• Pimenta Rosa

Pesquisadores da USP alertam para armadilhas de campanhas LGBTQIA+

Para Alexandre Martins e Daniel Zimmerman, muitas empresas usam as campanhas publicitárias com foco na diversidade apenas para atrair o chamado 'Pink Money'



Nem tudo o que reluz nas campanhas publicitárias voltadas para a comunidade LGBTQIA+ é ouro. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) afirmam que muitas empresas apostam na diversidade apenas para atrair clientes, permanecendo desconectados dos conceitos que deveriam nortear empresas realmente engajadas na causa.


Na edição do Jornal da USP da última semana, o pesquisador do Núcleo de Sociologia, Gênero e Sexualidade (NÓS) da Faculdade de Filosofia, Letas e Ciências Humanas da USP, Alexandre Martins, fez ressalvas às campanhas, já que, segundo ele, nem sempre as empresas que vendem essa imagem de diversidade combatem a LGBTfobia e a cisheteronormatividade.


'Várias dessas empresas que, em junho, se aproveitam e lucram com o Pink Money, financiam políticos abertamente conservadores e contra a população LGBT e a diversidade sexual e de gênero', comenta o pesquisador. no Jornal da USP.


Já o doutorando da Escola de Comunicação e Artes, especialista em Relações Públicas e Publicidade e Propaganda, Daniel Zimmerman, comentou sobre o oportunismo por trás das campanhas. Ele lembrou que a expressão 'Pink Money', associada ao poder de compra da comunidade LGBTQIA+, é vista como negativa no meio da Comunicação e Maketing, uma vez que evidencia uma estratégia de negócio voltada para a exploração de um público consumidor específico.


'Ao mesmo tempo em que a gente quer se ver representado e é bom que tenham pessoas LGBT sendo contratadas para fazer parte das propagandas dessas marcas, que esse dinheiro possa circular entre pessoas LGBT, cada vez mais tem sido comum uma crítica a como só isso não basta, sobre como isso de fato não promove uma inclusão e não tem alterado as condições de vida da população LGBT no Brasil, de que essa fatia do mercado que se volta à população LGBT precisaria ter políticas mais efetivas voltadas, por exemplo, à contratação, às condições de trabalho, a combater discriminação dentro do ambiente de trabalho', frisa.


O pesquisador é crítico em relação à consciência do consumidor LGBTQIA+ em suas compras. Para ele, seria necessário que a comunidade cobrasse das empresas a adoção de seus valores, mas grande parte acaba consumindo sem levar o posicionamento das empresas em conta.

15 visualizações