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O QUE SÃO AS TERRAS RARAS?

  • Foto do escritor: Eduardo Papa*
    Eduardo Papa*
  • há 3 dias
  • 6 min de leitura

Lantânio, Cério, Praseodímio, Neodímio, Promécio, Samário, Európio, Gadolínio, Térbio, Disprósio, Hólmio, Érbio, Túlio, Itérbio, Lutécio, Ítrio e Escândio...


Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta, segundo dados de 2025 da U.S. Mineral Commodity Summaries
Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta, segundo dados de 2025 da U.S. Mineral Commodity Summaries

*Eduardo Papa

 

Professor, isso é de comer ou é pra passar no cabelo? Pois é, pouca gente sabe de fato o que são as tais terras raras, que agora começam a aparecer no debate público, quais suas aplicações e importância para as novas tecnologias. Onde são encontradas e por que são consideradas raras. Alvo de acirrada disputa entre as mais poderosas economias do mundo, são insumos cruciais para a chamada economia do futuro.

 

São dezessete elementos químicos com propriedades físicas e químicas muito parecidas, como a maleabilidade, a boa condutividade e alta capacidade de armazenar energia, o magnetismo, e a capacidade de absorção e emissão de luz, indispensáveis na produção de baterias para carros elétricos, telas de LED/LCD, turbinas eólicas, radares e em quase todos os equipamentos de alta tecnologia. Tem terras raras no seu celular, na sua televisão, em equipamentos médicos e, sobretudo, nos mísseis e aviões de guerra, que vemos explodindo todo dia pelo mundo afora.

 

Na verdade, esses elementos são relativamente abundantes no planeta, a maior reserva está na China (44 milhões de toneladas). O Brasil vem em segundo lugar com de cerca de 22 milhões de toneladas (25% das reservas mundiais), segundo levantamento feito por satélites da Starlink de Elon Musk, encomendado pelo governo dos EUA. A raridade desses elementos é conferida não pela sua escassez na natureza, mas pela dificuldade e alto custo de seu processamento, além de considerável impacto ambiental. A produção começa pela moagem lavagem e peneiramento de grandes volumes de minério bruto, após o que é feita a lixiviação com produtos químicos para dissolver os elementos extraídos, a seguir, na fase de refino, os elementos de interesse são separados pela aplicação de solventes, e finalmente os óxidos são convertidos em ligas metálicas. Um processo complexo que exige tecnologia de ponta e gera rejeitos radioativos, que precisam de cuidados para seu descarte, além de degradar áreas extensas, que precisam de grandes investimentos para seu reaproveitamento futuro.

 

Bem, é caro e gera problemas ambientais, mas respondendo à pergunta do título da matéria, as terras raras são a grande oportunidade que aparece para o Brasil nessa nova economia de transição energética, que irá se tornar dominante no planeta. Nossa produção é ainda incipiente e não passa da primeira fase de beneficiamento, concentrada na mina de Minuaçu em Serra Verde (GO), mas estão sendo prospectadas importantes reservas em Minas gerais e na Bahia, onde pesquisas em fase de laboratório da Brazilian Earth são bastante promissoras.

 

Nossas terras raras encontram-se absorvidas em argilas iônicas e não em rochas (o que facilita e barateia a extração), onde foram encontrados elementos magnéticos, que são os de maior valor comercial, o térbio, praseodímio e neodímio. Entretanto, as empresas que realizam essas pesquisas são estrangeiras (da Austrália e Canadá na maioria), e sua proposta é realizar a primeira fase de extração bruta no Brasil e levar a fase mais elaborada e bem remunerada para o exterior, empurrando para nós o papel de produtor primário exportador de comodities. Para se ter ideia o valor por quilo do material bruto gira em torno de cinco dólares, enquanto o material refinado alcança 60 dólares.

 

O Brasil tem o péssimo hábito de desperdiçar as oportunidades de progredir. No meio do século dezoito jogamos no lixo a oportunidade de se industrializar, oferecida pelo Barão de Mauá. Éramos governados por um imperador erudito, que falava vários idiomas e entendia tudo de múmias, mas era um estadista medíocre, que manteve o país acorrentado a estruturas do século dezesseis enquanto o mundo fazia a segunda revolução industrial. Um século depois, nos anos de ouro do nosso país, um projeto de desenvolvimento, formulado pelo maior economista de sua época, Celso Furtado, que foi copiado com sucesso por países como a Coréia do Sul, e que os chineses vinham aqui para estudar, foi sepultado por um golpe militar orquestrado pelos EUA. O pouco que pôde ser salvo vem sendo dilapidado por sucessivos governos neoliberais, como a Petrobrás, por exemplo. Hoje o governo não controla mais a rede BR distribuidora, vendida por Paulo Guedes para os americanos, e na crise de combustíveis em que o mundo está mergulhando, só mesmo usando do poder de polícia para impedir a prática de preços abusivos no varejo.

