top of page

DA BAIXADA À SAPUCAÍ: NEGUINHO DA BEIJA-FLOR GANHA VIDA NO TEATRO

Foto do escritor: Pimenta Rosa
Pimenta Rosa
há 11 minutos
3 min de leitura

Com direção de Luiz Antonio Pilar, texto de Aydano André Motta e Izak Dahora no papel principal, musical revisita cinco décadas da trajetória de um dos maiores intérpretes do Carnaval brasileiro, da infância na Baixada Fluminense à consagração na Beija-Flor.



Durante cinco décadas, a voz de Neguinho da Beija-Flor ecoou pela Marquês de Sapucaí e ajudou a transformar o samba-enredo em uma experiência coletiva para milhões de brasileiros. Agora, depois de sua despedida dos desfiles em 2025, essa trajetória ganha uma nova avenida: o palco do Teatro João Caetano. É ali que estreia nesta quinta-feira (10) “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, espetáculo dirigido por Luiz Antonio Pilar, com texto do jornalista e pesquisador de Carnaval Aydano André Motta e Izak Dahora interpretando o sambista.


A montagem percorre diferentes momentos da vida de Neguinho, desde a infância na Baixada Fluminense até a transformação em um dos maiores intérpretes da história do Carnaval. Mas não se trata de uma biografia convencional. Pilar escolheu construir uma narrativa que rompe com a cronologia tradicional. Os acontecimentos reais são reorganizados pelo teatro e atravessados por mais de 30 músicas.


O menino da Baixada

Antes da fama, dos títulos e do reconhecimento internacional, havia um menino.

A montagem revisita a infância marcada pela pobreza e os caminhos que levaram Luiz Antônio Feliciano Marcondes a se transformar em Neguinho da Beija-Flor.

A história passa pela chegada à Beija-Flor, em 1975, pela estreia na Avenida em 1976 e pelas cinco décadas seguintes em que o intérprete se tornou uma das principais vozes da escola. Ao longo desse período, participou dos 15 títulos conquistados pela agremiação.


Neguinho também ajudou a estabelecer uma nova forma de comunicação entre intérprete e arquibancada. O grito “Olha a Beija-Flor aí, gente!” tornou-se sua assinatura e passou a integrar o imaginário dos desfiles. Sua trajetória ultrapassou os limites da Sapucaí. Foram mais de 40 discos lançados e músicas que entraram definitivamente na cultura popular brasileira.


No musical, essa história é contada por meio de um repertório com mais de 30 músicas.

Entre elas estão “O Campeão”, “Menino de Pé no Chão”, “Sonhar com Rei Dá Leão”, “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!”, “Negra Ângela” e “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”.


Um espetáculo negro e antirracista

Há outra dimensão que atravessa a montagem: a questão racial.

A história de Neguinho é também a história de um homem negro que saiu de uma realidade de pobreza e construiu uma carreira de enorme reconhecimento sem abandonar suas raízes.


Em entrevista recente, Izak Dahora definiu o espetáculo como “negro e antirracista”.

Esse aspecto permite que o musical ultrapasse a celebração de uma carreira individual e coloque em cena uma discussão sobre racismo, desigualdade, pertencimento e o papel da cultura negra na construção da identidade brasileira.


O samba que existe por trás da avenida

A montagem também procura revelar aquilo que o público nem sempre vê. Por trás dos grandes desfiles existem compositores, intérpretes, músicos, costureiras, cenógrafos, aderecistas, bailarinos, trabalhadores de barracão e comunidades inteiras. A cenografia aproxima o palco desse universo, criando referências ao barracão de uma escola de samba. É uma escolha que desloca o olhar: em vez de apresentar apenas o espetáculo pronto, o musical procura mostrar o processo, as pessoas e as histórias que fazem o Carnaval existir.


A despedida da Sapucaí não significou o fim da trajetória de Neguinho.

Pelo contrário. Depois de cinco décadas como intérprete oficial da Beija-Flor, sua história agora encontra outro palco. Se durante anos sua voz anunciava a chegada da escola à Avenida, desta vez é o teatro que anuncia a permanência de sua memória.

Neguinho deixou a Sapucaí, mas a história ainda está longe de terminar.



FICHA TÉCNICA

  • Direção: Luiz Antonio Pilar

  • Autor: Aydano André Motta

  • Direção Musical: Matheus Camará e Rodrigo Pirikito

  • Músicos: Daniel Esperança, Érica Santos, Maycon Júlio, Thainara Castro, Valladão e Wesley Lucas

  • Elenco: Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Izak Dahora, Leandro Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita Floriano e Verônica Bonfim



SERVIÇO

O NEGUINHO DA BEIJA-FLOR – MUSICAL

  • Teatro João Caetano - Praça Tiradentes, s/nº – Centro – Rio de Janeiro

  • Temporada: 10 de setembro a 1º de novembro de 2026 - Quintas, sextas e sábados, às 19h; domingos, às 17h.

  • Direção: Luiz Antonio Pilar

  • Texto: Aydano André Motta

  • Ingressos: de R$ 15 a R$ 80, conforme a modalidade.

  • Link para comras online: funarj.eleventickets.com


 
 
 

Comentários


White on Transparent.png

Inscreva-se no site para receber as notícias tão logo sejam publicadas e enviar sugestões de pauta

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • YouTube

Obrigado por inscrever-se!

@2022 By Jornal Pimenta Rosa

bottom of page