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FINALMENTE TEMOS UM EXÉRCITO!

Foto do escritor: Eduardo Papa*
Eduardo Papa*
há 12 minutos
5 min de leitura

 

 

*Eduardo Papa

 

O deputado Janones, procurando uma ferramenta para turbinar a campanha de Lula nas redes sociais, criou um canal chamado o exército de Lula. O canal está hospedado em um ambiente dominado pelo Sr. Zuckberg, um dos maiores patrocinadores da extrema direita mundial. A despeito da intensa sabotagem da plataforma digital, da verdadeira molecagem do Presidente do TSE (o ministro garanhão das escravas sexuais da “creche” do Vorcaro) que tentou banir o canal, e da vantagem que o bolsonarismo levava no meio digital, o “general” Janones atropelou a direita nas redes sociais. Os administradores do canal da tropa de Flávio estão até agora tentando saber a placa do ônibus que passou por cima deles, o deputado Gustavo Gayer não pôde fazer mais que choramingar ao ver o exército do Lula, em poucos dias, recrutar cinco vezes mais soldados que o seu. Os barões que controlam as redes sociais devem estar em polvorosa, o domínio quase absoluto da extrema direita na internet brasileira ruiu como um castelo de cartas, rápida e inapelavelmente.

 

A reação começou nas ruas, logo após o torpor cívico causado pela vitória de Flávio no primeiro turno, os estudantes saíram às ruas rejeitando com força a Tropa do Flávio, o movimento das ruas cresceu e milhões de brasileiros em todo o país manifestaram um verdadeiro horror ante a possibilidade da volta dos Bolsonaro ao poder, foi quando o que explodia nas ruas alcançou as redes sociais, fazendo o caminho inverso do que fazem os movimentos orquestrados pela CIA para desestabilizar governos nacionalistas. Das ruas para as redes, Janones captou o movimento de milhões de pessoas que passaram a postar suas angústias e sua participação em movimentos de rua, pessoas que não usavam suas redes sociais para se posicionar politicamente passaram a fazê-lo, pessoas que não costumavam participar de redes sociais (como eu) passaram a frequentar ambientes digitais para se defender do fascismo. Logo surgiu uma verdadeira rede de “professores” que ensinaram a nós, neófitos no assunto, a derrotar os senhores feudais da internet em seus domínios. A força do povo entrou como uma avalanche nas redes sociais, anulando com engajamento humano efetivo as fazendas de robôs.

 

A idéia de usar a imagem de um exército para arregimentar seus apoiadores foi absolutamente genial! Vivemos em um mundo sob a sombra da guerra, a potência hegemônica usa e abusa da guerra para garantir sua dominação. Os fascistas ameaçam abertamente a todo tempo com a possibilidade de intervenção militar dos EUA no Brasil, para impor uma ditadura como em 1964, na operação Brother Sam. Donald Trump controla os governos de todos os nossos vizinhos e não esconde sua gana pelo Brasil, agrediu nosso país impondo tarifas a produtos brasileiros e dando homizio aos traidores golpistas foragidos da justiça brasileira. Nossos militares não oferecem nenhuma garantia de lealdade ao povo do Brasil, enquanto o deputado General Pazzuelo faz discurso no plenário defendendo a participação do Brasil na agressão dos EUA ao Iraque, o Presidente do Clube Militar definiu como “ruído diplomático” a defesa de nosso presidente da soberania nacional. Quando parecia estarmos no mato sem cachorro, eis que apareceu o exército capaz de defender a soberania nacional!

 

Sim, eu acredito que o exército do Lula tem esse potencial. O Brasil não é um país que possa ser invadido militarmente, são oito milhões de quilômetros quadrados e duzentos milhões de habitantes, não é possível conquistá-lo sem um sólido apoio interno, portanto, o primeiro passo é derrotar a quinta coluna, tarefa que ao que parece está se apresentando como capaz de enfrentar. As tentativas de construir um exército popular para libertar o Brasil foram poucas e todas derrotadas pelo isolamento. Os cabanos no Pará foram esmagados pelo exército imperial porque estavam bloqueados do resto do mundo pelos piratas contratados pelo imperador. Frei caneca pagou com a vida na forca, porque os donos de terra abandonaram a Confederação do Equador quando passou a defender o fim da escravidão. Luís Carlos Prestes humilhou o exército brasileiro com sucessivas vitórias de sua coluna militar atravessando o Brasil, mas foi forçado a sair do país pela fronteira sem obter resultados efetivos, porque não conseguiu apoio nas cidades. Carlos Mariguella criou um exército de libertação para o povo do Brasil, que, por ter sido isolado politicamente, só conseguiu foi levar jovens alunos do Pedro II para serem degolados no Araguaia. Não sei qual vai ser o futuro desse exército, mas garanto que isolado, apartado do povo, não será, pois se assim o for deixará de existir tão rápido quanto surgiu.

 

O exército digital do General Janones, que o Lula já disse que vai subir de posto, tanto pode minguar até sumir, quanto multiplicar seus dez milhões de soldados, na mesma velocidade com que surgiu, dependendo do combate a que se proponha a travar. Como já disse aqui, com o congresso ultrarreacionário que elegemos, Lula vai precisar da mobilização de massa para governar, sem um grande apoio popular ativo, não vai aprovar coisa alguma e seu governo ficaria travado. E o seu exército não é um gado dócil e fácil de ser conduzido como os bolsonaristas, é uma gente grata por deixar de passar fome, mas que não quer só comida, o alto comando vai ter que trabalhar firme, com transparência e em sintonia com as necessidades do país. O que virá no próximo ano, embora eu ache um exercício de análise fascinante, estou ocupado demais apertando aqueles botões todos da esquerda, comentando, compartilhando, curtindo e postando com afinco e disciplina militar.

 

Uma coisa há de comum em todas as sociedades modernas, o fetiche com as coisas militares, desde os primórdios da civilização, quando o Estado ocupou o lugar da ordem tribal gentílica, a espada e a força estão associadas ao poder. A extrema direita brasileira que depositava todas as suas fichas nesse exército de quinta categoria, rastejando na porta dos quartéis, implorando por uma quartelada que a mantivesse no poder, vai ter que assistir hoje o verdadeiro exército do Brasil indo votar. Serão dezenas de milhões de soldados saindo de suas casas, empertigados e de peito estufado, marchando céleres para sessão eleitoral, para disparar o seu tiro na batalha pelo Brasil. Idosos já alquebrados sairão de suas casas com sacrifício para fazer a sua parte, jovens estudantes irão cantando e dançando para defender o seu futuro, trabalhadores marcharão resolutos para defender seus direitos, e as heróicas mulheres do Brasil, desde sempre esteio da nossa sociedade, para se defender do horror que paira sobre elas.

 

Eu também estou indo com soldado desse exército, na certeza de que ao fim da tarde estarei na Cinelândia ou na Lapa comemorando a vitória do nosso exército. Um exército em sua maioria constituído por pretos, pobres, excluídos e discriminados de toda sorte, mas que conta em suas fileiras com os maiores artistas e cientistas do país, a maioria dos professores e intelectuais, um exército que tem como comandante um operário idoso e conta com generais como a Erica Hilton. O carnaval que faremos essa noite vai marcar o início de uma nova era no Brasil, em que esses milicianos e criminosos que nos aterrorizam serão derrotados e punidos. Iremos mostrar ao mundo que derrotamos o fascismo com a nossa alegria e amor pelo próximo e pelo país.

 

 

*Eduardo Papa - Colunista, professor, jornalista e artista plástico (www.mosaicosdeeduardopapa.com)

 
 
 

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