 

A vantagem dos tempos atuais é que já sabemos sobejamente quem é o inimigo, a origem de todos os golpes e a rapinagem do nosso país. Lembram de quando o Obama dava tapinhas nas costas do Lula dizendo que ele era o cara, enquanto encarregava seu vice, Joe Biden. de tocar a Lava Jato para derrubar o nosso governo e abocanhar o pré-sal? Perdemos de novo, Dilma foi derrubada, e com ela a generosa proposta de entregar a exploração das novas jazidas a Petrobrás, com o lucro sendo destinado a um fundo soberano para custear a saúde e educação no Brasil. Agora então com Trump eles mesmos falam na lata qual é o projeto para seu “quintal latino”, é colonialismo na veia! Ainda mais agora que estão sendo escorraçados do Velho Mundo.

 

Para além da sede insaciável do Tio Sam por petróleo, nossas terras raras estão no centro dos interesses imperiais estadunidenses. Os EUA estão em uma verdadeira sinuca de bico por causa das terras raras, no caso pela falta delas. O complexo industrial militar, que é o coração do poderio industrial dos EUA, está enfrentando uma gravíssima crise de falta de matérias primas críticas. Aviões, mísseis, radares e equipamentos indispensáveis para repor o que seu exército queima continuadamente em suas guerras eternas, estão parados nas fábricas pela falta de componentes que dependem das terras raras. E o pior de tudo, o maior produtor, que detém praticamente a totalidade da capacidade de refino, é o seu maior rival. A China percebeu o potencial das terras raras há décadas, investiu pesado no desenvolvimento de sua produção e beneficiamento, e hoje praticamente controla o mercado mundial e bloqueou sua venda para a indústria de armamentos do ocidente.

 

E agora José? Ou melhor, John, para onde John? Para cá é lógico! Alguém acha que o Trump está preocupado com o PCC, o Comando Vermelho, ou com o tráfico de drogas? Está na cara que é um pé de conversa para potencialmente atacar nosso governo, como fizeram na Venezuela. Não tenham dúvidas de que vão vir com tudo contra nós. Vão atuar diretamente para derrotar as forças nacionalistas na eleição, e se perderem vão urdir outro golpe contra nosso país. E, para nossa desgraça, a história mostra que suas chances não são desprezíveis, pelo contrário, possuem o apoio de uma quinta coluna poderosa, incrustada em nossas forças de segurança, que domina a mídia e tem recursos ilimitados garantidos pelo capital financeiro e o latifúndio, além do apoio de influentes seitas pentecostais.

 

Eu me recuso a crer que o fascismo nos vença nas urnas, mas qualquer que seja o resultado é fundamental que estejamos mobilizados e espertos para fazer valer a nossa soberania e dela tirar efetivo proveito. Assim como nos tempos de Getúlio e João Goulart, as ganas do imperialismo ianque empurraram o povo para a luta nacionalista, nos dias atuais a defesa da soberania nacional volta a ser a trincheira da luta pelo progresso econômico e justiça social. E o caminho pode ser pavimentado por esses minerais de nomes estranhos, a bola da vez são as terras raras, passou a ser essencial a conscientização sobre o que elas significam, e formular propostas para seu aproveitamento econômico em favor de nossa sociedade. As forças políticas progressistas, os canais de comunicação independentes, as universidades públicas e o movimento dos trabalhadores organizados, devem abraçar a luta pelas nossas terras raras.

 

Devemos seguir o exemplo de como nossos pais e avós conquistaram monopólio estatal do petróleo, em um movimento que uniu e levantou o país, preservando essa riqueza para nós. Façamos então o mesmo por nossos filhos e netos, garantindo a defesa dessa riqueza para o futuro do Brasil. Pode se preparar para a campanha: O PRASEODÍMIO É NOSSO!



*Eduardo Papa - Colunista, professor, jornalista e artista plástico (www.mosaicosdeeduardopapa.com)

 
 
 

1 comentário


Christina Ramos
Christina Ramos
há 2 dias

Eu estou preocupada com essa direita, que joga sujo.🤔

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