Documentário expõe repressão e resistência LGBTQI+ durante a Ditadura Militar
- Pimenta Rosa
- 2 de out. de 2025
- 2 min de leitura

A repressão política instaurada com o golpe de 1964 no Brasil teve efeitos devastadores sobre diversos setores da sociedade. Entre os mais atingidos estava a população LGBTQI+, considerada inimiga da “família tradicional” e alvo de perseguições, prisões e cassações. É essa trajetória de dor e resistência que o documentário “Não é a primeira vez que lutamos pelo nosso amor”, dirigido por Luis Carlos de Alencar, leva à tela nesta quinta-feira (03), às 22h, no canal Curta!, dentro da programação Sextas de História e Sociedade.
Produzido pela Couro de Rato, o filme resgata, por meio de imagens de arquivo, publicações da imprensa alternativa e depoimentos inéditos, como ativistas LGBTQI+ organizaram redes de solidariedade e transformaram sua resistência em parte essencial da luta pela redemocratização.
Entre os entrevistados estão nomes como o escritor João Silvério Trevisan, que relembra o clima de moralização imposto pelo regime, e o jornalista Alexandre Ribondi, que teve sua homossexualidade usada em relatórios oficiais como “ameaça à família e à democracia”. A professora Jaqueline Gomes de Jesus também analisa como a Ditadura apenas intensificou um histórico de perseguições já presente na sociedade patriarcal brasileira.
“Você tinha toda a estrutura repressiva comum de um país periférico como o Brasil. E ainda por cima com um governo ditatorial, que tinha projetos muito claros de moralização do país e tudo era subversivo”, conta o escritor e diretor e dramaturgo João Silvério Trevisan.
O documentário mostra ainda episódios emblemáticos, como a cassação de sete diplomatas do Itamaraty em 1969 sob acusações de “homossexualismo” e o surgimento de veículos alternativos como Lampião da Esquina e Chana com Chana, que desafiavam o silêncio imposto pelo regime.
A obra traça paralelos com movimentos internacionais, como os protestos nos Estados Unidos e na Argentina, e destaca a união de ativistas LGBTQI+ com o movimento sindical em atos históricos, como o 1º de Maio no ABC Paulista.
“Ali a gente tinha a consciência absoluta de que aquela marcha era contra a Ditadura. Não tinha esse nome e nem poderia ter. Se visse o aparato policial que foi montado, era muita coisa. Colocamos as mulheres e as crianças para abrir a marcha, para ver se eles não atacavam”, relembra a historiadora e militante Marisa Fernandes.
Disponível também no streaming CurtaOn – Clube de Documentários (Prime Video Channels, Claro TV+ e CurtaOn.com.br), “Não é a primeira vez que lutamos pelo nosso amor” é mais do que um resgate histórico: é um lembrete de que a luta por direitos civis e liberdade sempre incluiu a comunidade LGBTQI+ como protagonista.




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