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Morre Gilberto Braga, um dos primeiros autores a falar sobre homossexualidade

Antenado, na novela Babilônia, criou as primeiras idosas lésbicas, vividas por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, chocando parte do público e denunciado o etarismo



Gilberto Braga, um dos primeiros teledramaturgo a incluir personagens LGBTQIA+ nas obras, discutindo preconceito e aceitação, morreu nesta terça-feira (26/10), aos 75 anos, após ser internado com septicemia, no Hospital Copa Star, na zona Sul do Rio, uma infecção generalizada. Autor de obras clássicas da TV como Escrava Isaura, Dancin' Days, Vale Tudo, Corpo a Corpo e Paraíso Tropical, entre outras, deixa marido, o decorador Edgar Moura Brasil, com quem era casado há 48 anos.


Nascido no Rio de Janeiro em 1º de novembro de 1945, ele cursou a faculdade de letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio e começou a trabalhar dando aulas na Aliança Francesa. Chegou a cursar direito e a prestar concurso para o Itamaraty e foi crítico de teatro e cinema no jornal O Globo, entre outras funções, tudo isso antes de se dedicar exclusivamente à teledramaturgia. Seu primeiro trabalho na TV Globo foi em 1972, com uma adaptação de A Dama das Camélia.


Sua trajetória faz parte da série documental original do Globoplay, Orgulho além da tela", que ao longo de três episódios, faz um retrospecto da trajetória dos personagens LGBTQIA+ nas novelas da Globo, desde os anos 1970 até os dias atuais.


Antenado com o mundo real


Um home sempre atento ao mundo, Gilberto Braga foi o autor que 'tirou do armário', com elegância, personagens gays e lésbicas que fugiam do estereótipo. Para ele, era importante mostrar pessoas comuns, homens e mulheres, que tinham o direito a sua sexualidade. Mesmo com os conflitos vividos na sociedade, ele não se furtava ao direito de defender o direito ao amor, independente do sexo. Entre os personagens estão Inácio (Dennis Carvalho), de Brilhante (1981); Cecília (Lala Deheizelin) e Laís (Christina Prochaska) de Vale tudo; Gilvan (Miguel Roncato), de Insensato coração (2011); e Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro), de Babilônia.


Autor de mais de 20 novelas e minisséries, criou, em 2005, as primeiras idosas lésbicas, vividas por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, de Babilônia, que foram rejeitadas por parte do público. Na sua luta contra o etarismo, que atinge com mais força os idosos LGBT, as duas brilhantes atrizes mostraram ao longo da novela o carinho e uma relação de respeito e cumplicidade, culminando com a cena do beijo que chocou a sociedade. No documentário 'Orgulho além da tela', Fernanda Montenegro afirma que muitos colegas de trabalho chegaram a repudiar a cena, mostrando bem o preconceito não apenas contra a questão de gênero, mas, principalmente, à sexualidade de idosos.

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