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Jesus Cristo, o Natal e a População LGBT: um convite à dignidade humana

  • Foto do escritor: Ronaldo Piber
    Ronaldo Piber
  • 18 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura


*Ronaldo Piber


O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo como acontecimento radical: Deus que se faz humano, frágil, pobre e exposto. Não nasce nos centros de poder, nem entre os “puros” da moral religiosa, mas à margem — em uma manjedoura, fora das estruturas de prestígio e controle. Esse dado inaugural não é simbólico por acaso. Ele define todo o sentido da vida e da mensagem de Jesus.


Ao longo dos Evangelhos, Jesus se revela como alguém que rompe fronteiras. Ele se aproxima de quem foi excluído, silenciado ou transformado em objeto de julgamento moral. Não pergunta antes se a pessoa se encaixa em normas sociais ou religiosas; pergunta se ela sofre, se está ferida, se foi deixada para trás. Seu gesto primeiro é sempre o acolhimento. Sua palavra central é a dignidade.


Quando se observa essa trajetória, torna-se impossível dissociar o Cristo do Natal das populações que, ainda hoje, vivem à margem — entre elas, a população LGBT. Pessoas que frequentemente enfrentam rejeição familiar, violência simbólica, exclusão religiosa e, não raro, negação de direitos básicos. Em muitos contextos, a fé que deveria ser fonte de consolo tornou-se instrumento de dor.


Jesus não construiu sua mensagem sobre a vigilância do corpo ou do desejo alheio. Ao contrário, foi duro com aqueles que usavam a religião para oprimir, humilhar ou excluir. Denunciou a hipocrisia dos que se diziam justos enquanto produziam sofrimento. Colocou a misericórdia acima da norma e a vida acima da lei. Esse é um dado essencial para qualquer reflexão honesta sobre cristianismo e diversidade.


O silêncio de Jesus sobre orientações sexuais e identidades de gênero não é omissão: é revelação de prioridades. O critério que ele propõe é outro — amar ao próximo como a si mesmo, cuidar do vulnerável, reconhecer a humanidade onde ela foi negada. Nesse horizonte, nenhuma pessoa precisa ser “corrigida” para ser amada.


Celebrar o Natal, portanto, não é apenas repetir um ritual, mas assumir uma postura ética. É perguntar de que lado estamos quando alguém é excluído em nome de Deus. É reconhecer que o Cristo que nasce na manjedoura continua nascendo onde há rejeição e resistência, mas também onde há acolhimento e coragem.


Um Natal verdadeiramente cristão é aquele em que ninguém é deixado do lado de fora. Inclusive — e especialmente — a população LGBT.



*@ronaldopiber é advogado e colunista do Pimenta Rosa


 
 
 

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