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Carta-denúncia expõe adoecimento e precarização na Guarda Municipal do Rio

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    Pimenta Rosa
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura
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O Pimenta Rosa recebeu carta-denúncia assinada por alguém que, por temor de represálias, prefere se identificar como “Amigo dos Guardas”. O texto que publicamos a seguir traz um relato contundente sobre as condições de trabalho e o adoecimento silencioso de servidores da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GMRio). Mais do que um desabafo individual, o documento expõe um quadro estrutural de sofrimento físico e psíquico, precarização institucional e invisibilidade de trabalhadores que dedicaram décadas ao serviço público. Ao tornar pública essa denúncia, o Pimenta Rosa reafirma seu compromisso com a escuta responsável, a defesa dos direitos humanos e a promoção do debate público qualificado, especialmente quando o silêncio institucional contribui para a naturalização da dor e da perda de vidas. A publicação desta carta não se configura como ataque pessoal ou partidário, mas como um convite urgente à reflexão, à apuração e à adoção de medidas que coloquem a vida, a dignidade e a saúde dos servidores no centro das políticas públicas.



Celeiro de almas: o adoecimento silencioso dentro da Guarda Municipal do Rio de Janeiro


Durante muitos anos, a Guarda Municipal do Rio de Janeiro foi símbolo de compromisso com o serviço público e referência para outras instituições do país. Hoje, porém, relatos recorrentes de servidores revelam um cenário preocupante de adoecimento físico, sofrimento psíquico e abandono institucional.


O problema é profundo: a falta de reconhecimento humano e funcional de profissionais que dedicaram décadas à proteção do patrimônio público e ao atendimento da população, mas que hoje convivem com condições de trabalho que impactam diretamente sua saúde e dignidade.


Criada para proteger e servir, a Guarda Municipal passou, sobretudo nos últimos doze anos, por um processo contínuo de deterioração interna. Servidores descrevem uma cultura administrativa que transformou pessoas em números de matrícula e carreiras inteiras em estatísticas silenciosas.


Há o aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais, internações psiquiátricas, doenças autoimunes, cânceres e problemas ortopédicos — com destaque para lesões na coluna vertebral. Há também um número recorrente de óbitos classificados como causas naturais, ocorrendo em um contexto prolongado de sobrecarga, estresse e ausência de políticas efetivas de prevenção.



Apesar da gravidade do quadro e programas estruturados que deveriam prevenir e efetivar o cuidado com a saúde integral do efetivo.


As perdas humanas parecem ter sido naturalizadas, repetindo-se rituais de luto sem que mudanças concretas sejam implementadas para evitar novas ocorrências.


A precarização é visível nas unidades espalhadas pela cidade. Falta infraestrutura básica: banheiros em condições inadequadas, ausência de mobiliário, equipamentos insuficientes e demandas crescentes acompanhadas de prazos incompatíveis com a realidade operacional.


Esse cenário compromete não apenas os trabalhadores, mas a própria qualidade do serviço prestado à população.


Somam-se a isso salários defasados e benefícios corroídos ao longo dos anos, o que empurra muitos servidores para jornadas extras e múltiplos vínculos de trabalho. O endividamento torna-se comum, especialmente entre aqueles responsáveis por famílias que incluem idosos, pessoas com deficiência ou doentes que necessitam de medicamentos e acompanhamento contínuo nem sempre disponíveis na rede pública.


Enquanto isso, o discurso oficial destaca grandes obras urbanas, investimentos tecnológicos e projetos futuros. No entanto, o principal ativo de qualquer política pública, as pessoas que a executam, permanece fora do centro das prioridades.


A recente criação da Força Municipal de Segurança aprofundou fissuras internas. Testes físicos rigorosos, aplicados sem considerar o histórico de adoecimento e envelhecimento funcional do efetivo, acabaram excluindo servidores que ajudaram a consolidar a instituição ao longo de décadas. O resultado foi o aumento da sensação de descarte, invisibilidade e ruptura do senso de pertencimento.


Este artigo não pretende atacar indivíduos ou gestões específicas, mas chamar atenção para um modelo administrativo que produz sofrimento, adoece trabalhadores e compromete a missão pública da instituição. Trata-se de um problema estrutural que exige atenção urgente de órgãos de controle, fiscalização e defesa dos direitos humanos.


Ignorar o que acontece dentro da Guarda Municipal do Rio de Janeiro é aceitar que o adoecimento e a morte precoce de servidores façam parte de um custo invisível da administração pública. O silêncio institucional, neste caso, não é neutralidade: é conivência.


Amigo dos Guardas

 
 
 

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