,1%), seguido por lésbicas (12,5%), e há predominância de pessoas brancas (53,1%), embora a interseccionalidade racial seja apontada como agravante nas situações de exclusão.

Falta de apoio, renda precária e invisibilidade midiática são elementos constantes nas respostas. Apenas 34,4% ganham até R$ 5.500 por mês, enquanto muitos estão na informalidade ou sequer têm acesso à aposentadoria.


O estudo também denuncia o distanciamento entre gerações: 65,6% dos idosos entrevistados afirmam que jovens LGBT+ se relacionam com pouca ou nenhuma empatia com os mais velhos, evidenciando que a marginalização das velhices é, por vezes, reproduzida dentro da própria comunidade.


A pesquisa do GGB recorda que a geração atual de pessoas LGBT+ é a primeira, em grande escala, a chegar à velhice. Muitas dessas pessoas viveram sob ditaduras, enfrentaram a repressão policial e a epidemia da AIDS nos anos 1980 e 1990. São sobreviventes de um sistema que sempre tentou apagá-las.


No entanto, apesar de sua luta, ainda enfrentam o abandono do Estado, a negligência das políticas públicas e o esquecimento da própria comunidade que ajudaram a construir.


“É urgente romper o silêncio cúmplice que marginaliza essas velhices. Não basta celebrar o orgulho com bandeiras coloridas. Precisamos de ações concretas: casas de acolhimento, políticas de saúde e campanhas que incluam os idosos LGBT+”, destaca o GGB em nota.

Recomendações da pesquisa

O GGB propõe uma série de ações prioritárias:


  • Criação de centros de convivência e acolhimento específicos para idosos LGBT+;

  • Capacitação de profissionais da saúde e assistência social para atendimento humanizado;

  • Políticas públicas com financiamento garantido e participação da sociedade civil;

  • Campanhas de combate ao etarismo e à LGBTfobia na velhice;

  • Resgate da memória e valorização das histórias de vida da população LGBT+ idosa.


Para conhecer o estudo completo, acesse:grupogaydabahia.com.br

 
 
 

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