“Minha Vó Ri” estreia no CCBB e transforma memória lésbica em ato de resistência no palco
- Pimenta Rosa
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Atualizado: há 4 dias
Primeiro solo de Júlia Bernat, com direção de Débora Lamm, cruza autoficção, ativismo lésbico e ancestralidade em uma palestra-performance potente e sensível

O espetáculo “Minha Vó Ri”, primeiro solo da atriz, diretora e dramaturga Júlia Bernat, com direção de Débora Lamm estreia nesta quinta-feira (08), no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil. A montagem marca um momento emblemático na trajetória da artista e dialoga diretamente com pautas caras à comunidade LGBTQIAPN+, especialmente a visibilidade e a memória lésbica.
Construído a partir de três anos de pesquisa, o espetáculo utiliza a autoficção e o formato de palestra-performance para costurar memórias pessoais, familiares e afetivas com um aprofundamento histórico sobre o ativismo lésbico no Brasil e no mundo. Ao celebrar 18 anos de carreira, Júlia transforma o palco em espaço de investigação identitária, onde o íntimo se expande para o coletivo.
A narrativa revisita figuras centrais da história lésbica, como a cineasta Chantal Akerman e a ativista brasileira Rosely Roth, uma das protagonistas do Levante do Ferro’s Bar — marco fundador do Dia do Orgulho Lésbico — e primeira mulher lésbica assumida a aparecer na televisão brasileira, nos anos 1980.
A peça também recupera momentos históricos como a efervescência da liberdade LGBT na República de Weimar, na Alemanha pré-nazista, ressaltando conquistas e apagamentos ao longo do tempo.
“É uma proposta de dar densidade histórica e filosófica a uma trajetória que muitas vezes é invisibilizada. Eu precisava entender de onde vim para saber onde posso chegar”, afirma Júlia Bernat. “O palco se tornou o lugar onde a minha busca particular ecoa e encontra sentido na experiência coletiva.”
A ancestralidade atravessa o espetáculo de forma sensível e simbólica. Em vídeo, participam a mãe e a tia da atriz, as cantoras Soraya Ravenle e Ithamara Koorax, interpretando uma canção em iídiche, ampliando o diálogo entre memória familiar, herança cultural e identidade.
A trilha sonora assume papel dramatúrgico central, reunindo canções de artistas lésbicas brasileiras que marcaram gerações, como Ângela Ro Ro, Leci Brandão, Cássia Eller, Marina Lima e Ludmilla.
Reconhecida por sua trajetória no teatro, cinema e audiovisual — com indicações e prêmios como Shell, CBTIJ e Festival do Rio — Júlia Bernat é também uma das principais intérpretes da linguagem da diretora Christiane Jatahy, com presença constante em festivais internacionais como Avignon, Edimburgo, Lisboa, Los Angeles e Nova York. Em Minha Vó Ri, no entanto, a atriz se coloca em primeiro plano como autora de sua própria narrativa, assumindo o risco e a potência do solo.
A direção de Débora Lamm, fundadora da Cia OmondÉ e uma das artistas mais premiadas da cena brasileira, reforça o caráter político e poético da obra. O encontro entre as duas artistas resulta em um espetáculo que transcende o relato pessoal para se afirmar como gesto de resistência, afirmação identitária e celebração da memória lésbica.
Ficha Técnica:
Dramaturgia: Julia Bernat
Direção: Débora Lamm
Direção de movimento: Denise Stutz
Direção de produção: Aninha Barros
Assistente de direção e produção executiva: Kaká Guimarães Rosa
Cenografia: Elsa Romero
Iluminação: Lara Siqueira
Fotos e projeções: Camilla Lapa
Figurino: Debora Crusy
Direção musical: Rodrigo Marçal
Assessoria de imprensa: Cristiana Lobo
Intérprete de libras: Claudia Chelque
Interlocutor artístico: Biño Sauitzvy
Designer: Lucas Botelho
Mídias sociais: Nice Chagas
Serviço
Minha vó ri
De 08 de janeiro a 09 de fevereiro de 2025
Horário: quinta, sexta, sábado e segunda às 19h e domingo às 18h
Local: Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Endereço: Rua Primeiro de Março 66 - 2º andar - Centro – Rio de Janeiro/RJ
Contato:(21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
Duração: 70 minutos
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada) à venda na bilheteria do CCBB e no site bb.com.br/cultura
Estudantes, maiores de 65 anos, demais beneficiários por Lei e clientes com cartões BB pagam meia entrada.
Classificação: 14 anos
Mais informações em bb.com.br/cultura
*Todas as apresentações contarão com acessibilidade em Libras.





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